Polêmica sobre arte erótica de John Lennon é esclarecida
Fonte: UOL Música
Postado em 23 de março de 2004
Londres, 23 mar (EFE).- Uma série de litografias de John Lennon, que continham cenas sexuais do músico e sua mulher, Yoko Ono, não foram proibidas pela justiça britânica por temor de que isso afetasse outras coleções de arte, como a da rainha Elizabeth II.
Assim parecem sugerir documentos oficiais guardados nos Arquivos Nacionais de Kew (sudoeste de Londres) e divulgados hoje, terça-feira.
Os relatórios esclarecem o famoso caso de 1970, quando oito trabalhos originais do componente do The Beatles foram exibidos numa galeria da rua New Bond, em Londres, foram apreendidos pela polícia em virtude das leis vigentes contra a obscenidade.
O galerista, Eugene Schuster, foi acusado ante a justiça de violar uma norma do século XIX, a chamada Lei da Polícia Metropolitana de 1839, o que facilitou que, no final, o caso fosse arquivado por razões técnicas.
Outros documentos do mesmo caso divulgados há dois anos mostraram que as obras de Lennon da exposição "Bag One" não eram grande coisa e simplesmente não foram exibidas devido à fama de seu autor, como reconheceu o próprio galerista.
Para o detetive Frederick Luff, então responsável da brigada de publicações obscenas na Scotland Yard, as obras que representavam a vida sexual de Lennon e Ono não eram mais que "o trabalho de uma mente doente".
Os novos papéis oficiais trouxeram mais luz sobre o caso, pois incluem a carta de um artista, Fuller de Maidstone, às autoridades britânicas na qual são expressos os temores do mundo artístico.
"Se o tema supõe a base de um processo, então será a primeira das muitas iniciativas que seu departamento terá que enfrentar: há milhares de gravuras de Rembrandt que mostram atos sexuais, nomeando apenas uma obra que figura em coleções do Estado e privadas", escreveu.
"O que ocorrer com as litografias de Lennon provocará que colecionadores de todo o mundo estudem o resultado com interesse; por isso sei, Vossa Majestade a rainha tem trabalhos bastante eróticos de Fragonard", apontou o artista.
A carta de Fuller foi levada em conta, pois recebeu uma resposta de um dos responsáveis da procuradoria, na qual se assinalava que seus temores estavam sendo considerados.
Finalmente o caso foi arquivado, entre outras razões, pelo magistrado entender que uma galeria não era "um lugar público" e que não supunha nenhuma "moléstia" para os transeuntes, segundo os termos que estabelecia a lei do século XIX.
Outro dos documentos divulgados demonstra o mal-estar que isso causou num dos responsáveis da procuradoria, Kenneth Horn, que considerou que o arquivamento deveu-se ao fato de o galerista ter sido processado com uma lei inadequada, algo decidido no último minuto.
"Se o processo tivesse ocorrido de acordo com a Lei de Publicações Obscenas, teria havido mais oportunidades de sucesso", escreveu Horn.
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