Slayer: "Não sei improvisar", diz Kerry King

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Por Marco Néo, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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O site Ultimate-Guitar.com entrevistou Kerry King, do SLAYER, em maio de 2007.

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Ultimate Guitar.com: Uma reportagem inglesa recente declarou que o SLAYER é uma das escolhas musicais de crianças-prodígio. Essa reportagem é um contraponto a um artigo da Esquire de 1992, que dizia que um de cada garotos que matam curtem SLAYER?

Kerry: "Bem, nós cobrimos um grande espectro! (risos) Eu acho que isso tudo acontece porque estamos por aí há tanto tempo que já viramos medalhões, foi por isso também que ganhamos o Grammy. Quando ganhamos da primeira vez e concorremos pela segunda, eu pensei 'quem vota pra isso?' Então eu tentei me colocar na posição de um votante que, na hora de votar em rap ou hip-hop, não teria idéia de quem escolher, e eu me limitaria a escolher alguém de quem eu já tivesse ouvido falar. Eu acho que uns 65% dos nossos votos provavelmente ocorreram nessa situação, de gente que nunca ouviu o som da banda mas já ouviu falar da gente. Eu não me importo de ganhar um Grammy. A única coisa que importa pra mim são os fãs, porque são eles que gostam do som e vivem na cena".

Ultimate Guitar.com: O que você acha que contribuiu para a longevidade do SLAYER numa indústria musical conhecida por sua inconstância?

Kerry: "Observe o nosso primeiro álbum, que hoje em dia você pode até achar obsoleto, mas tem que ter em mente que éramos moleques de 19 anos tentando descobrir o que diabos estávamos fazendo. O ponto central é que nós sempre acreditamos no que fazemos. O SLAYER sempre teve uma ligação com as ruas. Nós nunca tentamos ser o que não somos. Por exemplo: eu não acredito em Deus ou no Diabo, mas eu coloco a religião na berlinda porque é isso o que eu sou e isso se traduz na música. Se as pessoas entendem isso e gostam da gente eles vão acabar se conectando com a banda. Um álbum do SLAYER ou um show do SLAYER é quase que uma garantia, você sabe que se gosta de SLAYER você vai gostar do play ou do show. E nós sempre fizemos a nossa parte. 90% do que eu escrevo, eu gosto de fazer de uma forma que cada um tenha sua própria interpretação".

Ultimate Guitar.com: voltando um pouco no tempo, como você vê hoje em dia o seu 'debut', "Show No Mercy"?

Kerry: "A gente ainda toca sons daquele álbum - por exemplo, hoje vamos tocar duas músicas. Não tocamos nada da década de 90 porque o Dave não estava na bandas. Digo, não é só por causa disso, mas agora que o Dave está de volta, e porque é a primeira vez que tocamos na Australia com ele, nós nos focamos nisso. Nós tocamos material do 'God Hates us All' mas nada da década de 90, exceto do 'Seasons', mas esse não é exatamente da década de 90. Não tocamos nada do 'Divine', do 'Diabolus' ou do 'Undisputed'".

Ultimate Guitar.com: "Show No Mercy" e o "Hell Awaits" ostentam orgulhosamente as influências da banda?

Kerry: "Totalmente, nessa época nós éramos vidrados em MERCYFUL FATE, razão pela qual as músicas do 'Hell Awaits' são tão longas. Nós gostávamos muito deles e é por causa disso que esse álbum tem uns dez mil riffs e todas aquelas músicas. Mas o 'Hell Awaits' foi o último trabalho em que você podia ver totalmente uma influência no nosso som. Eu acho que foi a última vez em que assumimos influência de terceiros. Hoje em dia sabemos o que fazemos e já conhecemos a fórmula para uma música do SLAYER. Quer dizer, eu sei a diferença entre gostar de alguém e ser influenciado por ele, o que eu acho que muitos músicos não sabem".

Ultimate Guitar.com: O VENOM foi outra grande influência no som e no direcionamento musical do SLAYER, não?

Kerry: "Sim. Recentemente o Cronos veio a um dos nossos shows em Birmingham e eu fiquei bobo, 'olha lá, é o Cronos!' Eu deixei de ouvir a banda quando o Cronos saiu. Ele era a única razão para eu gostar da banda, eu adorava a personalidade do VENOM que ele tinha. Uma coisa engraçada aconteceu outro dia também. Eu estava numa sessão de autógrafos na Alemanha em um programa de música e o Mantas estava lá também. Como eu nunca tinha encontrado o Mantas pessoalmente antes, eu não o reconheci! (risos) Ele está muito diferente hoje em dia do que ele era. Ele veio e começou a me contar altas histórias, e eu falava 'é, eu estava nessa turnê', e ele respondeu 'bem, eu sou o Mantas!' Eu respondi, 'é nada, sai fora!' (risos) Eu ainda ouço VENOM o tempo todo no meu iPod".

Ultimate Guitar.com: Com relação a compor as partes de guitarra, você prefere fazer as músicas antes de entrar no estúdio ou escreve durante as gravações?

Kerry: "Os solos normalmente são a última coisa que nós fazemos porque é uma coisa pessoal minha e do Jeff. A música tem que existir primeiro. As letras têm que ser parte da música pra gente poder continuar, sem repensar a coisa. Mas raramente nós pensamos no solo antes de ter letra para a música. Assim que o Tom acerta a melodia vocal, eu e o Jeff voltamos para o hotel pra pensar nos solos. A única coisa que vem antes de tudo, assim como as letras, são os riffs. Eu acho que só uma vez eu escrevi uma letra antes de ter qualquer música na cabeça. Eu escrevi o que tinha em mente já sabendo que seria uma letra de música, nem me importei em não ter música ainda, eu sabia que usaria essa letra cedo ou tarde".

Ultimate Guitar.com: Quando a banda se reúne para os ensaios, vocês costumam fazer improvisos (jam-sessions)?

Kerry: "Nunca! Eu não sou um improvisador. Tanta gente já me pediu para fazer um improviso, algo como uma 'all star jam'. Mas eu não consigo improvisar. Eu nem saberia por onde começar, as coisas pra mim são bem metódicas. É a forma que as coisas funcionam com a gente, não teria jeito de fazer uma jam e sair algo como o solo de 'South of Heaven'. Não dá pra fazer desse jeito, não somos o DEEP PURPLE. Eu faço meus próprios riffs. No ensaio nós ensaiamos. A gente não vai só pra matar o tempo, já somos crescidos e temos vidas fora da banda. Mas nos velhos tempos até rolava, eu estava tocando guitarra e de repente o Jeff sentava na bateria ou vice-versa, e nós acabávamos fazendo algum riff".

Ultimate Guitar.com: No passado você já fez solos em músicas do PANTERA, ICE-T e HATEBREED. Há alguma possibilidade de vermos Kerry King fazer isso de novo num futuro próximo?

Kerry: "Depende. Eu fiz o negócio com o PANTERA porque o Dime (Dimebag Darrel) era meu amigo. Eu fiquei tão surpreso quando ele disse 'eu quero que você faça um solo nesta música', daí perguntei 'Por que você precisa de mim, porra?' (risos) Mas chega a um ponto em que todo mundo fica pedindo e você tem que dar umas cortadas, para não acontecer de você falar não para alguém e, seis meses depois, gravar com outra pessoa, isso é errado. Não quero ser esse tipo de cara. Mas é claro que se aparecer uma oportunidade legal, eu faço. Eu sempre quis fazer algo com o Zakk e eu tenho certeza que um dia sai alguma coisa. E nisso o Dime foi o catalizador, porque eu era mais amigo dele do que do Zakk. Hoje em dia Zakk e eu somos muito amigos, já que o Dime se foi. Eu e o Dime, quando ele estava fazendo a divulgação do CD do DAMAGEPLAN, eu chamei ele um dia e disse 'cara, eu tenho uma música que a gente tem que gravar. Sei lá eu o que vamos fazer com ela, mas é eu e você'. Ele ficou meio assim, 'que música é essa, King?' Eu disse, 'temos que gravar 'Snortin' Whiskey, Drinkin' Cocaine' (cheirando uísque, bebendo cocaína). Daí ele respondeu, 'tô dentro. Pra que vai ser? Eu nem me importo. Eu só acho que a gente deveria gravar essa música'. Então nós iríamos gravar, mas ele acabou se enrolando todo com as entrevistas de divulgação e eu disse a ele, 'não tem porque apressar as coisas, nós temos todo o tempo do mundo pra fazer isso'. Depois disso nunca mais o vi..."

Leia a entrevista completa neste link.

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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