RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Como o Metallica contribuiu para a criação de uma das maiores bandas de metal sinfônico

A música do Kreator que homenageia a comunidade do metal

Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional

O guitarrista que mais se aproximou de Hendrix quando o assunto era blues, segundo Jeff Beck

O disco hard-prog que fez Morten Harket do A-HA escolher a música para sempre

The Warning lança música nova e anuncia detalhes de seu próximo disco de estúdio

Kerry King, do Slayer, fica furioso com motoristas que não dão seta

A música do Judas Priest que foi gravada em 20 minutos, segundo Ian Hill

Mikkey Dee conta como conheceu e passou a tocar com King Diamond

Shayan do Trivax questiona se fãs de metal vivem o que a música prega

A banda que Don Henley achava que era a grande rival dos Eagles - e ele tinha razão!

Tom Araya diz que Slayer acabaria se expusesse conflitos como o Metallica fez

A música desacreditada por gravadora que virou trilha de filme e chegou ao topo das paradas

Jeff Beck conta como era ser confundido com Mick Jagger nos anos 1960

18 lançamentos de metal em junho: BangerTV aponta os destaques do mês


Sepultura
Stamp

Em que consiste realmente o legado de um roqueiro?

Por
Postado em 31 de janeiro de 2018

Não saberia dizer quando é que comecei a me entrosar com o rock. Mas lembro que tudo começou na minha adolescência, na verdade puberdade, quando tinha dificuldade em aceitar o fundamento da autoridade em gente que me irritava. Quando comecei a pensar por conta própria.

Claro que tudo isso se deu em grande parte pelo som. Pelas guitarras, e pela pose que eu via em algumas bandas. Pelo jeito rebelde e aparentemente inconsequente. Era algo que me propunha uma mensagem de liberdade, de ausência de sentimentos piegas, e de uma certa entronização do que parecia tosco ou mesmo de mau gosto. Mulheres gostosas, posturas agressivas, ausência de justificativas para coisas que se mostravam claramente falsas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Isso foi na época da ditadura, quando os militares começavam a se desapegar do poder, e quando o poder civil começava a assomar. Lembro-me bastante bem de quando ocorreu o comício das Diretas. Tudo parecia uma espécie de prenúncio de uma liberdade que dava frisson mas também que causava um certo medo.

O rock em si parece exalar essa aura de liberdade e inconsequência. Mas também parece nos convencer de que as camadas para a sensibilidade que vale a pena são por um lado mais sutis e por outro menos afrescalhadas. O amor parece menos restrito a categorias ou pensamentos inefáveis, com o rock. Parece algo mais patente para qualquer um. E também mais escrachado.

Atualmente, várias bandas e artistas estão parando, e alguns morrendo. Quando vemos eles irem embora, pensamos no que ficou deles em nós. E muitas vezes restaram-nos apenas histórias - mas também certos exemplos. Tanto que muito do ideal do rock não está apenas no rock. Mas na história de mulheres e homens do jazz que já irradiavam esse predomínio da liberdade. Como Billie Hollyday. Ou como Bird. Ou mesmo Elvis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Mas os artistas que hoje estão parando parecem diferentes. Parecem mais toscos, em grande maioria. Ou mais complexos, como um Leonard Cohen, quase um trovador meio medieval e folclórico. Mas para quem gosta de rock esses caras todos têm algo em comum. Uma espécie de lirismo mais tosco e mais contido que nos pega pela mão.

Venho escrevendo artigos e textos mais curtos (outros mais alentados) sobre gente a mais diversa. Um deles é sobre uma banda de blues-rock brasileira, a Saco de Ratos, do Mário Bortolotto. Tenho ainda coisas escritas a rodo sobre Lou Reed. Mas pretendo também lançar algo sobre o finado Elliot Smith. E outro material sobre KT Tunstall.

Há quem questione porém meus gostos musicais de outra ordem. Como no caso do Guilherme Arantes. Ou mesmo do Elton John. Mas, venhamos e convenhamos, basta ouvir esses caras, especialmente o último, para percebermos a ligação entre todos esses sujeitos, a maioria já falecidos, aposentados ou quase. Uma questão de geração que mostrou o fim de uma era - dos ideais estabelecidos - e o começo de uma outra, da contestação. Pois todos eles, para mais ou para menos, contestam os valores que as instituições nos fazem crer que devam ser seguidos como privilégio de autoridades.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

É curioso, nesse sentido, que muitos roqueiros ou gente de cepa similar sejam religiosos - mas não sigam religiões. Que muitos sejam místicos - mas prefiram andar sozinhos. Que muitos detenham autoridade de conhecimento - mas que relutem ensinar. Que muitos até assumam o legado de instituições - mas que se comportem com rebeldia. Porque é como se todos quiséssemos, mais que seguir algo, trilhar apenas o nosso caminho.

Eu mesmo, se sou católico, e até leio trechos da Bíblia na missa de domingo, não consigo me sentir bem diante de discursos de fé que apelam a sentimentos de superstição ou desespero. Não me aproximo dos monsenhores para beijar mãos. Me afasto do centro do palco e prefiro ficar com minha fé à distância, olhando muito do que vejo com solene desconfiança. Algo que outros roqueiros preferem fazer com mais desprezo. Ou mesmo dando as costas, assumindo a irrelevância do instituído.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O Leonard Cohen ganhou o Grammy por performance de rock e sabemos que ele o merecia. Mas que no fundo não estaria muito nem aí com isso. Se ele, em vida, perdera quase tudo e se bem no fim da vida parecia ainda um trovador meio monge trapista apenas com um bom domínio das letras, seduzindo gente que sequer imaginava o que ele havia passado, o que poderia auferir de um troféu por uma indústria que no fundo apenas o tolerava? Não à toa o Bob Dylan levou tanto tempo para tolerar levar o Nobel de Literatura.

Quando eu passo num bar, sempre reconheço quem está ali bem à vontade. Quase sempre consigo trocar ali algumas frases e perceber a beleza por detrás de coisas bastante medíocres e medonhas, assim como por detrás da figura de um cachorro velho e feio prestes a passar desta para melhor. Pois é como se nós, roqueiros, estivéssemos sempre a postos para ver o imponderável. E para entender que o passo a seguir pode ser apenas o último.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Roqueiro, para falar a verdade, nunca sente saudade. Lamenta o passar do tempo, mas recorda o momento de êxtase como se ele continuasse ou como se fosse seu último. Roqueiro vive seu presente e a autoridade para ele está sempre na desconfiança. Como se fosse um Villon à espera do novo roubo. Ou um Lacenaire condenando o mundo por seu destino. E gozando de sua cara, à espera de uma zoeira ainda maior.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Eminence


publicidadeRogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.
Mais matérias de Rodrigo Contrera.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS