Celulares em Shows: Direito de quem paga ou desrespeito ao artista?
Por Rafael Testa
Postado em 27 de julho de 2016
Recentemente, Corey Taylor derrubou o celular de um fã que estava na grade durante o show do Slipknot. O rapaz mexia por longos períodos no aparelho durante a apresentação. O vocalista não deixou barato e chamou a atenção do distraído.
O mesmo Corey Taylor já havia declarado em uma entrevista anterior: "Quando as pessoas tiram uma foto ou outra no show não me incomodam. Mas quando vejo as caras deles enterradas no telefone logo na primeira fila, e eles ficam bitolados, mais interessados em filmar o show do que aproveitar, é aí que eu digo: "Preciso de quatro garrafas de água e vou fazer o melhor que eu puder para molhar e estragar seu telefone".
Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, também passou por uma situação parecida durante uma apresentação da banda em Chicago.
"O que você está escrevendo nessa coisa? O que você escreve? É a sua amante aí ou a sua mulher?! Você esteve tirando fotos do meu pau? Eu realmente achei que havia algo estranho em você... Que merda você tá fazendo? Por quê você se dá o trabalho de vir a um show? Está tuitando ou o quê? O que está fazendo?! Eu não sei, mas hey! É um país livre, então... Algumas pessoas gostariam muito de estar nesse lugar, né? Sei lá. E quanto ao restante de vocês: como estão?", disse o vocalista.
Não se trata de show de metal, mas se encaixa na situação. Gravaram uma pessoa jogando Pokémon GO durante um show da Beyoncé! Olha o nível que se chegou.
Analisando pelo ponto de vista do artista é realmente complicado. Imagine só você dando tudo de si, mostrando o seu melhor no palco e uma pessoa bem na sua frente não te dá a menor atenção. Provavelmente a maioria das pessoas que estão ali querem estar na grade mais próximo de você, mas aquela pessoa, que conseguiu estar lá, não curte o show momento algum porque está ocupado demais postando fotos no facebook, falando no whatsapp ou gravando o show inteiro.
Você sai de casa, se encontra na frente do seu ídolo e está rodeado de pessoas que amam o mesmo artista que você. Esse é o cenário perfeito para se curtir um show! Mas mesmo assim você prefere assistir tudo por uma tela, talvez para tirar onda com os amigos. "Olha só, eu fui!" Isso é tão vazio... Porque a verdadeira curtição você perdeu. Perdeu porque estava preso no celular gravando o show.
Fazendo uma comparação simples: você é um professor, se prepara a noite inteira para montar um plano de aula, chega motivado, animado e dá tudo de si para repassar o conteúdo da melhor forma possível para seus alunos. Meia dúzia de alunos ficam o tempo inteiro conversando ou distraídos com celulares. A maioria da turma está interessada, mas aquela meia dúzia desinteressada vai te incomodar, mesmo que não esteja atrapalhando o resto da turma. É normal. A reação destes músicos é totalmente compreensível também. Aquele aluno desinteressado ocupa o lugar de um aluno louco por aprendizado. O cara na grade com o celular ocupa o lugar de um fã maluco que neste momento está lá atrás no meio da galera.
"Ahhh, mas o cara pagou e ele faz o que quiser". Esse papinho dá uma preguiça. O cara ter pago então dá direito dele ser inconveniente, desrespeitar o trabalho do artista e ao mesmo tempo prejudicar outros fãs? Você está querendo curtir o show e tem um cara na sua frente o tempo todo com aquele celular na frente gravando tudo. Isso é total falta de bom senso. Saiba que todo mundo te odeia no momento que você faz isso.
"Ahhh, mas e se for uma emergência?" Sinceramente, se algo que exija a sua atenção acontecer, acho que a última coisa que você tem que fazer é ficar no show. Que dirá então ficar na grade!
Largue o celular. Curta o show! Mude essa cultura ridícula. Faça a mão chifrada, cante junto, pule, se divirta. Uma foto como essa que ilustra a matéria mata a paixão de qualquer artista.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Agora é oficial: Ozzfest volta a acontecer em 2027
Os 5 álbuns obrigatórios para se ter uma boa base na música, segundo Regis Tadeu
Por que João Gordo não é mais amigo de Max Cavalera, segundo vocalista do Ratos de Porão
Por que Roger Waters cortou Paul McCartney em "Dark Side of the Moon"?
As três músicas do AC/DC escolhidas por Brian Johnson entre as suas favoritas
Padre ouve Metallica pela primeira vez e diz que usaria música pra preparar homilias
O clássico dos Beatles que John Lennon disse que deveria ter sido dos Wings
Guitarrista do Rush, Alex Lifeson conta por que parou de fumar maconha aos 72 anos
Faith No More iguala marca de Paul McCartney, Rolling Stones e Foo Fighters
Sid Wilson faz primeira manifestação sobre saída do Slipknot
Troy Sanders comenta participação de Geezer Butler no novo álbum do Mastodon
Os 11 melhores álbuns do glam rock setentista, segundo a Loudwire
Abbath encerra show após meia música em festival finlandês
O clássico do Queen em que Freddie Mercury alcançou a nota mais alta de sua carreira
A banda dos anos setenta que Neil Peart nunca se cansou de ouvir; "músicos muito competentes"
Guns N' Roses: a verdadeira história de "Rocket Queen"
O guitarrista que recusou tocar em um dos grandes álbuns do rock Brasil dos anos 80
Cinco álbuns dos anos 2000 que todo headbanger deveria ouvir ao menos uma vez



O heavy metal continua proporcionando momentos inesquecíveis
A difícil arte de escolher os melhores discos de Heavy Metal
Por que o heavy metal segue relevante após mais de cinco décadas?
As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Cuzões em shows: como músicos devem lidar com essa raça maldita
Iron Maiden: Eddie, um símbolo do rock vilipendiado por idiotas



