Críticos desdenham Queen sem Freddie
Fonte: AOL Música
Postado em 24 de março de 2005
Na próxima segunda-feira, o grupo Queen - ou o que sobrou dele - dá início a uma turnê européia. Na nova encarnação da banda, o vocalista Freddie Mercury, morto em 1991, será subsitutído por Paul Rodgers.
Mas a crítica britânica já começou a torcer o nariz para o novo cantor antes mesmo de o Queen subir aos palcos da casa Brixton Academy, de Londres, nesta segunda.
Paul Rodgers, um veterano de bandas dos anos 70, como Free e Bad Company é um cantor de voz encorpada e fortemente influenciado pelo blues, mas foi considerado uma escolha inusitada para substituir Mercury.
"Freddie Mercury foi o último showman do rock, a pessoa mais exuberante em um meio conhecido pela exuberância. Seria de se esperar um substituto com mais glamour, como Justin Hawkins, do The Darkness. Por mais que admire Paul Rodgers, com suas raízes de blues, a escolha dele é um mistério", afirma Nigel Williamson, editor da revista especializada britânica Uncut.
'Estranha perversidade'
Para Will Hodgkinson, colaborador da revista musical Mojo, com Paul Rodgers, o Queen perde seu maior diferencial e sua "estranha perversidade, uma combinação do rock clássico com o kitsh".
"O Queen estava em uma posição muito interessante, com um cantor exuberante e claramente gay, amado por uma platéia heterossexual. Isso fazia do grupo uma banda única, um cantor operístico em uma banda de rock tradicional", diz Hodgkingson.
A revista Time Out, o principal guia cultural britânico, listou o show como uma das opções musicais da semana, mas escreveu em sua resenha: "Freddie se revira no caixão, enquanto o homem do Free desfila seu metal pomposo".
Brian May e Roger Taylor já fizeram apresentações esporádicas com outros cantores no lugar de Freddie Mercury, entre eles Elton John, George Michael e Robbie Williams.
A primeira vez que os ex-integrantes do Queen tocaram com Rodgers foi em setembro do ano passado, em Londres, durante uma apresentação para comemorar o cinquentenário da guitarra Fender Stratocaster.
Na nova turnê, além de sucessos do Queen, como We Will Rock You, Radio Ga Ga e We Will Rock You, deverão fazer parte do repertório músicas como All Right Now, um dos clássicos do Free, a antiga banda de Paul Rodgers.
O guitarrista Brian May tem dito que o retorno da banda não é um investimento caça-níqueis, até porque os integrantes do grupo não precisam do dinheiro.
Os lucros do Queen não cessaram nos últimos anos. O catálogo antigo do grupo segue vendendo e as economias dos membros remanescentes foram impulsionadas pelo musical We Will Rock You.
O espetáculo, uma ficção futurista inspirada em canções do Queen, é um dos maiores sucessos do atual teatro britânico, já teve mais de mil encençaões e foi visto por 1,75 milhão de pessoas.
Além da ausência de Mercury, o Queen também retorna desfalcado de seu baixista original, John Deacon, que recentemente se aposentou dos palcos.
Talvez temendo comparações, o grupo está divulgando seus shows como sendo apresentações do "Queen + Paul Rodgers".
Curiosidade
A despeito das palavras ásperas, os críticos dizem estar curiosos em relação ao Novo Queen. "Será fascinante conferir os resultados. Eles podem tanto quebrar a cara como reviver seus dias de glória", diz Nigel Williamson.
Para Will Hodkingson, o Queen encontrou um cantor "que alcança as notas corretas, mas nunca será a mesma coisa. É como se os Rolling Stones buscassem um substituto para Mick Jagger".
Hodkingson diz que muito provavelmente a banda continuará sendo capaz de lotar estádios. Ele afirma querer conferir o resultado em disco, mas já adianta que deverá ficar muito aquém dos álbuns gravados com Mercury.
Os fãs parecem ignorar as restrições dos críticos, tanto que quase todos os shows da temporada britânico estão esgotados.
O público brasileiro, ao menos por enquanto, não poderá conferir se o Queen encontrou um substituto à altura. Não estão previstos shows do grupo no Brasil.
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