Faroeste Caboclo: "tem animações no YouTube melhores"

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Por Jonimar Marques Policarpo, Fonte: Cezine
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Como grande fã da Legião Urbana, conhecedor de todas as músicas e diversas histórias sobre a vida pessoal de Renato Russo tenho plena convicção que ele não aprovaria este filme. Neste momento, a maioria dos verdadeiros fãs com certeza já assistiram. Eu compartilho da frustração de todos vocês.

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Pré-produção

A primeira grande falha na produção do filme foi soltar um vídeo onde todos os envolvidos na produção eram obrigados a cantar um pedaço da letra. Vídeo insuportável pois ver uma fábula de 9 minutos e 3 segundos ser ridicularizada na boca de pessoas que pela primeira vez escutaram a música e acham ela "Legalzinha", com sorrisos na cara, é realmente decepcionante, faltou interpretação de texto. Não sentiram realmente o peso que a letra trás.

A segunda grande falha é o elenco. Somente Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo) convence. Mesmo com o péssimo roteiro de Paulo Lins, senti que ali poderia estar um verdadeiro João de Santo Cristo.

Faroeste Caboclo é uma das músicas que Renato Russo cantava quando ainda se intitulava "O Trovador Solitário", época posterior a do Aborto Elétrico. Então para tocar em algo tão precioso para a história do maior poeta do Rock Nacional teria que ter muito mais cuidado.

"Ah, mas é Cinema Nacional, temos que dar valor ao cinema nacional", Dizem alguns. É engraçado que estes querem que o cinema nacional seja respeitado mesmo quando ele não te respeita.

O Cinema Nacional já sai pago. Ele não precisa te conquistar para se pagar. Aquele monte de propaganda inicial, incentivos governamentais, já compensaram os gastos do filme. O projeto já foi aprovado pelo governo, os bolsos estão cheios de dinheiro, agora o diretor vai fazer o filme para a vó dele assistir, para a família dele achar legal. Ele não está nem aí com você. Não neste e nem em muitos outros filmes nacionais.

Temos ótimos filmes nacionais também, dos quais posso citar de cabeça: "Dois Coelhos", "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e outros poucos. O Roteirista Paulo Lins escreveu o Livro "Cidade de Deus" que foi adaptado para o cinema, provando que como Roteirista ele é um ótimo escritor.

Quem assistiu ao filme vai lembrar do que vou comentar a seguir, quem não assistiu não está perdendo nada. Se eu soubesse que o filme era uma bomba, em vez de gastar meu suado dinheiro em um filme que não representa nada, por curiosidade eu baixaria da internet.

O Roteiro do filme simplesmente ignora o fato que "Na escola até o professor com ele aprendeu" nos apresentando um João de Santo Cristo "Analfabeto". Sério que vocês tiveram essa moral? Só para tipificar o negro pobre sem cultura e sem estudo criado aos milhares por essa política suja e corrupta de todo canto do Brasil? Vocês perderam a oportunidade de mostrar que o negro de Faroeste Caboclo era um cara que passou dificuldade, mas, mesmo assim, conseguiu estudar, se não como ele "de tanto brincar de médico aos 12 era professor"?

O Filme induz que "Santo Cristo" é uma terra fictícia, mas o município de Santo Cristo existe, fica no Rio Grande do Sul. Não vi nenhuma referência a sua localidade.

O Santo Cristo do filminho não frequentou igreja, nem "para roubar o dinheiro que as velhinhas colocavam na caixinha do altar". Não "Queria sair para ver o mar", também não me lembro dele vendo televisão. Santo Cristo não passava o "pente" em todas as "menininhas da cidade", era só um solitário amarrado pela Maria Lúcia.

Santo Cristo nem pisou os pés em "Salvador", o "Boiadeiro" na letra que estava "precisando visitar a minha filha", foi substituído por um Senador, só para aumentar o conflito de classes. João não frequentou a "Zona da cidade" gastando "todo seu dinheiro de rapaz trabalhador".

Não conheceu por acaso o peruano chamado "Pablo", "neto bastardo do seu bisavô". No filme, João vai direto para Brasília procurando Pablo. Aquele João revolucionário que queria "falar com o Presidente para ajudar toda essa gente que só faz sofrer" não existe.

Santo Cristo não era interessado por política como subintendemos na letra, não ouvia "A Voz do Brasil" "às 7 horas o noticiário que sempre dizia que o Seu Ministro ia ajudar", nem começou a traficar por não querer mais saber de "conversa" de político.

Santo Cristo do filminho não "ficou rico" e nem acabou com "todos os traficantes dali". Perderam a oportunidade de fazer uma guerra quase "Soprana", apagando vários traficantes. Colocando somente Jeremias e Pablo como os únicos traficantes da área. Com Maria Lúcia, uma disputa com motivos pré-adolescentes.

Comeram o cu de João de Santo Cristo no mato! Sério cara? Que motivos tem 3 caras no mato para comer o cu de um cara que está sendo espancado?

Na cadeia até da pra entender, a falta de mulheres por longos períodos causa desespero, é viável. Mas querem nos fazer crer que, aleatoriamente, 1 dos 2 caras, sem comportamento homossexual aparente, ao ouvir o chefe "Jeremias" falar "Quem quer comer o cu do negão hein?" de repente ficou excitado e caiu de pau em cima do João? Para com isso cara! não precisava, ele ia chegar na cadeia ainda, tudo deveria ser tratado ao seu tempo.

João nem "começou a roubar" nem balinha "sob uma má influencia dos boyzinhos da cidade". Não viu nenhum terror no reformatório que o deixou questionando "como a vida funcionava". Ninguém foi na porta de Santo Cristo, sabendo de sua fama de matador, oferecendo uma grana para ele colocar "bomba em banca de Jornal nem em Colégio de criança", nem este "Senhor de alta classe" o jurou de morte proferindo: "Você perdeu a sua vida meu irmão".

Santo Cristo "não foi trabalhar" mas não "Se embebedou", apenas ficou "morgando" em casa e ninguém apareceu para ficar "trabalhando em seu lugar".

Jeremias não "apareceu por lá", não "ficou sabendo dos planos de Santo Cristo" e nem "decidiu que com João ele ia acabar". Jeremias do filminho é um Playboy local que estudou com Maria Lúcia e sempre foi rejeitado por ela. O "Bad Guy" da música que "desvirginava mocinhas inocentes" e "se dizia que era crente", no filme virou um mimadão sem esboço nenhum de religião nem para se dizer.

O Duelo

O João Analfabeto do filminho mandou um dos capangas de Jeremias escrever com pó (Cocaína), espalhada pela mesa de centro, o endereço do duelo. Quando o Jeremias do filminho vê aquele desperdício de pó derramado fica louco e sai cheirando tudo. Claro! Muito lógico, todos os traficantes são os maiores consumidores das drogas, isto faz eles terem superpoderes como a capacidade de cheirar uma mesa de cocaína e não ter uma "Overdose", perfeitamente normal, quanto mais se cheira mais resistente a pessoa fica.... tá bom.

Após ter cheirado quilos, Jeremias sai com a roupa estilo padeiro (cheia de farinha), dirigindo em alta velocidade, drogadão, sem provocar nenhum acidente, ou seja, bebida em excesso e direção não combina, mas droga tudo bem né. Ao chegar no local a grande surpresa: Ninguém!

Ninguém assistindo, o Duelo não foi anunciado na televisão, o povo não apareceu, nenhuma câmera, muito menos o famoso "Sorveteiro". Jeremias não acertou Santo Cristo pelas costas, claro, na música fala "Um homem que atirava pelas costas", mas a continuação "e acertou o Santo Cristo" nos mostra que o tiro da música foi pelas costas, seria muito estranho um homem que "atirava pelas costas" de repente começar a atirar pela frente. Ao acertar o tiro Jeremias não sorriu! Sério, metade da minha esperança neste filme estava ali, no sorriso que não aconteceu. Não teve a poderosa intimação de Santo Cristo à Jeremias: "Olha para cá Filho da puta". Nem vale o take da morte de Jeremias. Péssima atuação.

A fotografia do filme tem poucos pontos altos, perde várias oportunidades ao não deixar o espectador "bestificado com a cidade" de Brasília, simbolizando as luzes de natal com um mísero cordão luminoso. Algumas cenas como a da Maria Lúcia saindo da Delegacia envolta em uma claridade imensa, as tomadas aéreas dos mortos no duelo no campo de futebol e a primeira cena de sexo entre Santo Cristo e Maria Lúcia, com exceção do close na bunda no Santo Cristo (não precisava), o pó espalhado pela mesa com o endereço do duelo rabiscado são os únicos pontos fotográficos fortes do filminho.

A Sonoplastia do filme também deixou a desejar, foi o filme que mais "ouvi pipoca" na minha vida, se não me engano 20% deste filminho é silêncio. Senti como se estivesse assistindo a um filme banal da "Sessão da Tarde", coisa que já não faço a longos anos.

No geral o filme sofre com grandes perdas de oportunidade. Por exemplo:

O Policial sem querer se ajoelhar para o negro Santo Cristo poderia ter levado um tiro no Joelho, que faria se ajoelhar, antes de ser executado.

O capanga do Jeremias que escreveu o endereço no pó poderia ter sido obrigado, com arma na cabeça, a cheirar até morrer, mas não: Tiro no joelho, escreve ai, Tchau!

A noite da lagoa poderia mostrar as estrelas e traçar um diálogo de Santo Cristo com Maria Lúcia mostrando que João se ligava em signo e sabia que era um "Peixes de Ascendente Escorpião", para justificar a música.

Um sorveteiro empurrando seu carrinho de picolé poderia ter passado pelo local do duelo.

Mas agora tudo é desculpa para falar: "É licença poética" e terminar em futebol, claro! "Em se tratando de Brasília" tudo tinha que terminar ou em pizza ou então em um campo de futebol, esporte sedativo da nação.

Era para ser bom, Paulo Lins é um cara promissor, mas tem aquela velha história que falam, para algo sair na mídia aqui no Brasil você tem que acatar sugestões de pessoas que não entendem nada só para agradar e evitar dificuldades.

Como fã da Legião Urbana não senti a menor vontade de "ter" o filme, não comprarei DVD, Blu-Ray, não verei reprises e meus futuros filhos não verão por indicação. É apenas uma onda que, como bandas fabricadas pela mídia, vai passar e cairá no esquecimento. Quer "ver" Faroeste Caboclo? Tem animações no YouTube melhores que este filminho.

Filminho de merda de René Sampaio. Olha para cá filho da puta, sem-vergonha, dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão.

Por: Joni
Roqueiro, Legionário
Fundador do Site de Rock CEzine.com.br
CEO Treedbox




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