Resenha - Angra (Palace, São Paulo, 16/07/1999)
Por Sabrina Gaspar Cano
Postado em 16 de julho de 1999
Fogos.
E muita vibração, tanto por parte da banda quando do público. Assim foi a apresentação dos brasileiros do Angra no último dia 16, uma quente sexta-feira de inverno. A banda subiu ao palco às 22h30, logo após a apresentação do Karma (performance que essa que vos fala não pôde presenciar, uma vez que chegou apenas no final. Tendo assistido apenas duas músicas, não me vejo no direito de fazer uma crítica séria a respeito, mas a banda tem muito nível, capacidade e técnica, pelo que pôde ser percebido).
Assim, a introdução de "Wings of Reality" já dava sinais do que os fãs presentes podiam aguardar da noite: uma luz muito intensa no palco, os primeiros acordes da música e, de repente, bum! A explosão e todo o Palace se encheu de um vermelho intenso, quase chegando a cegar, principalmente os que estavam perto do palco.
"Nothing to Say" e "Lisbon" agitaram o público, mostrando que os músicos andam em ótima forma, explicando o porquê desses cinco cabeludos terem caído nas graças da mídia e do público, tanto nacional quanto internacional, sendo chamados por muitos de "o novo Sepultura".
Andre Matos, com sua tradicional camisa branca de babados, está com o vocal tão afinado quanto nos tempos do "Angels Cry", mostrando talento e virtuosismo, além de provar que suas aulas de canto, regência e composição foram muito bem aproveitadas, conseguindo dominar a voz como poucos.
Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt sempre dão provas de seu entrosamento nas guitarras, e Luis Mariutti, como de costume, tocou seu baixo de maneira agressiva, sempre muito "na sua", mas formando a "cozinha" perfeita com Ricardo Confessori, com seus impagáveis ‘dreads’ no lugar de seus longos cabelos.
O som do Palace estava perfeito, fazendo com que a bateria fosse ouvida perfeitamente, coisa meio incomum nas casas de shows atualmente. Apesar do aspecto "mauricinho" do Palace, ele sempre se mostra o lugar certo para abrigar shows de heavy metal, com sua capacidade mediana e acústica em sintonia com a banda.
Os "picos" da noite ficaram por conta das ‘velhas’ "Time" (que veio logo no início, esquentando a galera, fazendo todos cantarem junto), "Angels Cry", "Stand Away" e "Carry On" (com direito a "Unfinished Allegro" na introdução), que fizeram o público bangear e cantar junto, letra por letra. A emoção de vir "Stand Away" ao vivo é inexplicável, mesmo para quem (como essa que vos fala) já presenciou esse verdadeiro espetáculo várias vezes. Essas músicas, particularmente falando, foram feitas sob medida para serem executadas num palco, principalmente com um público receptivo e satisfeito como era o caso do que se encontrava no Palace naquela sexta-feira.
Em meio a todas as músicas, muita pirotecnia, com performances realmente divertidas, lembrando um circo, com o tão famoso "engolidor de fogo", com suas tochas passeando pelo ar enquanto o público, vidrado, observava aquela interessante apresentação, mas não muito condizente com um show de heavy metal... Bem, isso é discutível e nem cabe a mim julgar a relevância dessas performances no meio do show. As explosões sim, essas encantaram o público, dando até em certos momentos pequenos sustos, já que estávamos tão entretidos com o show e, de repente, vários "bums" se faziam no decorrer do mesmo, levando todos ao delírio.
Também tocaram "Metal Icarus", "Carolina IV" (perfeita e completamente estonteante, como sempre), "Extreme Dream", "Mystery Machine", "Gentle Change" (muito conceituada e comemorada pelos fãs da banda), além dos já prováveis solos de bateria e guitarra.
A noite acabou um pouco antes de completar duas horas que a banda havia subido ao palco. E, quando a luz se apagou, ficou aquele gostinho de "quero mais", principalmente pela não inclusão de um cover (como Judas Priest, Manowar ou Iron Maiden, que a banda costuma incluir) nesse set list. Os gritos de "Painkiller" (música do Judas Priest que o Angra gravou e, assim, costuma executar em seus sets) pareceram não ter sido ouvidos... E ficou tudo assim mesmo. Quem pôde, com certeza voltou no outro dia, afinal, o metal estava lá, no palco, durante essas quase duas horas, para quem quisesse e pudesse ver. Um show com muita competência e categoria. Vida longa ao Angra!
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