Resenha - Cannibal Corpse (Orion, Belo Horizonte, 18/06/2004)

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Por Thiago Sarkis
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Eu podia jurar que a saída de Jack Owen havia abalado imensamente tanto o Cannibal Corpse quanto os seus fãs, a ponto destes últimos não comparecerem ao show em grande número. De fato, cheguei a ter receio disso ou do pior, o cancelamento da turnê. Além de tudo senti uma “leve” frustração quando recebi a notícia de que Owen não vinha para a América do Sul. Porém, a banda surpreendeu, em nenhum momento se esquivou de seus compromissos, e em menos de um mês conseguiu colocar o substituto Jeremy Turner nos trilhos, apto a tocar com competência as partes do ex-guitarrista.

O público? Bem, previsivelmente seria grande. Contudo... foi AINDA MAIOR que o esperado. Death metal para cerca de mil e quinhentas pessoas? Cacetada. Os números oficiais podem destoar ligeiramente, mas aparentemente este aí bateu os recordes do ano na capital mineira e conseguiu reunir mais gente que o Destruction e o Dimmu Borgir.

Algo de muito especial estava para acontecer naquela noite e isso ficou claro quando passei mais cedo na Orion, por volta de quatro ou cinco horas antes do show, e muita gente do lado de fora já na espera, ouvindo de longe a guitarra de Pat O’Brien, o baixo de Alex Webster e a bateria de Paul Mazurkiewickz – vestindo uma camisa do D.R.I., e merece muitos pontos por isso - durante a passagem de som.

O clima estava ótimo, apesar de ser perceptível o cansaço da longa turnê que iniciaram desde o lançamento do “The Wretched Spawn” (2004), e igualmente o estado de choque pela saída de um membro ‘fundador’ do conjunto. Todavia, não deixaram a peteca cair e horas depois isto foi comprovado na apresentação violentíssima que realizaram.

Atrasei-me um pouco e perdi o Hell Trucker. Lamentável, pois gostaria de ouvi-los ao vivo novamente e especialmente escrever sobre eles. Boa banda e que tem retorno insuficiente perante o trabalho que faz. Não dava para me lamentar muito, pois o Extreme Hate já disparava seu set quando entrei no local. Uma abertura correta, ok. Bem recebido por um grupo já delineado de admiradores e suficiente para a espera do Cadáver Canibal.

Os americanos não tardaram a adentrar o palco e logo começaram a repassar seus quinze anos de carreira numa amostra de extrema competência, experiência, e brutalidade sonora. Incessantes e insaciáveis devoraram álbum-a-álbum, e enlouqueceram os mineiros que de longa data aguardavam por aquele momento.

A primeira música foi tirada exatamente donde tudo começou, “Shredded Humans” do disco “Eaten Back To Life” (1990). Tentando encontrar um lugar, ouvi comentários inesquecíveis e vindos da velha guarda mesmo. Gente falando: “Cara, é o Cannibal Corpse ali”. Olhares e reações de incredulidade diante do impacto inicial e, sim, real, deixando sua marca na história.

Um monstro chamado George Fisher, o qual garantiu inacreditavelmente sua voz da primeira à décima oitava e última música tocada, pasmava os presentes. Festival de harmonias e melodias em moldes brutos, arrebatando com clássicos como “Stripped, Raped, And Strangled”, “Gallery Of Suicide”, “Fucked With A Knife”, “Puncture Wound Massacre” e “Vomit The Soul”.

Pat O’Brien executa fielmente as músicas que antecederam sua entrada no Cannibal e escandaliza no material que ajudou a produzir. Para resumir: o cara é rápido, limpo, e detentor de uma sonoridade feroz numa guitarra que fala alto. Por vezes, alto até demais, e ouvir Alex Webster torna-se uma tarefa difícil. Porém, assim que alcançado o exercício, nota-se um trabalho espantoso. Baixo vigoroso que se sobressai em “Staring Through The Eyes Of The Dead”, uma das melhores do show, e também em “Unleashing The Bloodthirsty”, entre tantas outras.

Para não deixar sem notificação, o material mais recente foi bem aceito. “They Deserve To Die” foi ponto de destaque no set e “Pit Of Zombies”, proveniente de “Gore Obsessed” (2002), também.

A cada música, a maioria com duração de quatro minutos, cinco no máximo, os membros do conjunto viravam-se, pegavam uma toalha e tomavam uma cerveja ou água. O local se tornou um vulcão no meio de Belo Horizonte. Nem dava para lembrar o quão fria estava aquela noite. E o bis garantiu o fervor por umas três, quatro horas pós-show. Final primoroso com “A Skull Full Of Maggots” e a soberba “Hammer Smashed Face”, memorável e escoltada por fãs que pareciam prontos para mais algumas horas de insanidade.

Onze de junho de dois mil e quatro é dia para entrar na história das Minas Gerais em termos de metal. Minto, não só nestes limites, mas sim em considerações musicais gerais. Não é todo dia, tampouco em qualquer lugar, que uma banda de death metal, seja qual for, tem uma audiência tão grandiosa. E dizem que feriados atrapalham, isso e aquilo... puro blah, blah, blah!

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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