Músicos e bandas: vocês sabem mesmo quanto cobrar por um show?
Por Fernando Moraes
Postado em 12 de junho de 2015
Outro dia, amigos de uma banda anunciaram tristemente que, sem qualquer motivo justificável, a apresentação que fariam e que já tinha mobilizado todos na divulgação havia sido cancelada pelo dono do bar. Além do óbvio desânimo ao saber de mais um episódio entre tantos parecidos de falta de respeito, o fato também despertou outro ponto que é pertinente discutir: o quanto vale o seu show.
A apresentação em questão seria paga e a banda é o Heart Beatles, que dia-a-dia vem fazendo versões cada vez mais interessantes dos fabfour. Obviamente não é uma banda autoral e, se um conjunto tributo passa por isso, imagine só o que acontece com bandas que se aventuram em mostrar seu próprio som hoje em dia. O buraco é muito mais embaixo.
Se o show deve ser pago e quanto vale envolve vários aspectos. Por muito tempo, aqueles que não tinham o registro da Ordem dos Músicos foram até desprezados e hoje a coisa mudou muito. Muitos estabelecimentos dão valor excessivo a quem não tem a ‘carteirinha’ (e não tem talento, muitas vezes) e não dão qualquer espaço ao músico profissional, que estudou anos e se submeteu a um teste para obter uma credencial tão valiosa e respeitável. Não é justo.
Mas não estamos falando de justiça. Talvez no mundo ideal, João Carlos Martins – que provavelmente muitos nunca ouviram falar - fosse "O Rei" e não o Roberto Carlos. Estamos falando de cultura pop e capitalismo, que de justo têm muito pouca coisa ou nada.
O preço de cada artista – se assim podemos chamar -, infelizmente, não é medido pelo seu talento, mas sim pelo retorno que pode dar. Hoje, funk carioca e sertanejo universitário vendem, Rock não. Que banda você vê tocando em rádio e fazendo show, a não ser a Malta (sem entrar na discussão se é Rock ou não), que foi massificada?
Por outro lado, já tive no show do meu amigo André Gordo em um palco comum, com muitas pessoas, enquanto em outro maior se apresentava no mesmo horário uma cantora sertaneja, com meia dúzia de gatos pingados, todos com sono. Dois meses depois, a música dela estourava na novela e hoje todo mundo sabe quem é Paula Fernandes, cujos shows sempre lotam. É triste, mas real. Com exceção dos donos de bares que têm a novidade como foco e atrai público alternativo, a maioria aposta no que é resultado certo. E investe alto por isso.
Imagino que a resposta à questão inicial seja: o show da sua banda vale o quanto você investe nela. Então, amigo, se você tem uma banda autoral e pensa em um dia cobrar por isso, trate de encontrar caminhos para ser mais conhecido, fortalecer sua marca, criar um público que o acompanhe, fazer o melhor em cima do palco, investir em equipamentos, estudar mais e errar menos, fazer algo criativo que sensibilize as pessoas de alguma maneira, ser correto com aqueles que estão com você. Sua apresentação não pode valer apenas pão e cerveja, mas também ninguém dará nada além disso se você não investir pesado em seu trabalho e não se mostrar como alguém que merece o devido respeito.
Concorda? Discorda? Quer contribuir em algo?
Siga-me no twitter: @fermoraes ou escreva para [email protected]
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O baterista que é um "músico bom em banda ruim", segundo Regis Tadeu
"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
A maior banda de rock de todos os tempos, segundo Mick Fleetwood
Vocalista do Amaranthe e ex-cantoras do Arch Enemy e Delain sobem ao palco com o Epica
O guitarrista brasileiro que ouviu a real de produtor: "Seu timbre e sua mão não são bons"
Mille Petrozza (Kreator) admite que ficaria entediado se fizesse um álbum 100% thrash metal
"Não tivemos escolha", diz guitarrista sobre suspensão de planos do Twisted Sister
Como Ringo Starr, Isaac Azimov e Lúcifer inspiraram um dos maiores solos de bateria do rock
Os cinco discos favoritos de Tom Morello, do Rage Against The Machine
A música que deixou Ritchie Blackmore sem reação em 1970; "um som grande, pesado"
Bono elege o que o heavy metal produz de pior, mas admite; "pode haver exceções"
Clássico do My Chemical Romance supera 1 bilhão de plays no Spotify
Como Angela Gossow se juntou ao Arch Enemy, de acordo com Michael Amott
O álbum "esquecido" do Black Sabbath que merecia mais crédito, segundo Tony Iommi
Eluveitie e Twisted Sister pediram para se apresentar no Bangers Open Air 2027
Como é o típico fã do Metallica, segundo James Hetfield
Ratos de Porão: O elogio de João Gordo aos garotos do Restart
Os 10 melhores discos do rock dos anos 70, segundo o RYM


Será que todo fã é um idiota? Quando a crítica ignora quem sustenta a música
Desmistificando algumas "verdades absolutas" sobre o Dream Theater - que não são tão verdadeiras
A farsa da falta de público: por que a indústria musical insiste em abandonar o Nordeste
A nostalgia está à venda… mas quem está comprando? Muita gente, ao menos no Brasil
Afinal o rock morreu?
Será mesmo que Max Cavalera está "patinando no Roots"?
Lojas de Discos: a desgraça e o calvário de se trabalhar em uma
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda



