Quando as bandas se separam: O lado bom da vida
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 25 de novembro de 2017
Existem poucas coisas mais traumáticas para um fã de rock ou metal do que ver os membros de sua idolatrada banda se separando, de forma dramática (quase sempre) ou não.
A verdade é que a pessoa que acompanha o trabalho de um determinado artista ou conjunto muitas vezes (não necessariamente sempre) acaba criando alguns laços de identidade e de identificação com determinada formação da banda, ou com algum membro em particular. Mas... e quando a separação é inevitável? Devo chorar desesperadamente? Decretar o fim dos tempos e me entregar ao niilismo e ao álcool? Largar emprego, família e desistir de tudo? Devo me tornar um Hater da (traidora) banda que continua? Ou daquele membro que saiu?
Eis aqui alguns exemplos de bandas que passaram por separações traumáticas: Sepultura. Deep Purple. Angra. Van Halen. Metallica. Iron Maiden. Helloween. Yes... ( e um milhão de outras).
Seria esse apenas um motivo de discussões, brigas, desilusão e amargura dentro da cena metálica?
Não necessariamente.
Muita coisa boa pode surgir disso.
Acho que não apenas pode NÃO ser ruim, como pode gerar ganhos para todos, e especialmente para os fãs.
Peguemos como exemplo o caso do Angra.
Tínhamos uma única banda. Alguns integrantes saíram, e passamos a ter duas excelentes bandas: Angra e Shaman. Depois tivemos a carreira solo do Andre Matos, ao mesmo tempo em que o Angra continuava. Depois tivemos Angra com o Edu Falaschi. A separação seguinte fez surgir o Almah.
Muita coisa foi lançada devido a essa "guerra dos tronos".
O mesmo podemos dizer do Sepultura. De uma única banda, hoje temos o próprio Sepultura lançando discos de respeito (Machine Messiah é muito bom!), bem como o Soulfly e o Cavalera Conspiracy.
Não tivesse havido separações, teríamos talvez apenas o Sepultura, e muitos discos bons não teriam sido lançados.
Entendo que é exatamente isso que muitos fãs realmente gostariam que tivesse acontecido, mas a verdade é que a vida não é linear, e tampouco seria as dinâmicas dentro de uma banda.
Ritchie Blackmore fora do Purple tem seu Blackmore’s Night. O Deep Purple tem nada mais nada menos que o Steve Morse. Será que o fã realmente perdeu nessa equação?
Eu sinceramente acredito que não!
Bruce Dickinson fora do Maiden lançou verdadeiras obras primas. E... será que os discos com o Blaze Bailey eram realmente ruins (acho que tem boas músicas escondidas no X Factor e no Virtual XI)?
Muito ódio é gerado nos fãs quando essas divisões acontecem. Podemos transformar isso em um palco de guerras e virarmos viúvas amarguradas, ou podemos expandir nossos horizontes musicais.
Esse ódio gerado, as discussões entre quem apóia e quem não apóia prejudicam muito a cena do rock e do metal.Uma cena que já é estigmatizada pela grande mídia. Não precisamos de mais divisões e brigas, a verdade é essa.
Post Scriptum: Sim, eu sei que muitos vão sentir vontade de escrever: "Sim, os discos do Blaze Bailey eram de fato ruins!".
Comente: Qual a separação de banda que mais o marcou?
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