O Dia no qual quase participei do documentário do Iron Maiden

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Por Carlos Alexandre de Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Eu sou um cara normal. Tenho 32 anos, sou casado, tenho uma filha adolescente e um cachorro. Trabalho em um multinacional do interior e sou professor universitário. Sou fanático pelo Iron Maiden, mas quem não é? Toco guitarra e tenho uma banda cover do Maiden em Sumaré, interior de São Paulo, mas quem não tem?

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Vi através do Whiplash a noticia de que Sam Dunn, documentarista responsável pelo filme “Metal: A Headbanger´s Journey” iria cobrir a passagem do Maiden pelo Brasil e estava recrutando fãs que tivessem interesse em participar do filme. É claro que eu me interessei, mas mandei o e-mail do mesmo jeito que comprei o número da rifa daquele Fiat Uno que uma igreja de Monte Mor iria sortear: sabendo que minhas chances seriam mínimas.

Não ganhei mesmo o Uno, mas recebi um e-mail da Banger Films dizendo que eu estava sendo considerado para ser entrevistado. Deveria responder uma série de perguntas e enviar uma foto. Enquanto minha mulher pegava a câmera, eu ficava ajeitando meu cabelo e tirando casca de feijão do meio dos dentes pensando: “Será? Será que finalmente chegará a minha vez?” Fiz a melhor cara de malvado que consegui, tirei a foto, respondi as perguntas, mandei o e-mail e rezei para os deuses do Metal.

Depois de 10 dias checando minha caixa de entrada de 5 em 5 minutos, decidi enviar um e-mail para ver se ainda tinha chance: “Sim, você tem. Estamos fazendo a agenda da Austrália e do Japão. O Brasil será o próximo.”, foi a resposta. Achei mesmo que ia chegar a minha vez e me dei o luxo de ter esperanças. E quando a gente fica assim começamos a fazer coisas bem idiotas. Eu, por exemplo, ficava praticando a entrevista no carro. Era mais ou menos assim:

Sam Dunn: “Mas, Carlos, me diga: Como foi que você se tornou o fã sul-americano mais interessante que o Iron Maiden tem?”

Eu: “Veja bem, Sam. Eu tive a felicidade de conhecer os amigos certos, que me ensinaram desde os 9 anos de idade que o Maiden é a melhor coisa criada pelo homem desde o início dos tempos. O mérito, na verdade, é todo deles…”

San Dunn: “Nossa! Acho que é o Steve Harris que está abrindo a porta agora! Que surpresa! Ele conseguiu um espaço na sua agenda apertada só para estar aqui com a gente!”

Steve Harris: “É você que é o Carlos? Muito prazer! Quando soube que você estava aqui, fiz questão de te conhecer pessoalmente! Minha filha Lauren acha você lindo, mas ficou com vergonha de vir aqui.”

Eu: “Eu entendo, Steve. É uma pena decepcioná-la, mas eu sou casado e amo minha esposa. Talvez ela fique feliz se eu lhe der uma foto minha autografada. Também posso ver com minha esposa se ela se importaria se eu desse uma de minhas cuecas para ela...”

Steve Harris: “Nossa, Carlos! Isso seria ótimo! Obrigado!”

Eu: “Não tem de quê! É um prazer ajudar!”

O tempo passou e de vez em quando eu enviava um e-mail, que sempre era respondido prontamente e com atenção: “Aguarde notícias. Estamos fazendo a agenda”.

Mas não vieram as notícias. Achei que eles tinham decidido que eu não era o que eles procuravam para o filme. Soube que o Maiden marcou um jogo de futebol com músicos e ex-jogadores no dia anterior à apresentação. Procurei esquecer o assunto e me concentrar no que interessava: o show.

Não vou entrar em detalhes aqui. Todo mundo sabe que foi mágico e estou certo que em breve a mídia irá noticiar o suicídio em massa das pessoas que não conseguiram um ingresso.

O show de São Paulo passou e eu passei a segundona curtindo aquela depressão pós-show que os metaleiros conhecem tão bem. Na terça, eu recebi o e-mail da produtora, que cravou fundo no meu coração com a mesma dor daquela vez que tive que aturar um disco do Cesar Menotti e Fabiano inteiro no churrasco dos meus primos: “Desculpe por não ter escrito para você antes. Você ficou sabendo do jogo de futebol em São Paulo? Então, por causa dele, não deu para marcar a entrevista com você. Mas obrigado assim mesmo. Um abraço.”

Espera um pouco! Não pude dar uma das minhas cuecas para a Lauren Harris por causa daquele jogo de futebol que o time misto de músicos e ex-jogadores brasileiros tomou uma lavada vergonhosa do time do Maiden?

Você acharia isso justo? Eu não! Era muito para a minha cabeça. Mais um desgosto com o esporte favorito da nossa nação! Afinal, como sou corinthiano, o futebol não tem me trazido muitas alegrias…

Respondi imediatamente: “Não conseguiu agenda para São Paulo? Sem problema!” – escrevi, entrando no site da Gol – “Tem um vôo que posso pegar amanhã de manhã que vai chegar em Porto Alegre na hora do almoço. A vôo de volta é às 14:00 hs. Em duas horas, podemos fazer a entrevista numa boa!”. Liguei para uns amigos para pedir dinheiro emprestado, me encolhi no chão com a testa em cima do joelho e fiquei esperando o retorno.

Nada.

Não desanimei. Mandei outro e-mail: “Posso pegar um vôo para chegar em Buenos Aires às 18:00 hs da Sexta. Eu me hospedo em hotel sem-vergonha, durmo na rodoviária, na praça, em qualquer lugar.”. Em seguida, coloquei o meu rim esquerdo à venda no Mercado Livre, liguei para meus amigos ricos para pedir mais dinheiro emprestado, me encolhi no chão com a testa em cima do joelho e fiquei esperando o retorno.

Algumas pessoas disseram que era loucura o que eu estava propondo para os amigos da Banger Films. Você faria diferente?

A resposta, muito amável, veio em seguida: “Você, sem dúvida, é um grande fã do Iron Maiden. Mas nossa agenda para a Argentina já está tomada por pessoas de lá. Talvez na próxima vez.”

É, mas eu sou um cara normal. E para os caras normais nunca tem próxima vez...

Senti-me como daquela vez no último show dos Ramones em São Paulo, quando o Johnny Ramone jogou uma palheta, que passou voando, bateu na minha testa e caiu no chão onde 300 fãs enfurecidos pelejaram por aquele troféu supremo enquanto eu voltava para casas com as mãos vazias...

E aí? Você se divertiu com o meu sofrimento? Que bom! Então faça como o marinheiro que ficou com o albatroz preso no seu pescoço e passe a história adiante em algum casamento ou algo parecido.

Se você chegou a ser entrevistado por Sam Dunn, por favor me mande um e-mail e me diga como foi. Se alguém se sensibilizou e quiser me mandar alguma mensagem de apoio, ela será bem-vinda.

Se você achou que o pessoal da Banger Films não deveria ter feito isso com esse humilde fã da Donzela, fique à vontade para mandar um e-mail para eles e protestar. Não sabe escrever em inglês? Sem problema. Segue um modelo:

“Dear Mr Dunn,

I read on the Whiplash Portal in Brazil about the unfortunate experience of Carlos Alexandre de Campos, a Maiden fan that was supposed to be interviewed for your film in São Paulo but, due to a schedule issue, was left out of this historical moment.

Although he is not better than thousands of other Maiden fans, he is very dedicated to Metal and his voice deserves to be heard.

Please consider his inclusion on your documentary.”

A tradução:

“Caro Sr. Dunn,

Eu li no Portal Whiplash sobre a infeliz experiência de Carlos Alexandre de Campos, um fã do Maiden que deveria ter sido entrevistado para o seu filme em São Paulo mas que, devido a um problema de agenda, foi deixado de fora desse momento histórico.

Embora ele não seja melhor do que milhares de outros fãs do Maiden, ele é muito dedicado ao Metal e sua voz merece ser ouvida.

Por favor, considere a possibilidade de incluí-lo no seu documentário.”

Enviem o e-mail para maiden@metalhistory.com ou para info@metalhistory.com.

Você pode decidir não enviar a mensagem, mas quando o documentário estiver cheio de fãs argentinos, chilenos, porto-riquenhos e poucos brasileiros, não reclame de consciência pesada depois.

Up the Irons!!!!!!!!

email: homemdosaco@vivax.com.br

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