Kiko Loureiro: novo guitarrista do Megadeth. E o Brasil com isso?

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Por Roberto Muñoz, Fonte: megadeth.com
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Trinta anos depois, a galera roqueira que curte heavy metal desde o seu nascedouro, nos anos 80, pode festejar em altos brados: “A vitória tarda, mas naão falha!” Como assim? Só quem foi fã de heavy metal nesta década no Brasil sabe o quanto a mídia local denegriu o gênero musical. Mídia que inventou até um nome para rotular os adeptos do rock pesado: “metaleiro”...

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Eu me lembro, eu fui no primeiro Rock in Rio, eu via as pessoas nos olhando com cara de deboche, sarcásticos, isto quando não eram agressivos. Eu me lembro das incontáveis vezes que a polícia via um cabeludo na rua e já botava na parede. Hoje, isto pode parecer estranho, já que está tudo massificado, tempo onde basta usar uma guitarra e ter mil tatuagens que a banda é considerada “rock”. Mas na época, anos 80, tinha que ser muito macho pra ser roqueiro.

O primeiro Rock in Rio teve a nata do heavy mundial – claro, faltou o DEF LEPPARD, mas o WHITESNAKE deu conta do recado. Por outro lado, cabe a dúvida: como um festival de Rock tem como atração alguém que participou da passeata contra a guitarra elétrica nos anos 60 como o sr GILBERTO GIL? Vergonhoso assistir o sr HERBERT VIANNA ridicularizar no palco, ou em entrevistas, o heavy metal e os seus fãs. Assombroso assistir na TV os repórteres da Rede Globo visitando a casa de um “metaleiro” para o público ver como era. Ou seja, nos transformaram em ETs de cabelos compridos. A imprensa daqui, com pouquíssimo conhecimento de causa, alertava o público para as loucuras demoníacas de OZZY OSBOURNE, do IRON MAIDEN. A gente assistia aquilo e não acreditava.

Na verdade, o heavy metal foi o grande diferencial dos anos 80 no mundo. Isso era novo! Isso era radical! E no Brasil, o pessoal da área estava ligado, e tentava fazer a sua parte, apesar das enormes dificuldades. Existiam várias bandas competentes – OVERDOSE, AZUL LIMÃO, DORSAL ATLÂNTICA, TAURUS, ASTAROTH, VALHALA, ZONA ABISSAL, entre muitas outras. Não, o SEPULTURA não era a cereja do bolo, afinal, MOTORHEAD e SLAYER já tinham elevado ao máximo tal possibilidade no estilo. Mas a juventude brasileira não quis saber da legítima virilidade musical do heavy metal, e preferiu a BLITZ e o estilo de vida “Menino do Rio”, filme nativo de 1981. Aí ficaram enfraquecidas todas as possibilidades do heavy ter espaço no cenário brasileiro. Espaço, vale lembrar, sempre aberto para o samba, entretanto, quase nunca para o blues, para citar outro tipo de música absurdamente deixada de lado nos trópicos.

A vitória de Kiko Loureiro é a vitória de toda uma geração, roqueira, fiel às bandas preferidas, e que dava o sangue para existir de maneira honrada, mesmo que para isso tivesse que ficar na clandestinidade. Após o cinismo dos anos 90, onde OASIS, U2 e RED HOT CHILI PEPPERS eram consideradas bandas de rock e quando o METALLICA mostrou-se um equívoco, nos defrontamos no novo século com a desintegração do rock, fato escancarado com maestria no último Festival Lollapalooza ocorrido no final do mês passado no Brasil. Mas a galera heavy nada tem a com este tipo de coisas. Long Live Heavy Metal!

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Sobre Roberto Muñoz

Roberto Muñoz é escritor, 49, gaúcho de Porto Alegre. Pós-graduado em Cinema/ PUC-RS, integrou a equipe de direção do curta-metragem “A Vida do Outro”, 1997, realizado pelos alunos do curso, filme premiado com Candango de melhor roteiro, 16 mm/ Festival de Brasília-1997 e com Kikito de melhor atriz, 16 mm/ Festival de Gramado-1998. Com três obras ainda inéditas sobre metafísica, poética e outros assuntos existenciais, o autor já tem artigos publicados no Jornal do Brasil, Correio do Povo e Zero Hora.

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