Igor Cavalera fala sobre saída do Sepultura

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Por Thiago Coutinho, Fonte: Blabbermouth.net
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Matéria de 14/06/06. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O ex-SEPULTURA Iggor Cavalera — sim, agora ele assina seu nome com dois “Gs” — falou na terça-feira feira à noite, 12 de junho, com o site Blabbermouth.net acerca de sua saída do grupo. Confira a entrevista na íntegra logo a seguir:

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Blabbermouth.net — Quando falamos com você em janeiro, você nos disse que não estava deixando a banda — que estava apenas dando uma parada de sair em turnê para passar mais tempo com sua nova esposa e seu filho recém-nascido, e que sem dúvida você voltaria ao SEPULTURA. Obviamente, esse não é mais o caso. O que aconteceu nos últimos cinco meses que mudou sua opinião até que você decidiu se pronunciar que estava saindo da banda?

Iggor Cavalera — O que mudou principalmente... foi logo após a turnê pela Europa que o SEPULUTURA fez com o Roy [Mayorga, bateria, ex-SOULFLY, atual STONE SOUR] na bateria... eu tive uma reunião com o Andreas [Kisser, guitarrista] antes deles saírem em turnê, e tivemos outra quando eles voltaram da turnê. E antes que ele saísse, no único encontro que havíamos tido, todos concordamos nas coisas que todos sabiam, ou seja, que eu precisava dar essa parada. Eu não pensava e sequer dizia que estava deixando a banda, mesmo com todos os rumores por aí. Minha intenção era mesmo dar essa parada e continuar com tudo depois. Nós chegamos a falar de dar essa injeção de energia na banda, e era algo que conseguiríamos com essa parada — pensar a respeito e refletir sobre diversas coisas, esse era o plano. Quando o Andreas voltou da turnê, tivemos outro encontro e então ele me mostrou um lado completamente diferente da coisa toda, em que ele não sentia que essa parada seria boa para banda ou para todo o restante, que ele gostaria muito de continuar fazendo shows e turnês — eles já estavam, inclusive, agendando shows sem que eu soubesse — e coisas assim que realmente me forçara a tomar essa decisão. E não apenas isso, aqui no Brasil, muita coisa estava rolando, como esse cara de Belo Horizonte [Jean Dolabella] já estava tocando com a banda, e isso realmente não era mentira, mas o modo com isso foi trazido à tona, foi como se ele fosse o novo baterista, e a banda não veio à frente para dizer nada sobre isso, nem mesmo em nosso site, e eu me senti muito desrespeitado por conta disso. Quando vocês postaram aquela história no Blabbermouth [de que Iggor estava deixando o grupo, em um artigo do dia 13 de janeiro], logo em seguida eu fui ao nosso site acalmar nossos fãs — como se fosse uma pequena carta — negando isso com informações direto da banda, para não acreditar em nada que não viesse diretamente de nós. E eu acho que essa é uma ótima relação entre fãs e banda. Bem, então essas foram as principais razões que me fizeram pensar completamente diferente, quando comecei a sentir que na opinião deles continuar tocando não me incluía nos planos. Senti que a coisa mais honesta a se fazer era explicar a todos ao invés me sentar em casa e fazer com que as pessoas pensassem que eu ainda estava dando um tempo quando, na verdade, minha cabeça estava em um lugar completamente diferente.

Blabbermouth.net — Mas é até compreensível porque os outros caras queriam sair em turnê e manter o nome SEPULTURA vivo, especialmente logo após o lançamento de um novo álbum. Após tudo isso, você tinha a chance de sair em turnê por um ano em suporte a um novo CD. Por que você teve problemas com os outros caras usando um baterista diferente para todo o ciclo de turnês e apenas se reunir com você no ano que vem ou qualquer que fosse o momento de você se tornar um membro efetivo novamente?

Cavalera — Bem, era essa a minha idéia no começo de tudo isso. Mas eu senti que não falávamos a mesma língua mais quando eles voltaram da turnê pela Europa. Especialmente após esse encontro, foi como... para mim, a intenção que eles mostraram era completamente diferente. Porque que não estava a fim de dizer a eles: ‘vocês não podem sair em turnê’ e todas essas coisas. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia que, através dos anos, as coisas não iam muito bem para nós — entre nós, nosso relacionamento — e, para mim, era uma chance de ficar livre e fazer coisas novas ao mesmo tempo.

Blabbermouth.net — Você diz que seu relacionamento com os outros caras foi se deteriorando com o passar do tempo, e em seu anúncio acerca da saída banda, você menciona que não sentia estar na mesma página que os outros caras, mais ou menos na época em que eles estavam em turnê pela Europa, em dezembro de 2004. Algo de específico rolou naquela turnê — algum incidente em particular — que o fez se sentir desse jeito?

Cavalera — Não, foi mais algo meu do que qualquer outra coisa. Eu só não me sentia bem mais — como sair em turnê e ficar fora de casa. Foram diversos sentimentos diferentes que eu sentia, não foi nada em especial que fez esses sentimentos ruins aparecerem. Foi apenas comigo, eu me sentia aparte na coisa toda — só não queria estar mais lá, não queria continuar em turnê — todas essas coisas. Mesmo tocando, para mim, era como... quando tocar chega ao ponto de que eu não estava... não sei... sabe, sentindo aquele fogo interno, ou algo assim, foi quando percebi que eu tinha que fazer alguma coisa.

Blabbermouth.net — Quando falei com você recentemente, você me disse que “Dante XXI” era o álbum mais forte que você havia gravado com o Derrick [Green, vocal]. Então, acho que com isso em mente, as pessoas foram pegas de surpresa quando você disse que estava deixando a banda quando lançavam seu álbum mais forte, ao menos com essa formação.

Cavalera — É definitivamente o meu álbum favorito de todos eles — daqueles que fizemos com o Derrick. Mas, ao mesmo tempo, me sinto orgulhoso por ter parado assim. Quanto a sair em turnê e promovê-lo, eu realmente não estava a fim, mas no estúdio e na hora de compor, eu dei 110% de mim.

Blabbermouth.net — Muitas pessoas também disseram que você não tinha mais paixão em tocar metal, que você estava mais interessado em se envolver com hip hop, sons eletrônicos, ser DJ, e essas coisas. Há alguma verdade nisso? Você ainda sente algum interesse em tocar metal e hardocre ou quer fazer algo completamente diferente?

Cavalera — Acho que os dois. Ainda quero tocar essa matéria pesado e poderoso, mas também quero algo diferente, como sempre quis com o SEPULTURA. Sempre coloquei minhas influências e elas sempre foram bem distintas — do metal a todos os outros estilos de música e isso tudo saia muito bem quando compúnhamos. Então, é um pouco dos dois, não significa necessariamente que eu quero parar de tocar metal e começar a tocar o que estou curtindo no momento.

Blabbermouth.net — O webmaster do SEPULTURA postou uma mensagem no site da banda na terça-feira feira à noite [12 de junho] dizendo que o grupo continuaria mesmo com sua saída, mas não está claro se isso significa que eles apenas sairão em turnê em suporte ao “Dante XXI” ou se continuarão e gravarão um novo álbum com um baterista diferente. Na sua opinião, o SEPULTURA pode existir — ou mesmo continuar — sem nenhum dos dois irmãos Cavalera na formação?

Cavalera — Na verdade, acho que isso... não tenho o direito de dizer se eles devem ou não continuar existindo desde que deixei a banda. Acho que se eles tivessem me tirado do grupo, como se fosse uma luta, ou uma situação diferente eu teria uma opinião diferente sobre continuar ou não. Mas como as coisas estão agora, tem mais a ver com eles pensarem se querem ou não continuar com o SEPULTURA.

Blabbermouth.net — Você tem alguma idéia se eles continuarão? Havia discussões antes de você deixá-los se eles continuariam?

Cavalera — Antes de eu deixar, definitivamente havia discussões sobre finalizar o ciclo de turnês para o ‘Dante’, mas nada sobre continuar a produzir coisas novas. Mas eu não sei. Isso pode mudar agora que estou fora da banda.

Blabbermouth.net — Muitas pessoas têm dito que sua decisão de deixar a banda tenha sido influenciada por seu irmão Max, então, gostaria de lhe perguntar a respeito porque muitas pessoas têm uma visão errônea de sua atual relação com seu irmão. Antes de mais nada, quando foi a última vez que você falou com Max?

Cavalera — Foi no meu aniversário, em setembro do ano passado, mas nós sequer falamos sobre a banda. Foi algo mais pessoal. Não há definitivamente influência do Max na minha decisão.

Blabbermouth.net — Você chegou a lhe dizer que estava pensando em deixar o SEPULTURA?

Cavalera — Não, na verdade, não.

Blabbermouth.net — Nesses anos em que Max deixou a banda, você teve a oportunidade de sentar frente a frente com ele e conversar como irmãos?

Cavalera — Não.

Blabbermouth.net — Você se lembra da conversa mais longa que teve com Max nos últimos dez anos, se você não se importa que eu pergunte?

Cavalera — Nem eu mesmo sei. Todas as vezes em que conversávamos era estranho, porque eu queria ter certeza que isso envolvia o SEPULTURA, porque eu queria continuar falando com ele mais e mais e eu queria deixar a banda dele e a minha fora da conversa. Então, falaríamos por um bom tempo, mas nunca mencionamos o SOULFLY ou o SEPULTURA na conversa toda.

A entrevista, na íntegra e em inglês, pode ser conferida aqui.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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