Resenha - Megadeth (Credicard Hall, São Paulo, 11/10/2005)

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Por Rafael Carnovale
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Desde 1998, quando o Megadeth veio pela última vez ao Brasil, para a última edição do finado “Monsters of Rock” brazuca, a esperança dos fãs de ver Dave Mustaine & cia ao vivo foi se esvaindo em notícias, CD´s e boatos: primeiro Nick Menza (bateria) deixa a banda e “Risk” (o CD mais problemático do grupo) é lançado. Depois é a vez de Marty Friedman abandonar o barco. Dave ainda daria um último suspiro de criatividade com “The World Needs a Hero”, com os trabalhos de Al Pitrelli (guitarra) e Jimmy De Grasso (bateria), ao lado de seu eterno ex-comparsa Dave Elfesson. Mas eis que de repente o líder do Megadeth anuncia o fim da banda, motivado por uma lesão em seu braço esquerdo que o impediria de tocar.

Fotos: Carolina Oliveira

Passados 1 ano e meio, Dave volta às manchetes, anunciando que estava curado (muitos questionaram se ele teve mesmo problemas de ordem neurocirúrgica) e que o Megadeth voltaria a gravar um CD, com músicos contratados. Estava estabelecida a ditadura Mustaine: nada mais de companheiros de banda... era a vontade do cara. “The System has Failed” foi o resultado desta ditadura (por sinal um excelente CD), e novamente Mustaine anuncia uma turnê de despedida. Turnê que passaria pelo Brasil com apenas uma data em São Paulo. Felizes dos mortais que vissem o canto de cisne do Megadeth. Mas Dave acabou mudando tudo, anunciando na Argentina que a banda iria continuar, mas como seu projeto solo.

Voltemos ao show: um Credicard Hall super-lotado esperava ansiosamente pelo show do Megadeth. Antes porém, tivemos uma inusitada surpresa: o show do Apocalyptica, banda convidada para a turnê. Trata-se basicamente de um quarteto de violoncelistas (alguns mais sacanas os chamavam de “A Família Lima do Metal”) acompanhados por um baterista. Inicialmente ficaram conhecidos por tocar músicas do Metallica (!) com violoncelos, depois foram incorporando músicas do Sepultura, Pantera e outras bandas, até que partiram para um trabalho próprio, que vem sendo criticado pela falta de originalidade.

O grupo tocou por uma hora e meia para um público curioso e o resultado foi no mínimo inusitado: imagine quatro violoncelistas “bangeando” e um baterista detonando tudo em clássicos do metal oitentista. Se em suas músicas próprias a banda soa meio repetitiva (falta uma certa originalidade), nas versões de “Refuse,Resist” (Sepultura), “Master of Puppets” e “Seek and Destroy” (Metallica) a coisa realmente engrena, com os músicos detonando tudo e a galera curtindo muito. Falta ao Apocalyptica achar um meio termo entre o som pesado e a suavidade das cordas. Mas foi um show interessante, e os caras mostram realmente estar se divertindo no palco.

Passados cerca de 50 minutos (aonde o palco foi enfeitado com o pano de fundo com a capa do novo CD), as luzes se apagam e ao invés de uma “intro” as caixas de som começam a executar “The Boys are Back in Town” (Thin Lizzy). Uma boa música e uma excelente escolha.

A banda entra no palco com “Blackmail The Universe”, seguida de “Set the World Afire”, para delírio dos fãs. Dave não fala muito e emenda “Skin O´My Teeth”, “The Scorpion” e a excelente “Wake Up Dead”. Desnecessário dizer que os fãs estavam extasiados com a pancadaria apresentada em menos de 30 minutos de show. Para manter o clima em cima, Dave e asseclas emendam “In My Darkest Hour”, “Die Dead Enough” (uma das melhores do novo CD) e “She Wolf” (do bom “Cryptic Writings”).

Neste momento do show Dave agradece ao público pela presença e inicia na guitarra “A Tout Le Monde” (do excelente “Youthanasia”), emendada com “Angry Again” e “Hook in Mouth”. Mostrando um ecletismo fantástico na montagem do “set”, tivemos desde músicas mais melódicas (“Train of Consequences”, “Trust”) mescladas a sons mais heavy tradicionais (“Reckoning Day”, “Symphony of Destruction” que foi cantada por todos e “Sweating Bullets”) e os famosos sons “thrash” que sempre caracterizaram o trabalho da banda, como “Holy Wars”, “Peace Sells” e a pesada “Kick the Chair”.

O grande porém desta aula de thrash e heavy é a sensação de que estamos diante de uma banda burocrática, que parece estar apenas cumprindo mais um dia de um suado expediente de trabalho. Que Glen Drover (guitarra), James Mac Donough (baixo) e Shawn Drover (bateria) são bons músicos e executam as músicas com competência ímpar é inegável, mas falta o “punch” que a formação Mustaine/Menza/Friedman/Elfesson tinha (quem viu o Megadeth no Rock in Rio ou em 1997 e 1998 pode atestar). Os músicos parecem “travados” no palco, observando seu líder e chefe, que agita cada vez menos. Falta uma união de banda, mas é esta a proposta de Mustaine e os caras realmente sabem fazer um show forte.

Ainda houve tempo para uma execução primorosa de “Paranoid” (que eu não digo de quem é, nem a porrada), aonde Dave pareceu mais descontraído, com forte interação com a platéia, e o encerramento com “Silent Scorn”. Duas horas e meia de tudo o que o Megadeth pode oferecer, em 26 músicas bem selecionadas.

Um bom show, mas ficou faltando algo... quem sabe se Dave mantiver esse pessoal junto, lhes der maior entrosamento e lançar um CD possamos ver um Megadeth menos “frio” em uma próxima ocasião... agora eu pergunto a todos... Dave está tocando como nunca, mudando acordes, solando barbaridades e fazendo bases competentíssimas... ou ele foi salvo por um milagre ou esta lesão foi uma grande mentira... o que você acha? Me diga no fórum.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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