Destruction: envelhecendo como um dos pilares do gênero
Por Bruno Bruce
Fonte: RockPotiguar
Postado em 13 de dezembro de 2009
Nunca gostei de super-heróis, sejam dos quadrinhos ou do cinema (nos tempos atuais é a mesma merda. O cinema enlameia personagens originalmente obscuros & brutais, visando atingir uma faixa etária maior de adolescentes – ARGH! – e crianças). Quem lavava suas roupas? Por que a parte superior da calça do Incrível Hulk jamais rasga? E por que o Superman usa cuecas por cima das calças? Questionamentos sobre o seu cotidiano manchavam um possível brilho que eles pudessem exercer. Tudo me parecia muito intangível, distante. Mas tive meus ídolos e todos eles brandiam palavras de ódio, guerra, agressão. Bem, pelo menos os meus heróis na música sendo que nenhum deles foi mais querido por mim que a trindade do grupo Destruction: Schmier, Mike e Tommy. Eu os amava do único modo que um homem deve amar outro: com respeito & admiração! O Destruction era o meu alter-ego. Três alemães que desistiram de pentear os cabelos (transformados em imponentes jubas), recobertos de casacos de couro e jaquetas jeans, cintos de bala, esquálidos, altos (menos o guitarrista Mike). Você tem idéia de como isso é maravilhoso aos 16 anos? Foi quando recebi de presente o nascimento do Thrash Metal germânico na forma do vinil "Infernal Overkill". Era 1985 e, amigos, eu não estava preparado! Numa viagem de meus pais a São Paulo obriguei-os a conhecer a Galeria do Rock (conglomerado imundo & mal-cuidado de lojistas de "róqui" naquela cidade de malditos). Levaram no bolso uma listagem de uns 10 vinis que eu desejava (embora tivessem avisado-me que só trariam uma unidade eu não podia correr risco deles voltarem sem nada nas mãos) e, admito, minha primeira opção era o Slayer, que acabara de lançar o estupendamente e crucial "Show No Mercy"! O que importa era que, na volta dos meus pais, eu estava na sala com meu som 3-em-1 Gradiente sofrendo para expulsar pelas caixas os musicalmente improváveis, e até então nunca feitos, riffs da nova escola alemã do Metal. Eu era testemunha de um estilo a nascer. E tinha consciência disto! Eu desejei aquilo para mim. Eu desejei aquela vida. Eu tive inveja!
O Destruction manteve a alta qualidade de seu material até o vinil "Mad Butcher" de 1987, mudando de formação (época fundo-do-poço, com a saída de Schmier) e levando a cabo um magistral comeback com "All Hell Breaks Loose" (2000), algo que considero raríssimo no Heavy Metal.
Assisti-os em 2002, em Recife(PE), no Clube Internacional. Foi o melhor show que vi em mais de 20 anos como headbanger. Foi também uma das maiores tristezas da minha vida (na sessão de autógrafos, pela manhã, antes de tocarem. Mas isso é pano para as mangas de outra resenha!).
Hoje, vive de "renda", de um passado glorioso, ainda lançando um escutável Thrash Metal, envelhecendo da maneira correta, como um dos sólidos pilares do gênero.
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