Shaman: Mais um episódio desta saga cheia de méritos
Resenha - Shaman (Marista Hall, Belo Horizonte, 04/10/2003)
Por Fernando De Minas
Postado em 04 de outubro de 2003
A grande expectativa dos mineiros para a noite do Shaman em Belo Horizonte no Marista Hall, pairava acerca do som, já que esta é atualmente uma das maiores e melhores casas de espetáculos do país.
Após a maratona de shows em seqüência que antecederam ao Shaman (Deep Purple, Sepultura, Hellacopters, Krisium, Marduk e eventos locais de metal), a quantidade de pessoas era uma incógnita. Surpreendentemente os mineiros compareceram em massa suficiente para confirmar a popularidade que esta banda alcançou em tão pouco tempo de existência.
Pouco depois das 22 horas os PA's anunciavam o início do show com a intro "Ancient Winds", sob gritos de: "Shaman! Shaman! Shaman!" Os primeiros acordes da "Here I Am" deram partida à explosão de empolgação e delírio do que viria a ser todo o show. Ponto para os mineiros que já carregam a fama de uma das melhores platéias de metal do Brasil.
A seqüência seguiu a ordem do álbum "Ritual". Destaque para a "For Tomorrow" com uma execução belíssima ao vivo. Após a "Time Will Come", veio a primeira música do Angra, "Lisbon", cantada em coro pela galera.
Mais uma vez, Marcus Viana faz sua participação especial com maestria. Ele toca junto à banda "Over Your Head". Um dos grandes momentos da noite surgiu com a parceria dele no violoncelo e André Matos no piano, improvisando seqüências singulares e eletrizantes para em seguida tocarem o primeiro hit da banda, "Fairy Tale". Inicia-se o momento dos solos individuais, mostrando uma banda muito entrosada, que depois de quase cem shows da Ritual Tour, tocam até mesmo sem set list no palco.
A interação com o público é total. André Matos faz um discurso inusitado sobre a igreja do heavy metal antes do início da "Pride". Nem é preciso comentar o impacto causado por esta que é uma das melhores músicas da banda.
Agora a banda só retornaria ao palco para a execução do hino máximo da fase deles no Angra, "Carry On". E esta seria a segunda e última música do Angra em todo o show. Francamente, não faz falta nenhuma música a mais.
Conforme dito no começo deste texto, a banda estava entusiasmadíssima com a agitação do público e anunciaram que iriam nos dar um presente: André foi para a bateria , Confessori para mais uma guitarra e Hugo nos vocais. Tocaram "Ace Of Spades" do Motorhead e "For Whom the Bell Tolls" do Metallica com esta formação e cantado em uníssono por todos. Para fechar com chave de ouro "Wasted Years" do Maiden deixando os mineiros extasiados.
Importante ressaltar como o som do Shaman está cada vez mais pesado. André Matos atingiu um nível de excelência absoluto, pouco visto por cantores do estilo. Sem falar de sua performance de palco impecável. Hugo Mariutti, apesar de estar um pouco doente neste dia, não se deixou abater e mostrou porque é apontado como um dos melhores do país. E o que dizer de Confessori e Luís se não que são mestres em suas funções? Parabéns a estes grandes músicos que estão engrandecendo o nome do metal mundo afora.
E para os que estavam esperando comparações com o Angra, afirmo: não há mesmo o que comparar. Este é não é um som melódico, é heavy metal. No melhor sentido que este termo possa significar...
Com o nome consolidado aqui em Minas Gerais, aguardamos uma próxima oportunidade de revê-los em mais um episódio desta saga que já iniciou-se cheia de méritos.
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