Segregação dos fãs: Guns N' Roses, viva e deixe viver
Por Eduardo Schereder
Postado em 25 de dezembro de 2011
O mais engraçado no WHIPLASH são os comentários "acalorados". Tanto no fórum, como no Facebook, apaixonados fãs e detratores dessa ou aquela banda, se digladiam entre ofensas, piadas e sentenças finais. Nada contra, é folclórico, até. E a coisa esquenta ainda mais quando o assunto é o velho e, principalmente, o novo GUNS N’ ROSES. Mas, afinal, há sentido nessa segregação dos fãs?
Na raiz do problema, lá nos (já) distantes anos 90, encontramos uma banda em ascensão, combatendo o Grunge - ao menos, comercialmente – com videoclipes épicos, grandes turnês e escândalos equiparados aos dos ROLLING STONES em seus anos de ouro. Quem, em sã consciência, duvidava que SLASH fosse, senão o melhor, o mais importante guitarrista da época, a despeito de Zakk Wylde e Dimebag Darrel? E que Axl Rose era a encarnação de JANIS JOPLIN e Mick Jagger num corpo só? Pois é, seja qual for o motivo, as personalidades fortes da banda acabaram por arruinar a relação que os mantiveram juntos em outras adversidades. Por certo tempo, foi cada um para um lado, ficando a rixa centrada justamente nos membros mais carismáticos ao olhar do grande público, SLASH e Rose. "The dream is over", diria JOHN LENNON.
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Obviamente, a poeira não baixou facilmente. Todas as gerações sentiram-se órfãs com uma ou duas bandas, e com o GUNS N’ ROSES o rompimento foi mais difícil, pois não se tratava de uma banda pioneira, e sim, de uma seguidora. A última grande banda do Rock mainstream, para alguns. No entanto, as coisas tomaram outro rumo quando "Chinese Democracy" foi anunciado.
Uma nova banda, composta por músicos mais voltados para o estúdio, se formava. Axl Rose, acompanhado apenas de um remanescente da formação clássica dos "Illusions", Dizzy Reed, capitaneou um projeto pretensioso, que levou alguns anos para ver a luz do dia. Longe de ser um Brian Wilson (BEACH BOYS), Rose acabou por fomentar muito mais a crítica que os fãs, ávidos por notícias "além túmulo" do rockstar. Ora, se a banda estava na ativa, como é que não lançava nunca o referido álbum? O verdadeiro amor da maioria dos gunners então, já alimentados pela desconfiança e pelo Rock in Rio III, era o "Guns da antiga".
Quando "Chinese" finalmente foi lançado, a predisposição da maioria dos ouvintes era negativa. Que "Axl usasse outro nome, ou o seu próprio, para a banda", que aquilo "definitivamente não era GUNS N’ ROSES", foram as reações mais amenas. Em suma, "Chinese Democracy" é um disco arrepiantemente superior aos seus contemporâneos, com pequenos erros e grandes acertos, principalmente no que tange arranjos e overdubs. Ironicamente chamado de "muito industrial" por alguns, a única faixa contrastante é "Shackler's Revenge", um petardo moderno que aponta para outras direções.
Paralelamente, o VELVET REVOLVER vislumbrava uma derrocada com a saída de Scott Weiland, depois de dois discos bem recebidos. Ainda "na ativa", mas sem vocalista, Slash, Duff e companhia foram uma das gratas surpresas da década passada, o que não bastou para alguns fãs, igualmente.
Vejam bem, a força motriz responsável pelos protestos de fãs "xiitas" do GUNS N’ ROSES, não aparenta ser a qualidade das músicas, e sim, a "embalagem". Explico: as reclamações recorrentes tratam do peso de Axl Rose (com quase cinqüenta anos), de como a atual formação e Dj Ashba são medíocres em relação aos membros originais e, a última, por que diabos Slash e Axl não fazem as pazes. Ora, a música - e por tabela, o Rock N’ Roll – é uma linguagem universal. Se o músico não conseguir se expressar como deseja, é natural que procure outros meios, outras bandas. Além disso, como qualquer relação humana, seja na esfera profissional ou pessoal, uma banda tende a passar dificuldades e, nesse caso, é mais difícil separar essas esferas, uma vez que se trata de pessoas com que se lida o tempo todo.
O GUNS N’ ROSES é uma daquelas poucas bandas em que todo mundo tem uma opinião para dar, ninguém fica "em cima do muro": ou ama ou odeia. É uma paixão. Paixões são difíceis, é sabido, e, se elas trazem apenas frustrações, se afaste com respeito. É o que ocorre quando algo não nos agrada. Então, siga adiante, assim como Axl e Slash fazem.
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