Glenn Tipton: o que seu afastamento significa
Por Ivison Poleto dos Santos
Postado em 12 de fevereiro de 2018
Os detratores, tanto a ala mais conservadora quanto a mais progressista, gostariam que significasse o fim da 'besta que se recusa a morrer', ou para os mais chegados, do Heavy Metal.
É claro que o afastamento de um mais icônicos e importantes guitarristas de uma das mais características bandas do gênero preocupa os amantes do gênero. Ainda mais se puxarmos pela memória a quantidade de ídolos que se foram nos últimos dez anos. E também não é o fim da banda. Um substituto já foi designado para as turnês e Tipton ainda será uma das mentes criativas do Judas Priest.
Mas calma, se você está torcendo para que o Heavy Metal acabe, ainda não é o fim do gênero, mas o fim de uma era, da era das grandes bandas vendedoras de discos, talvez o fim do grande estrelato em termos de música. Mesmo no mundo do pop está ficando difícil encontrar estrelas como existiam há pelo menos dez anos. Sinais dos tempos de uma mudança realizada pela própria indústria da música, vide grandes gravadoras, que deram um tiro no próprio pé ao forçar uma mudança de base tecnológica que quase a matou.
Mas por que digo com tanta certeza que o Metal ainda não morreu? Por que, na realidade, o Metal nunca precisou da indústria. A indústria é que se aproveitou dos momentos de realce do gênero, e é claro, algumas bandas também. O Metal sempre foi um movimento musical alternativo, daqueles que sobrevivem das rebarbas da indústria. Desde o seu nascimento em meados dos anos 1970, o gênero se caracterizou por ser fechado e auto-alimentado. Ou seja, os fãs mantém o gênero vivo por pura lealdade comprando camisetas, cds, ingressos de shows, revistas e todos os produtos que as bandas aprenderam a produzir para sobreviver. E os fãs de Metal são leais por toda a vida. Continuam, mesmo que em menor proporção, indo a shows, comprando discos e camisetas. Vide este aqui que vos fala.
Vocês podem perguntar, mas a venda de cds está caindo ano a ano. Sim, mas os cds de Metal ainda vendem bem, e a queda, se existe, é bem menos significativa. E, a grande maioria das bandas, grava seus trabalhos por selos alternativos que repassam uma parcela maior dos rendimentos aos artistas. E muitas, mas muitas bandas, estão se autoproduzindo. Dá mais trabalho, porém a banda tem o controle da sua verve criativa. Não está mais sob o controle dos grandes executivos.
"Ah, mas os grandes ídolos estão morrendo. Não há mais grandes bandas." Você pode argumentar. Sim, verdade, fatos da vida. Tudo o que é vivo nasce, cresce e morre como titio Engels falava. Infelizmente, também nossos ídolos, mas outros estão nascendo. E é isso que conta mais.
Uma outra vantagem do Metal é que ele se tornou um gênero verdadeiramente mundial. Nenhum outro gênero se aproveitou da globalização como o Metal. Há bandas de Metal em todo o mundo, literalmente. E por ironia, principalmente em países muçulmanos, onde se ele não é terminantemente proibido, é tolerado, como Irã e Indonésia.
Bandas novas surgem a cada minuto em todos os lugares. E muitas sobreviverão por algum tempo. É claro que em outros moldes. Menores talvez que os atuais. É possível que dentro de alguns anos não existam as megabandas como Iron Maiden, Metallica e Megadeth. Mas cito duas bandas de cabeça que mesmo pertencendo ao chamado metal extremo são bastante conhecidas e realizam turnês com ginásios lotados: Amon Amarth e Arch Enemy. Talvez o Metal não encha mais estádios em alguns anos, porém o que dizer dos festivais que existem no mundo inteiro? Pensou neles. São vários: Wacken, Hellfest, Monsters of Rock e muitos outros. Todos lotados. E só com bandas de Metal, da menor e mais desconhecida até as mais conhecidas.
É como o Ozzy disse uma vez:
"Enquanto houver um garoto aborrecido e chateado com mundo, o Metal continuará existindo."
Longa vida ao Metal!
Judas Priest - A doença de Glenn Tipton
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