Krisiun: Fugir do usual e relaxar com um bom show no domingo
Resenha - Krisiun (Dusk Bar, São José, 13/03/2005)
Por Clóvis Eduardo
Postado em 13 de março de 2005
Fotos: Makila (www.makilacrowley.com.br)
Gostou do Faustão? Divertiu-se muito com galera do Pânico na TV? As opções dominicais de diversão estão meio restritas, não acha? Quando a rotina saturar o final de semana, nada melhor do que fugir do usual e relaxar com um bom show. É claro, relaxar não dá, pois ninguém fica parado, mas isso também faz parte de um belo programa de domingo.
O Dusk Bar da cidade de São José, próxima à capital catarinense, tem uma bela estrutura para shows de metal, apenas a visão dos camarotes fica prejudicada. Porém, quem assistiu as bandas de abertura Shadow of Sadness (Itapema), Rythual (Indaial), Forest of Demons (Criciúma), Luctiferu (Porto Alegre-RS), Osculun Obsenun e os magos do Metal Extremo mundial, o Krisiun, queriam mesmo é colar no palco e agitar a valer.
Segundo a organização, quase 400 pessoas praticamente encheram a casa que estava pronta para curtos shows de abertura e para a principal atração da noite. A bateria de Max Kolense (uma metralhadora extremamente funcional e precisa), estava em um elevado, e ocupava espaço, mas não impedia que as bandas iniciais fizessem belas apresentações. Passava das 18 horas, a Shadow Of Sadness inicia seu set com músicas do primeiro cd, Way To Hell. Um Death Metal muito bem executado pelo quarteto, com destaque para o cover de Violent Revolution do Kreator. Era só o começo da festa!
Em seguida e sem perder tempo, sobe ao palco a Rythual, um dos nomes mais fortes e lembrados do metal catarinense. Muita pegada e velocidade nas bases e guitarras foram destaque em músicas como Ritual of Blood e Lord of Illusions, que deixaram os sedentos por Thrash e Death Metal extasiados. O set assim como de todas as bandas de abertura, foi de no máximo seis músicas, o que deixou as apresentações mais dinâmicas, e atrasar alguns minutos, poderia significar uma música fora.
Em uma apresentação cheia de atrativos aos olhos, a Forest Of Demons trouxe Black Metal agressivo aos ouvidos, além de pirotecnia, performances de cospe-fogo – um susto para o pessoal grudado no palco – e a tradicional corpse-paint. A Luctiferu, pouco conhecida pelas terras catarinenses, veio de longe e enfrentou as dificuldades para apresentar ótimas mesclas de Black e Death Metal. As músicas Ketable, e Personal Malevolent são grandes composições. As rodas de mosh foram abertas e enquanto a movimentação prosseguia, um calor infernal e o cansaço já batia nas pernas, mas valia a pena cada segundo a mais na frente do palco.
A última banda de abertura, a Osculun Obsenun, pode ser definida em duas palavras: Completamente louca. O som é tocado na mais pura velocidade e força, e as letras são urradas com violência. Até aí tudo bem. Nomes de música como Jesus Gay e Unholly God também não apresentam nada de mais frente ao que pôde ser visto. O que o vocalista Diego faz durante o show é uma "piração". Com vestes estilo masoquista, o cara começa a se cortar durante a música de introdução, e em segundos o sangue começa a escorrer pelo corpo. Além do mais, fica se chicoteando e dá pancadas com o microfone na testa. Simplesmente é uma coisa não vista em todo lugar. Enfim, o restante da banda também é completamente doida no palco. Agita muito e empolga de vez o público que fez de parte da pista um grande campo de batalha. Foram poucas músicas, mas foi incrível ver e ouvir a mistura de sado e metal ao mesmo tempo.
O que era incrível tornou-se esquecível rapidinho. Alex Camargo (baixo/vocal), Max (na metralhadora, quero dizer, bateria) e Moyses Kolesne (guitarra) são estúpidos no que fazem. Esta estupidez chama-se metal extremo e cada um que estava naquele local, queria ver isso de pertinho. O som que já estava muito bom e alto ficou ainda mais horrível (no bom sentido) para o ouvido. O palco era simples, mas suficiente para o trio gaúcho acabar com as energias do público.
Em cena, grandes músicas de várias fases da banda, que envolviam o novo ep Bloodshed, cds como Works of Carnage e o fabuloso Conquerours of Armagedom. Dentre as músicas "Murderer", Thorns of Haven, Conquerours of Armagedom, e o cover de In League With Satan do Venon foram incríveis. Uma paulada atrás da outra. É difícil deixar de destacar cada um dos três, já que Alex detêm um carisma fenomenal em conversas com o público, urra como um demônio, toca baixo e agita para cacete. Moyses faz riffs e solos matadores sem erros, apesar de extremamente velozes. Além do mais, tem uma ótima presença de palco e agita feito Alex.
Para ser sincero, ninguém viu nada de Max durante o show, pela bateria estar muito alta. O pouco que se enxergava era uma técnica fenomenal de velocidade e precisão. São muitas pancadas por segundo tanto no bumbo como na caixa e pratos. A sensação é indescritível, até o estômago reclama, tanto quanto o pescoço. Por sinal, a galera, estava doida, mas apresentava sinais de cansaço. Alex percebeu e provocou mais rodas com gestos.
O show teve pouco mais de uma hora, e foi concluído com muitas manifestações de carinho pela banda. O vocalista não quis "pagar pau" a ninguém, mas elogiou muito o público e xingou tantas outras "preferências musicais". Foi um barato vê-lo se jogar na galera amontoada na frente do palco. Um gesto que parece comum, mas representa uma modéstia sem igual. Tanto que logo após o show, os três distribuíram autógrafos e tiraram muitas fotos. Sinal de que humildade e profissionalismo podem andar juntos no mundo do metal, principalmente o extremo.
Agradecimentos:
Alexandre Woritovicz
Makila Crowley
Binho e a galera do Dusk Bar
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