PipocaTV: 10 motivos para Mtv Brasil ir para o espaço

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Por Daniel Junior, Fonte: PipocaTV
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Canal de música vem se despedindo do público através de uma série de decisões equivocadas. Veja nossa lista.

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Volta e meia depois de uma queda vertiginosa no quesito “qualidade” lemos que a Mtv Brasil está se despedindo da TV. Começa o ano e ela volta, capenga, com novas programações e velhas propostas, como o retorno de Hermes e Renato à programação da emissora. Estes dias não foram muito diferentes dos últimos meses. A jornalista Keila Jimenez da coluna Outro Canal da Folha de São Paulo, disse entre outras coisas, que a atual detentora do naming righting do canal no Brasil, a editora Abril, pensa em devolver o nome à VIACOM, responsável pela comercialização dos direitos da emissora musical. Ainda segundo a colunista, a editora estuda algumas possibilidades, uma delas seria manter a proposta humorística – nicho escolhido pela emissora faz um tempo – ou fazer dela um canal de documentários musicais e clipes.

Escolhi 10 motivos que estão levando o canal – que já foi referência no Brasil – ao seu sepultamento definitivo. Atualmente vive com ajuda de aparelhos.

10 – Por que um canal chamado “Music Television” resolveu investir em comédia? Nada contra os humoristas revelados lá (caso de Marcelo Adnet) mas a proposta inicial era ser de vanguarda, trazendo as novidades da música no mundo inteiro, com matérias especiais, shows, documentários, videoclipes e programas que se relacionavam com música.

09 – Outro nicho explorado pela Mtv Brasil foi querer fazer programas da linha comportamental. Se o canal realmente achava que este tipo de show era realmente relevante para alcançar melhores números por que não manteve alguns deles? Na verdade mantinha alguns por duas ou três temporadas, reformulava-o, quando não fazia o mesmo programa com um nome diferente e com um novo VJ. Quando se cria uma tradição, se cria respeito e público cativo.

08 – Nada contra outros estilos musicais mas a Mtv Brasil que era essencialmente “a” emissora do rock pop abriu para outras vertentes. Deixou de ter um público fiel. Quando lançou o acústico do Art Popular em 2000, abriu demais a porteira. Isso não tem nada a ver com a qualidade da audiência mas saber trabalhar sua linguagem, sua estética. Mesmo em um mundo cada vez mais democrático musicalmente, porque ela não partiu então para o famoso sertanejo universitário? Se tinha pudores, por que ser tão eclética?

07 – O formato “acústico” era uma atração vencedora. Fazer releitura de clássicos, apresentar bandas com versões inusitadas de suas músicas, lados b, convidados especiais, sempre deu certo. Titãs e Capital Inicial que o digam. Suas carreiras foram alavancadas a partir de suas parcerias com o canal. Deixou de lado o formato e abandonou um pouquinho a música.

06 – Por que diabos deixou de fazer uma saudável rotatividade entre os VJs? Aturar Ellen Jabour fazendo papel de antenada é um tiro no pé. Uma simpatia forjada, uma alegria superficial e sobretudo uma total ausência de domínio sobre o que discursava. Os piores VJs da Mtv não chegaram aos pés da falta de competência da moça para dominar sobre o que apresentava. Talvez seja por isso que entregar um programa que “não tinha nada a ver com música” para modelo tenha cabido melhor em seu perfil.

05 – Justin Bieber, Selena Gomez, Britney Spears, Demi Lovato, Kate Perry, Lady Gaga. De repente o canal “pertencia” tão somente a estes artistas. Não estamos falando de uma questão de gosto musical. Estamos discursando sobre monopolização de subject. Você poderia trocar de canal em horas distintas, programas musicais diferentes mas o assunto parecia permear o inconsciente coletivo. Se um dia a Mtv até pagou de alternativa apresentado ao espectador artistas mais desconhecidos (como nos programas do Fábio Massari), de uns tempos pra cá resolveu massificar aquilo que já se encontrava em qualquer lugar no mundo do entretenimento. Patético.

04 – O VMB passou a ser o significado mais amplo de vergonha alheia. Nem Adnet, nem Calabresa, nem Tata Werneck, nem o Charlie Chaplin (se tivesse vivo e fosse burro) conseguiam fazer da premiação algo interessante e que fizesse o público em casa ficar entretido com as atrações inusitadas. Curioso que a expectativa em torno da agenda que cobria o VMB era tão grande que chegava perto do evento e todo mundo ficava meio assim: “Ah, esse ano será diferente”. Nada. Pitty tava lá, Nando Reis também. Capital Inicial era arroz de festa e as bandas emo então, nem se fala…

03 – A Mtv americana também não tem a pompa que tinha antes. Afinal de contas, tudo muda, tudo se altera, especialmente no mundo da televisão, mas quando a original prefere criar suas séries e passar para seu público que tem uma audiência um pouco maior que aqui, ok. No Brasil não funciona! A proposta não era tão negativa, a ideia era legal, mas quase nenhuma foi a frente. Os programas legais do Cazé não foram levados a sério, por exemplo. Quanto mais criativa era a ideia do programa, mas descartado se tornou o projeto.

02 – A concorrência certamente não foi agressiva. Nem o Multishow e nem a Mix TV, por exemplo, não possuem atrações tão distintas a ponto de se destacarem, mas se você tem vários canais apresentando quase a mesma coisa, você dilui a audiência, que já é pequena. Sem contar que os canais citados tem uma abordagem menos megalomaníaca, mais simples e até mais humana. A simplicidade tornou-se ingrediente raro na TV. Tudo precisa ser sensacional, incrível e MUITO, muito engraçado.

01 – Para mim o maior responsável pela queda vertiginosa da Mtv Brasil chama-se YOUTUBE. Se você pode assistir o que você quiser, a hora em que quiser e melhor, quantas você quiser, por que irá esperar para assistir o videoclipe do seu artista favorito? Hoje a audiência faz seu próprio playlist e cria o seu “canal” ou “grade” ideal, se lixando para horários, dias, programações fechadas. O youtube colocou na internet, à disposição de todos, um conteúdo universal, de graça, para ser acessado de qualquer lugar do planeta. Documentários, filmes, programas, entrevistas, músicas, tutoriais.. . Inclusive videoclipes!

2013 pode marcar o fim da Mtv Brasil na TV e pelo que deu pra perceber não fará falta alguma…

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Sobre Daniel Junior

Daniel Junior é blogueiro do Diário do Pierrot e do site The Crow (especializado em cinema). Colabora com o site Seriemaníacos (sobre séries de TV) e com o blog Minuto HM. Começou seu amor pelo rock por causa do Kiss e do Black Sabbath até conhecer outras bandas pelas quais nutriria paixão e admiração como Metallica, Rush, Dream Theater, Faith No More e tantas outras. Twitter: @diariodopierrot.

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