De Elvis a tchu e tchá: Música Boa, vou te esperar
Por Carolina Canelas
Postado em 16 de junho de 2012
Era uma vez, em um universo distante a existência de uma coisa chamada música. A música era um conjunto de coisas, voz, melodia, harmonia, instrumentos e letra. Estava escrito que esses 5 ingredientes teriam de estar presentes em todas as músicas, e a mistura de todos nas exatas proporções faria uma música ser realmente perfeita. Esse conceito foi criado a muito tempo atrás, e naquela época os criadores desse conceito esperavam que ele pudesse ser passado de geração em geração, sempre mudando, mudando para melhor... Eis que nos surgem... Happy rock e sertanejo universitário... Mas falemos deles depois, vamos voltar ao tempo onde os conceitos de música foram criados...

Estamos em 17 de Julho de 1954, Memphis, Tennessee. Anos 50, um pequeno palco em um pub pouco conhecido, é lá que Elvis Aaron Presley se apresenta pela primeira vez. Elvis se tornou famoso com sucessos dançantes como "Hound Dog", "Heartbreak Hotel", "Jailhouse Rock", entre outros. Uma boa parte de seus sucessos já existia, sendo assim, pode-se dizer que Elvis teve uma grande ajuda de covers, muitos deles de cantores negros de blues (o que dá a ideia de que Elvis foi o primeiro cantor de blues branco), R&B e country. Porém, mesmo que fazendo covers, Elvis dava uma cara totalmente nova a cada música que cantasse. Sua voz (ingrediente 1) arrastada e sedutora era capaz de prender ouvintes por horas a fio. Ao pegar uma música Elvis dava a ela um ritmo agressivo e dançante, um blues acelerado que ainda assim, conseguia manter harmonia entre todos os instrumentos (ingredientes 2, 3 e 4). E por fim, suas letras eram algo considerado comum na época, amores que viriam, amores que se foram, letras que emocionavam as pessoas, letras cantadas com sentimento (ingrediente 5). Foi dessa mistura agressiva e dançante de blues, country e R&B que os estilos musicais que conhecemos hoje nasceram.

Avançando mais um pouco, chegamos aos conturbados anos 60. Início da guerra do Vietnã, Martin Luther King é assassinado, o homem chega a Lua... E em um pub calmo e tranquilo de Liverpool, Brian Epstein vê aquilo que seriam os Beatles tocando pela primeira vez. Os Beatles fecham contrato com a gravadora EMI e o compacto que lançaram um pouco depois ("Love Me Do") alcançou nada menos nada mais do que o primeiro lugar na lista da Mersey Beat (revista da época) e primeiro lugar na lista de mais vendidos da Billboard. Conforme os anos 60 iam acabando as músicas dos Beatles iam evoluindo, as vozes e as letras de John e Paul tornavam-se cada vez melhores, evoluíam de dramas da vida amorosa adolescente para letras que criticavam o governo e influenciavam o povo a ir contra a guerra. George procurava sempre novas formas de incrementar seus solos e começou a buscar ideias na música indiana, sendo assim o primeiro a utilizar-se de uma cítara em sua música. As vozes de John, Paul e George sempre foram harmoniosas por natureza, ouça "Twist And Shout", por exemplo. Os anos 60 foram realmente muito ricos em questão musical, os Beatles ganham um destaque especial por terem, na opinião de muitos, mudado a música, levado multidões ao delírio e atingido diversas idades, além de continuarem "vivos" até hoje. Os Stones e sua reputação de bad boys, Bob Dylan e seu blues de protesto, The Who e seu hábito de quebrar instrumentos após os shows, o Festival de Música Woodstock e seus ideais de rock, paz e amor... Naquela época os jovens estavam dispostos a lutar por seus direitos, e era exatamente essa a influencia que a música lhes dava, não se muda nada sentado no sofá, mas não precisamos de guerra para resolver os problemas.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Nos anos 70 surgem diferentes estilos musicais, Rock Progressivo, com bandas como Pink Floyd, Hard Rock, com Led Zeppelin, por exemplo, o Glam Rock com David Bowie. Durante os anos 70 tudo acabava e começava em música, as grandes bandas estavam em seu ápice e o público as idolatrava cada vez mais. Foi nos anos 70 que surgiram as discotecas e Disco Music, que teve maior popularidade nos anos 80. Houve também o Punk Rock, o tipo de música rápida, com poucos acordes e letras diretamente ofensivas aos governos. Nesse quesito os Sex Pistols chamaram mais a atenção no cenário underground da época. A música pop começa a criar uma nova cara, Michael Jackson aparece no cenário musical e rapidamente se transforma no Rei Do Pop. O ritmo começa a ser realmente importante na música pop, as pessoas querem dançar. Mas ainda assim em cada um desses gêneros a presença desses 5 ingredientes eram facilmente percebida. Os gritos arrastados de Steven Tyler, as melodias psicodélicas do Pink Floyd, os riffs de guitarra de Jimmy Page...

Nos anos 80 começa a surgir o Heavy Metal e as bandas dos anos anteriores tendem apenas a crescer, os solos de guitarra tornam-se cada vez mais importantes e nasce uma enorme quantidade de músicas consideradas perfeitas por possuírem aqueles 5 ingredientes na medida certa. No Brasil acontece o primeiro Rock in Rio e surgem bandas como Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii e Titãs, parecia a década perfeita. Temos de admitir que toda aquela vontade de revolução da era Hippie tinha se dissipado um pouco, mas ainda assim a juventude se indignava e vez ou outra armava passeatas e greves.
Dos anos 90 até os dias de hoje, não houve muitas mudanças, sim, muitas bandas antigas cresceram ainda mais e ainda nos dias de hoje lotam estádios, mas muitas esqueceram os conceitos de música, e muitas nasceram sem nem ao menos ter conhecimento deles. O pop virou um estilo no qual tudo que precisamos é uma bateria eletrônica, uma garota bonita (não precisa nem saber cantar, playback ta ai pra isso), alguns dançarinos, letras fúteis e repetitivas, e se houver uma guitarra, fique feliz, é o máximo que você verá. Ah, e se não houver garotas disponíveis serve um garoto que tenha a voz de uma. Não quero generalizar, mas o cenário pop de hoje esta transbordando de gente assim.

Ao longo de gerações a música influencia nosso jeito de agir, nosso jeito de pensar e de ver o mundo a nossa volta. Mas isso nos leva a refletir, do jeito que as coisas estão, quando chegamos as nossas escolas, sentamos em nossas carteiras e olhamos para o lado, estamos rodeados de "Garotas Radicais"? O que importa agora é dar uma fugidinha? O que leva uma sociedade a mudar completamente o conceito de uma "Pretty Woman" para uma "Sexy Bitch"?
A música precisa sim ser vendida, o mercado tem de funcionar, a música tem de ser levemente comercial, mas as gravadoras vendem o que elas acham que o público vai engolir. Isso quer dizer que viramos uma sociedade que engole tchetcherêrê com o Gustavo Lima? Não que apenas o Brasil passe por esse momento deprimente da música, mas estamos em estado de alerta, ou deveríamos estar. O que houve com a paz e amor que nos influenciava que queríamos? Agora queremos tchu e tchá. Meu último pensamento, é que no nível em que as coisas estão, na criatividade das músicas, no que defendem, na sensibilidade que possuem e no exemplo que dão... assim vocês me matam.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Crypta oficializa Victoria Villarreal como sua nova guitarrista
Astros do rock e do metal unem forças em álbum tributo ao Rainbow
Com 96 atrações, Sweden Rock Festival fecha cast para edição 2026
O artefato antigo que voltou à moda, enfrenta a IA e convenceu Andreas a lançar um disco
A música do Iron Maiden que é a preferida de Mikael Akerfeldt, vocalista do Opeth
In Flames faz primeiro show de sua turnê sul-americana; confira setlist
Entidade de caridade britânica rompe relações com Sharon Osbourne
7 músicas de metal lançadas em 2000 que estavam à frente do seu tempo, segundo a Louder
O dia em que Shane Embury, do Napalm Death, chorou ao encontrar Ronnie James Dio
The Gathering não tem planos definidos para além de 2026 com a formação de "Mandylion"
A sincera opinião de Ozzy sobre George Harrison e Ringo Starr: "Vamos ser honestos?"
System of a Down emplaca terceira música no "Clube do Bilhão" do Spotify
Fãs chamaram Sepultura de "vendidos" na época de "Morbid Visions", segundo Max Cavalera
O guitarrista vetado na banda de Suzi Quatro que três anos depois vendeu 10 milhões de discos
Os músicos que, segundo Mick Jagger, sempre odiaram o rock dos Rolling Stones
As 10 melhores músicas de metal do mundo, segundo inteligência artificial ChatGPT
A canção escrita como piada que se transformou em um dos maiores clássicos do rock progressivo
Paul McCartney revela solo de guitarra dos Beatles onde ele tentou soar como Hendrix

Megadeth, "Risk", "Dystopia" e a dificuldade em aceitar a preferência pessoal alheia
Você está realmente emitindo sua opinião ou apenas repetindo discursos prontos?
Arch Enemy, o mistério em torno da nova vocalista e os "detetivões" do metal
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Está na hora dos haters do Dream Theater virarem o disco
Angra: Alguns problemas não se resolvem com sonho de doce de leite

