Vereadora Soninha pede liberação do show do Pearl Jam
Fonte: Rockwave
Postado em 06 de outubro de 2005
Veja abaixo o texto, na íntegra, da carta que a vereadora Soninha escreveu para a prefeitura da cidade de São Paulo pedindo para que a decisão de vetar o show do Pearl Jam no Pacaembu fosse reconsiderada:
29/09/2005 - Pearl Jam - Parte 1
Diante da possibilidade de São Paulo ficar sem o show do Pearl Jam (por causa da ordem do prefeito para que nenhum show fosse realizado no estádio do Pacaembu), recebi centenas de pedidos para interceder junto à prefeitura. Como eu também acho que é possível realizar um evento com responsabilidade e rigor de modo a minimizar o impacto na vizinhança, escrevi para o prefeito pedindo que ele reestudasse o caso.
Essa foi a mensagem que enviei a ele ontem (quarta) à tarde:
"Prezado Sr. Prefeito,
Sabemos que os moradores do entorno do estádio do Pacaembu têm motivos para se queixar do barulho e do movimento fora do comum causados pelos shows realizados lá. O show da Mix, semanas atrás, realmente causou um grande transtorno (por ser longo demais e ter terminado muito além do horário determinado).
No entanto, não há como (ou não é preciso) desprezar a utilidade do Pacaembu para eventos diversos. Vários estádios ao redor do mundo são aproveitados como "arenas multi-uso", recebendo espetáculos musicais de grande porte e arrecadando valores importantes para sua própria manutenção. Os moradores do bairro, em alguns (raros) momentos, podem ter de suportar o incômodo, como vários moradores de outras regiões da cidade têm de fazê-lo por motivos diferentes.
Todos temos um preço a pagar por dividir o espaço urbano com 11 milhões de pessoas...
Não se trata de defender o "liberou geral". Creio que se podem estabelecer regras para que o incômodo seja o menor possível – mas não querer ter nenhum incômodo, insisto, é uma aspiração irreal para quem mora perto de um estádio de futebol!
Essas regras, na verdade, já tinham sido estabelecidas. Na última administração, foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta segundo o qual a prefeitura poderia ceder (onerosamente, é claro) o estádio do Pacaembu para um máximo de 12 espetáculos por ano, respeitados os limites de horário conforme o dia da semana. Além do aluguel em si, a Prefeitura pode exigir dos organizadores contrapartidas na forma de benefícios para o próprio bairro, como aliás já foi feito em algumas ocasiões.
Pois bem – este ano, foram realizados, se não me engano, sete espetáculos musicais. Após um deles, quando houve evidente abuso por parte dos organizadores, a Prefeitura tomou medidas drásticas – demitiu o administrador do estádio e anunciou que nenhum outro espetáculo seria autorizado, a não ser o que já estava agendado a seguir (Avril Lavigne, no último dia 25).
Havia, no entanto, pelo menos mais um show pré-agendado para um domingo em dezembro. Trata-se do Pearl Jam, de um grupo de rock de imensa popularidade entre os jovens (e até os não tanto), que tem sua vinda ao Brasil dificultada pelo fato de recusar-se a associar seu nome a patrocinadores (principalmente cigarro e cerveja, que costumam bancar grandes eventos). É um símbolo de um tipo de rebeldia e resistência (ao consumismo, ao poder concentrado das grandes gravadoras) difícil de encontrar genuinamente hoje em dia... Como antigo militante do movimento estudantil, creio que o senhor pode entender a que me refiro. :o)
Depois de anos de expectativa, o grupo finalmente vai se apresentar em várias capitais brasileiras. E se apresentaria no Pacaembu no dia 4 de dezembro. Diante da decisão recente da prefeitura, os organizadores procuraram outros estádios, mas não puderam contar com eles por motivos diversos (o Parque Antártica receberá um jogo do Palmeiras; o Morumbi é grande demais -- a própria banda considera que lugares com capacidade superior a 40 mil pessoas não oferecem a segurança necessária).
Perder a possibilidade de ver o Pearl Jam depois de sua vinda ter sido anunciada e cercada de grande expectativa causaria imensa frustração – e teria repercussão muito negativa para a prefeitura, acredite! Seriam milhares de pessoas perdendo uma possibilidade histórica... E o show da Avril Lavinge, no último domingo, é uma prova de que é possível organizar o espetáculo dentro das regras da convivência civilizada.
Mais uma vez, muito agradecida pela atenção e na expectativa da sua compreensão.
Soninha – vereadora"
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29/09/2005 - Pearl Jam - Parte 2
Hoje (quinta), a mobilização de fãs foi ainda maior. Fui abordada na rua, por telefone, recebi mais algumas dezenas de mensagens. E recebi também uma ligação de D. Iênides, da Associação Viva Pacaembu.
Pois bem: antes de conversar com ela, eu estava convicta de que o Pacaembu poderia, sim, continuar recebendo shows. Com dois mil argumentos, ela me convenceu a desistir dessa briga. Mas não me convenceu a desistir do Pearl Jam no dia 4 de dezembro... Eu ainda acho que é possível organizar o espetáculo com rigor dinamarquês – limitando os horários para o show e a passagem de som; obrigando os organizadores a oferecer bolsões de estacionamento longe do estádio e translado com vans e a fazer a limpeza das ruas depois da saída do público. E ainda garantir a fiscalização e apreensão de mercadorias comercializadas irregularmente (como aquele líqüido indecente que chamam de vinho e é vendido em garrafas de plástico a 2 reais...) -- uma das queixas da D. Iênides é a de que vomitaram no carro dela depois do último show. Realmente, ninguém merece... Se de 2006 em diante a Prefeitura mantiver essa determinação, os promotores dos próximos espetáculos podem procurar, com tempo, outras praças para sua realização. E se houvesse outro lugar indicado para o Pearl Jam agora, é claro que eu nem iria insistir nessa tecla.
Mas as tentativas que foram feitas não deram certo, então vou tentar negociar com o prefeito e os promotores para que se faça um evento bonitinho, organizadinho, comportado, limpinho. E torcer pra D. Iênides não ficar minha inimiga!"
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