Resenha - Moonspell (Orion, Belo Horizonte, 21/05/2004)

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Por Thiago Sarkis
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Depois de acertar sua vinda, cancelar e ser confirmado novamente, o Moonspell estrelando a novela Belo Horizonte / Rio de Janeiro conseguiu tocar em pelo menos uma das cidades. Os mineiros viram, os cariocas não. Para os 50% que festejaram a segunda data no Brasil - além de São Paulo, por onde os portugueses já haviam passado – o término da trama foi feliz, e põe feliz nisso.

Como se não bastasse a realização de um sonho de nove anos de ver clássicos conatos como “Alma Mater” e “Vampiria” ao vivo, a noite começou com uma banda que despretensiosamente subiu ao palco e literalmente chutou bundas. O Noturna, - www.noturna.net – que tem apenas uma demo lançada, abriu a noite gótica se impondo com músicas próprias que levantaram os espectadores. “Evil Heart” não me sai da cabeça desde então, tampouco as ótimas linhas do baixista Guilherme Carvalho e as melodias na voz de Vivian Bueno. Contudo, mais vocais extremos poderiam ser favoráveis. A guitarra de Fábio Bastos é pesada o bastante e deveria dar mais campo a estas vocalizações.

A atração principal, a qual também ficou de olho na apresentação dos brasileiros, apareceu já bem apartada e com responsabilidade maior após a grande abertura que teve. O que estava bom tinha que ficar melhor. Assim foi!

Mike Gaspar é o primeiro a surgir e saudar o público atrás de seu kit de bateria. Em seguida, Pedro Paixão, Aires Pereira e a dupla Fernando Ribeiro e Ricardo Amorim, com o último citado já detonando ressonantes harmônicos no riff de “In And Above Man”.

Set list muitíssimo bem pensado. De cara, quatro composições de “The Antidote”, divididas pelo ‘medley’ da ovacionada “Alma Mater” e de “Vampiria”, segurando o início dedicado ao novo álbum e mantendo a atenção dos ouvintes. Mesmo sem as alusões a “Wolfheart”, creio que a banda seria bem-sucedida no disparo dos novos petardos. “From Lowering Skies”, “The Southern Deathstyle” e “Everything Invaded” estão entre as melhores músicas da carreira do Moonspell.

O conjunto teve uma atuação impecável. Mesmo sabendo que Fernando Ribeiro é colocado num posto acima por alguns fãs, há de se destacar os demais membros, especialmente Ricardo e Mike, em extraordinária forma. Mostram ao vivo o entrosamento que faz “The Antidote” tão brilhante.

Se a primeira parte se destinou a comprovar a potência do último lançamento, a segunda enfatizou o glorioso “Irreligious”, passando rapidamente por “Sin / Pecado” e “Darkness And Hope”, e retornando a “Wolfheart”, com “Wolfshade”.

Além das novas composições e do medley do primeiro álbum do Moonspell, “Full Moon Madness”, “Opium” e “Abysmo” foram responsáveis pelos momentos de maior euforia.

O bis foi a passagem mais fraca do show fechando com “Awake” e “Antidote”, Daí você pode imaginar a qualidade do restante da apresentação. E não adianta, é óbvio que falta algo sempre, e o set não foi longo. Pedindo “pouquinho”... um acréscimo de vinte minutos não cairia mal, hein? Pelo menos durou mais que o Dimmu Borgir, o que não quer dizer muito também. Enfim, destruíram no tempo que tiveram. Músicos hábeis e de uma autocrítica aguçada, excluindo “The Butterfly Effect”. Maravilhosa passagem por Belo Horizonte, bem definida nas palavras do próprio Ribeiro: “Forte. Muito forte”.

AGRADECIMENTOS:
Vander – Andrômeda Productions & Rockstore
Paulo Barón - Top Link

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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