Sepultura: Mais fácil obter êxito com uma banda do zero, ou já encaminhada?
Por Tiago Shade
Postado em 22 de maio de 2017
É mais fácil obter êxito com uma banda do zero, ou já encaminhada? A melhor resposta no Brasil com certeza virá ou de um São Paulino, um Atleticano ou de um Palmeirense membros do SEPULTURA! Eles podem ter muito a ensinar a você, independente da sua idade ou de quem você seja!
Há alguns anos publiquei o seguinte texto falando sobre o SEPULTURA, e acho que você deveria ler antes de prosseguir com essa leitura pra abrir um pouco a sua mente e preencher algumas lacunas deixadas aqui por eu não ter nenhuma noção sobre como produzir um texto...
Você leu? Se não leu, feche essa janela, se poupe e me poupe! Mas se você leu, agora prossiga...
Ontem à tarde, domingo 21/05/2017, a convite do meu grande "drum brother" ELOY CASAGRANDE e do ANDREAS KISSER, peguei meu carro e subi para Los Angeles, onde aconteceria a premiere do filme do SEPULTURA, "ENDURANCE" no The Regent Theater. Cinco dias antes eu estive no show deles aqui em San Diego – Califórnia, em turnê com TESTAMENT e PRONG, onde surgiu o convite. Show MATADOR!
O filme é bem explicito e pelo que captei tenta mostrar o que muita gente não quer aceitar ou ao menos entender, que é o simples fato de que àquele ponto, MAX, manipulado por sua esposa (ou não) e seu ego, enxergava o Sepultura e seu sucesso como sendo mérito apenas seu, saiu da banda sem nem ao menos fazer questão do nome e montou o SOULFLY (que nunca chegou perto de ser um SEPULTURA), deixando então os três membros remanescentes Andreas, Paulo e Iggor, livres para continuar com o LEGADO. Fato! Aceite! Eles não tinham que seguir com outro nome!
Dando continuidade ao LEGADO DO SPULTURA (Uma banda, e não uma banda solo do Max), como pra mim, do ponto em que Max deixa a banda em diante o Iggor não conta, algo que vendo o filme vocês podem entender melhor, vou deixar ele de fora e citar apenas Andreas, Paulo e é claro, o Derrick, que a meu ver foram os únicos que nunca deixaram de acreditar.
O filme mostra como foi lidar com o Iggor até que ele decidisse sair da banda um dia antes de viajarem para iniciar a turnê, a entrada do Jean, as dificuldades encaradas por ele na estrada, meses longe de sua esposa e filho recém nascido e também o quão importante foi sua passagem pela banda. Retrata o inicio da nova era com Eloy na bateria e todo o processo até chegarmos no Sepultura único, exitoso, consolidado e promissor de hoje. Passando também, claro, pelos primórdios da banda.
Quer você queira, quer não, o Sepultura é uma banda exitosa e consolidada! Basta você analisar os diferentes repertórios da banda ao longo dos últimos anos, e constatar que os mesmos não vivem de passado. Creio que variando, os repertórios giram em torno de 50%/50%. A banda faz extensas turnês todos os anos nos quatro cantos do mundo, agradando a gregos e troianos, mas especialmente no Brasil, eu ainda vejo uma imensa resistência e um apelo absurdo, desrespeitoso e inaceitável por uma reunião com um cara que quando abre a boca pra falar do Sepultura, somente tenta denegrir a banda atual e colocar seu publico contra ela mesma. Respeito zero!
Falando em respeito, você que nunca teve uma banda e também você que tem, mas que nunca entendeu o intuito real da coisa, já parou pra pensar que uma banda para existir, ou para ser considerada exitosa, não tem necessariamente que fazer sucesso estrondoso ou muita grana?
Basta romper barreiras, quebrar paradigmas, tocar e atrair um numero significativo de pessoas, satisfazer os anseios dos membros da mesma, e é claro, chutar bundas.
Max... Andreas, Paulo e Derrick, com a ajuda de Jean e Eloy chutaram não somente a sua bunda como também a do Iggor.
Não adianta você se doer e tentar jogar parte do publico contra o Sepultura para satisfazer os seus atuais an$eio$, porque a perseverança desses caras, principalmente a de Andreas Kisser é muito mais forte que toda essa força negativa empregada por você e atualmente até mesmo por seu irmão, vide a atmosfera na qual esses caras convivem e lutam dia após dia pelo que eles acreditam. Pelo Sepultura! Assistam o filme e mudem a velha ideia formada por vocês.
Fãs de heavy metal tem uma forte tendência a se prenderem ao passado, até porque a maioria das coisas que revolucionaram o cenário mundial são das décadas de 80 e 90, o que faz com que muitas bandas tentem se repetir ao invés de arriscar se reinventar, mas o culpado maior é o publico, que não aceita o novo ou o diferente, dando as costas instantaneamente a bandas que fizerem um ou dois discos fugindo o seu gosto pessoal.
Eu cresci em Salvador-BA, uma cena altamente retrógrada e radical, onde eu constantemente ouvia asneiras proferidas pelas bocas de todo tipo de "headbanger", fossem eles caras de capacidade intelectual limitada, ou avançada, sendo muitos deles membros de bandas locais, segundo eles mesmo de renome.
Antes de seguir, eu diria que "O radicalismo emburrece o intelecto." Coisas como "O PANTERA so é metal no Cowboys from Hell!" ou "O JUDAS PRIEST acabou quando lançaram o Painkiller!", "IRON MAIDEN somente até o Killers e Helloween até o Keepers!" ainda são ouvidas por lá! Eu já tive minha fase radicalóide de cabeça fechada. Já reproduzi frases tipo "Sepultura só é bom até o Arise, salve algumas exceções!", totalmente induzido pelas cabeças alheias, ok, eu tinha meus 16 anos... Roots e Chaos A.D. são devastadores, o Arise é Thrash, o Chaos A.D. é mais PANTERA e o Roots meio KORN, vulgarmente chamado de "pula-pula".
Eu sempre amei TUDO do PANTERA, mesmo sendo chamado de "Metal 2000", mas passei muitos anos renegando muitas coisas boas da música como o Chaos A.D. Levei anos até ouvir o Roots de mente aberta e posteriormente passar a ouvir Korn (Ou Chiclete com Banana!) LOL
Não me julguem! Vocês não precisam ir tão longe! hahahahahahaha
Quanto tempo (ou carnavais de Salvador) perdido hein???
Mas dentro de mim tinha muita opinião própria entalada na garganta, e por volta de 2004 com uns 16/17 anos entrei no MYSTIFIER, e embora eu considere e respeite muito Beelzeebubth e a historia da banda, saí porque não agüentei a pressão ideológica da coisa. "Não fale tal coisa!" "Não ande com fulano!" ou " Não se vista de tal maneira!" "Não diga que você gosta de tal banda!" e por aí vai, até que eu caí fora!
Ninguém conseguia entender como um pirralho que teve a chance de entrar numa banda que tinha mais ou menos a sua idade (Como se isso fosse grande coisa) poderia sem mais nem manos sair fora, e foi aí que muita gente começou a mostrar que no metal, ou você pensa e age como a maioria, ou você não pertence a aquilo, e foi aí que eu me livrei do radicalismo e do conservadorismo do Heavy Metal. Fui morar em São Paulo, cortei o cabelo... entrei numa banda alemã e me mudei para a Alemanha, hoje moro nos EUA. Abri minha mente... Conclusão... Eu mudei, me reinventei, passei a ser o que eu quisesse ser, independente do que as pessoas quisessem que eu fosse. Passei a ser odiado por uns, amado por outros. Pessoas que antes não gostavam, passaram a gostar e vice-versa. Para mim, e não para a maioria em volta, foi uma boa mudança.
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Voltando ao que interessa...
O Sepultura se reinventou...
Poderia ter seguido o caminho óbvio escolhido vocalistas óbvios ou facilmente poderiam ter cedido a uma reunião!
O Sepultura atual não precisa de reunião com os membros originais, pois sua sonoridade tem identidade e não parece com NADA rolando por aí, e difere muito do Sepultura que estourou mundialmente nos anos 90, porem sem faltar similar qualidade e originalidade de outrora.
Isso se chama REINVENTAR-SE. Se depois de tudo isso você insistir em não entender, ASSISTA O FILME!... E se mesmo assim não ficar claro e seu sentimento não mudar... desista, você é aquela velha opinião formada sobre tudo.
Nesse caso, aquela velha opinião formada sobre o Sepultura a cerca de 20 anos atrás.
O Sepultura seguiu e você ficou preso no passado.
Fim.
(Deixo claro aqui que o texto é 100% a minha opinião e que a banda nada tem a ver com isso. Não fui chamado para cobrir o evento, nem muito menos me foi pedido que escrevesse algo. Fui convidado para apenas assistir e a iniciativa de escrever é totalmente minha vontade de expressar o que eu acho e o que eu sinto. Haters gonna hate!)
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