Underground: a gênese da verdadeira arte
Por L. Guerra
Fonte: Turistas Lunáticos
Postado em 06 de setembro de 2013
Então recentemente sentenciou o ANDRÉ MATOS: "Eu acho que o talento real nasce no Underground e aí vai eventualmente ter acesso aos grandes meios de comunicação ou não, mas eu acredito que o único berçário de grandes talentos é o movimento Underground(...)".
Para quem não sabe, o Universo Underground vai muito além do Rock: é um ambiente cultural que também abrange Artes Plásticas, Literatura, Cinematografia (curta ou longa-metragem), e quaisquer movimentos culturais sem apelo popular.
Apesar de parecer radical a afirmação deste Gênio Musical, ele está certo. Certíssimo.
Os reais talentos nascem no Underground e eventualmente podem atingir o Mainstream. - Quando atingem o Mainstream, os artistas não deixam de ser talentosos; podem perder em qualidade, podem se trair em questão estética, mas ainda serão notáveis traços de suas particularidades.
E aqueles que começam o trabalho de imediato no plano Mainstream geralmente tem intenção de fazer girar um capital, para isso se submetem à necessidade de atingir um número grande de pessoas.
As expressões artísticas Mainstream precisam ser estruturalmente muito parecidas: são feitas pela chamada Reprodutibilidade Técnica. Foram desenvolvidos recursos técnicos para multiplicar aquilo que é considerado o traço mais marcante de certas formas de arte.
Essa tentativa de fazer as artes ficarem mais próximas, mais tangíveis, mais compreensíveis, mais democráticas acabou por superar, banalizar o caráter único de todas elas.
Segundo Nietzsche, "Onde as massas tem o poder de decidir, a autenticidade se torna supérflua, nociva e prejudicial". O entretenimento distanciou a arte do cidadão comum, tornando assustador o relativismo estético em nossa cultura.
Portanto para absorver a Arte pura, original, genuína, é necessário cultivo: o ser humano cujo espírito é educado pelas artes, possui o Juízo de Gosto Adequado, gosto apurado, sendo ele capaz de compreender que a Arte, seja de qual forma for, está além da utilidade e do entretenimento.
A verdadeira Arte geralmente choca, perturba, faz tropeçarem os sentidos e consequentemente causa o arrebatamento, pois ela não transmite aquilo que se espera. A verdadeira Arte não se faz valer por símbolos estabelecidos, e sim pela subjetividade de quem a manifesta, que por sua vez encontra uma técnica.
Theodor W. Adorno, Filósofo, Sociólogo, Musicólogo e Compositor alemão, toca nesse ponto em sua obra Teoria Estética: "A Arte deve mostrar a condição humana perante a vida: mostrar o humano em todas as suas possibilidades, inclusive na esfera trágica e horrorosa(...)".
É necessário livrar-se dos dogmatismos e relativismos para que seja possível produzir e absorver a Arte, para que seja possível formular conclusões racionais ou no mínimo adequadas sobre a mensagem que ela quer transmitir, seja lá qual for a sua linguagem.
Mais uma vez se faz necessário citar Nietzsche: "Quanto mais superior é uma coisa em seu gênero, tanto mais raramente ela é bem sucedida".
Por essa sublime razão, o Movimento Underground é indiscutivelmente o "berçário de grandes talentos".
Não faz sentido desconfiar de quem atribui ao Underground a Gênese da Nobreza Artística. Neste ambiente nascem artistas que propõem sumariamente uma visceral afirmação da Vida.
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