Cover, tributo e autoral: há espaço para todo mundo?
Por Fernando Moraes
Postado em 30 de março de 2015
Bandas tributo ou covers, ainda mais quando têm qualidade, merecem respeito. Tenho grandes amigos, cujo trabalho admiro, que se dedicam a tocar somente composições já consagradas e até participo, vez ou outra, de grupos que tocam clássicos. Mas batalho por mais espaço para a nova cena do Rock e, consequentemente, para a minha banda, a Rota Ventura, por isso escrevo para juntar mais pessoas nesta causa.
Para mim, é óbvio que o espaço que se dá a covers e tributos é por uma questão mercadológica. As casas contratam bandas deste gênero porque atraem maior público e assim entra mais grana no caixa. E muitos músicos se propõem a fazer covers, pois ganham dinheiro para sustentar suas famílias com isso.
E é assim porque quem frequenta estas casas não quer saber de novidade, mas o que já é acostumado a ouvir. Eles têm este direito e não há nenhum demérito nisso.
Por outro lado, já participei de vários festivais com artistas autorais cujo público era formado por integrantes das outras bandas que iriam participar. Mas não dá pra dizer que falta espaço para tocar, pois há muitos eventos em vários lugares do país – ainda que a maioria sem cachê ou duvidosos, diga-se. Como destaquei em outros artigos, vários grupos têm botado fermento na cena, que só cresce. E numa dessas duas ou mais bandas estouram.
Mas não é preciso criar uma guerra entre covers, tributos e autorais, como às vezes vejo. Acredito que haja espaço para todo mundo. O fato de haver uma seção no Whiplash.net sobre bandas autorais é um indício de que estamos no caminho. Infelizmente, talvez o que não haja ainda seja público para todos. Por isso nós, músicos autorais, temos que batalhar por nós mesmos, sempre com respeito ao digno trabalho dos outros.
Mas esta é minha visão. E você, sabe dizer se realmente há espaço para todo mundo?
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