Quem tem medo do Pop?
Por Giorgio Moraes
Postado em 10 de setembro de 2010
Você já se perguntou o que é ser Pop no mundo da música? É simplesmente atingir todos os tipos de ouvintes, diriam alguns. É ser musicalmente pobre, diriam outros. Mas será que ser Pop se resume mesmo a não ter nada de bom para oferecer? Será que aquilo que a mídia chama de Cultura Pop é, na verdade, o universo dos acéfalos? A questão é mais complicada do que se pensa.
O IRON MAIDEN é uma banda popular no mundo todo. Mas eu nunca ouvi ninguém dizer que o Iron seja um grupo que faça música Pop. Também nunca li nenhum artigo que afirmasse que os comandados de BRUCE DICKINSON fossem pobres de melodia. Mas seguindo a lógica do conceito que muitos tem sobre Cultura Pop, podemos afirmar que se o IRON MAIDEN é popular, ele é Pop. Se ser Pop é ter composições fracas, o IRON MAIDEN compõe músicas ruins, visto que é uma banda Pop. Apelo à Filosofia: se as premissas são verdadeiras, a conclusão a que se chega também será verdadeira.
Imagine agora que ser Pop implicaria também em não ter uma boa temática nas letras. Partindo dessa premissa, alguém afirmaria que o RAGE AGAINST THE MACHINE foi uma banda sem conteúdo em suas letras? Mas seguindo a lógica do conceito que muitos tem sobre Cultura Pop, podemos afirmar que se o RAGE AGAINST THE MACHINE foi (e continua sendo) popular, a trupe de ZACK DE LA ROCHA foi (e continua sendo) uma banda Pop. Se ser Pop é ter letras ruins, o RAGE AGAINST THE MACHINE compôs muitas letras ruins.
Mas talvez estar inserido na Cultura Pop seja receber atenção da grande mídia especializada em forma de premiação pela excelência de um trabalho. Mas em 2004 o DIMMU BORGIR recebeu na Noruega o Spellemannsprisen, premiação equivalente ao Grammy naquele país, pelo estrondoso sucesso de Death Cult Armageddon. Com base em toda a lógica do conceito que se tem sobre Cultura Pop, posso afirmar que o DIMMU BORGIR é uma banda Pop. Ou não? Difícil dizer o que é e o que não é Pop, meus caros. Mesmo apelando para a Filosofia, a situação não se resolve.
No fim das contas eu me arrisco a afirmar que Humberto Gessinger estava certo: O Pop não poupa ninguém!
Seja lá o que isso signifique.
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