Nightwish: o que esperar do próximo álbum?

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Por Gustavo Maiato
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O Nightwish está trabalhando na mixagem do seu oitavo álbum de estúdio e com a proximidade do lançamento, aumenta a expectativa dos fãs sobre o que Tuomas Holopainen e companhia irão apresentar. A banda está acostumada a mudanças. Não só de vocalistas, mas de sonoridade em geral. Começou como um projeto de música acústica, foram introduzidas guitarras, a forte influência do power metal da escola Stratovarius, o uso de uma voz masculina, o crescente uso de orquestras e por aí vai. Sendo assim, o que esperar do novo álbum?

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Floor Jansen

Para o próximo disco, já temos algumas pistas do que pode vir por aí. Primeiro é preciso entender o contexto da vez, fazendo uma análise do presente da banda. A principal mudança com certeza foi a contratação da holandesa Floor Jansen (Ex- After Forever, Revamp) para os vocais. A estreia de Floor vai ser diferente da estreia de sua antecessora Anette Olzon, pois Tuomas dessa vez escreveu o álbum conhecendo a voz, timbre e técnica da vocalista. Diferentemente do Dark Passion Play, que as músicas tiveram que ser “engolidas” por Anette. Esse fato aliado a excelente técnica de Floor, nos fazem esperar uma atuação impecável da holandesa. Resta saber se Tuomas insistirá no veto ao lírico.

Tudo leva a crer que o lírico estará mais presente, já que houve declarações de um tímido “back to the roots” (que está na moda no metal, vide Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy) e também por que Floor vai impor seu jeito de cantar, que é mais voltado para o lírico. Ela não faz o perfil de que vai acatar todos os comandos do alto escalão da banda.

Troy Donockley

O multi-instrumentista inglês que vinha acompanhando a banda desde o Dark Passion Play foi efetivado a membro oficial. Sendo assim, com certeza o uso dos pipes e diversos tipos de flauta vão marcar o próximo álbum. É provável que ouçamos passagens onde as flautas sejam protagonistas e é muito provável que haja solos de Troy, dividindo os holofotes com o ultimamente apagado guitarrista Emppu Vuorinen.

Troy foi bastante utilizado no último álbum Imaginaerum e a tendência é que seu papel seja mais forte ainda, principalmente se Emppu continuar a ser menos explorado. Sua entrada na banda também pode levar a mudanças no set ao vivo da banda. Como membro permanente ele deve permanecer no palco 100% do show, levando ao uso de músicas com flauta como várias dos três primeiros álbuns da banda. Além do rearranjo de músicas como Nemo e Amaranth que podem ganhar nova roupagem.

Alternância de Sonoridade

O Nightwish nunca gostou de manter por muito tempo uma sonoridade. A marca da banda sempre foi mudar. Se para melhor ou não, há discordâncias. O primeiro álbum Angels Fall First é muito cru, sem a pompa das orquestras e com a voz de Tarja praticamente soberana. Emppu tinha espaço para solos e riffs e o teclado se restringia aos strings e pianos. Uma grande mudança veio com os subsequentes Oceanborn e Wishmaster que bebem de uma mesma fonte criativa: o power metal. Já com o Century Child, outra mudança grande veio com a entrada de Marco Hietala na banda e o uso de canto masculino em duetos com Tarja. No Once o peso foi destaque e as orquestras ganharam papel de relevância. Depois da saída da Tarja, veio o Dark Passion Play, com vocais mais pop de Anette e o uso muito forte da orquestra que foi continuado no Imaginaerum. Este impôs também um clima teatral e circense, com músicas realmente bem trabalhadas.

Olhando para esse contexto, é visível que a hora de mais uma mudança chegou. As orquestras como figura central nas composições estão à beira da saturação e muitos fãs estão órfãos do canto lírico e das guitarras do Emppu. O próximo álbum vai ter orquestra, mas acredito que seu papel volte aos moldes do Once, onde ela era um elemento assim como os outros.

Kai Hatho

Com a saída inesperada por motivos de saúde do baterista Jukka Nevalainen, Kai Hatho (Swallow the Sun, Wintersun) foi chamado para substituir. Kai sempre foi o mentor de Jukka e ele está muito acostumado com o Nightwish. Tem como escola o death metal melódico finlandês. Não acho que vai acontecer o que aconteceu com o Epica, quando a troca de bateristas introduziu uma parcela death grande à música da banda. Tuomas tem pulso firme e Kai aparentemente não vai mudar muito o que já vinha sendo praticado. Mas é claro que toda mudança de membro já muda algum aspecto nas músicas. É a primeira mudança de um membro do Nightwish que não seja a vocalista desde 2001.

Papel do Emppu

Se por um lado as orquestras vieram ganhando importância desde o Century Child, por outro o carismático guitarrista Emppu vem perdendo a força que tinha. O Nightwish nunca focou nas guitarras exclusivamente, isso é certo. Mas ultimamente Emppu vem apenas assistindo a banda. Ele possui uma técnica muito boa, marcada pelo uso de tappings e ligados. No Imaginaerum ele teve no máximo dois ou três solos e seu papel resumiu-se em marcar com power chords a harmonia da música. Os ventos da mudança podem acabar com isso. Com a entrada de Troy é provável que as músicas possuam mais solos e aí Emppu entra, dividindo os solos com o flautista. Além disso, um possível back to the roots traria um estilo power metal que se perdeu nos anos e a esperança é que riffs como o de Crownless (Wishmaster) possam reverberar pelo álbum.

Uso de três vocalistas

Essa mudança é interessante. Com as declarações de que Troy vai cantar também, resta saber qual será o nível de participação do inglês nesse quesito. Não acredito que ele vá dividir os vocais no mesmo nível que Floor e Marco, mas deve pontuar participações. Sua voz é bem simples e sinceramente não vejo como ele pode acrescentar algo cantando, mas ele pode surpreender.

Esses são os principais quesitos para prever o próximo álbum. É claro que outras coisas contam, como o ambiente bom da banda. O polêmico biólogo africano Richard Dawkins vai narrar alguma coisa (uma nova A Return to the Sea?). O uso de elementos tribais também foi confirmado. Então o que esperar do novo álbum? Espero ver um disco com menos orquestras, uma tímida volta ao lírico, com guitarras mais pesadas e solos. Um pouco de folk e a poesia sentimental de Tuomas. Espero ver o Nightwish sendo Nightwish, com mudanças bem conduzidas e sempre com composições interessantes. Agora só nos resta esperar as próximas notícias e singles para confirmar ou não essas expectativas.

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Post de 10 de novembro de 2014


Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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