MindFlow: Crescendo com "Mind Over Body"

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Por Ricardo Seelig
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O MindFlow, que já havia recebido elogios da crítica com a sua estréia, vê o seu nome crescer cada vez mais com o lançamento de seu segundo trabalho, o excelente "Mind Over Body". As vésperas de tocar no Live`N`Louder Festival, o tecladista Miguel Spada bateu um longo papo com o Whiplash!, onde falou da expectativa da banda para estes shows, a repercussão do novo álbum e os planos do MindFlow para o futuro.

Vocês irão tocar nos próximos dias no Live'N`Louder Festival. Como está a expectativa da banda para estas apresentações?

Qual banda que não sonha tocar em um festival como o Live'N'Louder um dia? Nós do MindFlow estamos ansiosos e não vemos a hora de subirmos no palco! Nossa expectativa é das melhores, damos nosso sangue em cada show que fazemos e nesse não será nem um pouco diferente!

Os fãs podem esperar algumas surpresas para os shows do Live'N'Louder?

Sim, adoramos surpresas! (risos)

Entre os grupos que irão tocar no festival, quais vocês estão com mais expectativa para assistir?

Todos nós estamos ansiosos para assistir o Nevermore. No meu caso gostaria muito de ver o Black Label Society e fiquei chateado de saber que não virão mais.

O nome do grupo ficou em evidência após o lançamento dos dois discos, mas antes disso a banda só era conhecida entre os fãs do estilo. Então, eu queria que você fizesse um resumo de como o MindFlow surgiu e como chegou até aqui.

O MindFlow surgiu oficialmente em 2003 com a entrada do Danilo Herbert (vocal). Sempre tocamos nosso próprio som, mesmo sem vocalista, de forma instrumental, mas sempre procurando uma voz para a banda. Com a entrada do Danilo vimos que tínhamos de dar nosso primeiro grande passo, que foi a gravação de nosso primeiro CD, "Just The Two Of Us... Me And Them". Trabalhamos duro, sempre focados, e quando terminamos a gravação no final de 2003, Rodrigo Hidalgo (guitarra) e Rafael Pensado (bateria) foram para a França, numa feira chamada Miden, onde haviam marcado reuniões com algumas possíveis gravadoras e, graças a Deus, conseguimos um selo espanhol, a Heaven Cross Records, que está conosco até hoje. Muitas portas se abriram com a Heaven Cross, e assim conseguimos fazer nossa primeira turnê internacional na Espanha, que foi nosso segundo grande passo.

Nosso trabalho, que não tem fim, continuou. Tocamos no BMU 2004, logo em seguida abrimos para o Therion e começamos a fazer vários shows pelo Brasil, deixando uma semente em cada lugar que íamos, realmente um trabalho de formiga! No final de 2005 fomos para a Coréia do Sul nos apresentar, lá fizemos parte da trilha sonora de um seriado chamado "Winter Sonata", muito famoso por lá.

Nossa, nunca havia parado para falar tudo que tínhamos feito... foi tudo muito intenso! Bom, continuando, finalmente chegamos no segundo CD, "Mind Over Body", onde temos muito orgulho de apresentar esse suado e prazeroso trabalho. Agora vem o Live`N'Louder, depois disso só Deus sabe!

O prog metal está longe de ser um estilo de fácil assimilação, tanto pelos fãs quanto, principalmente, pelo mercado. Porque o MindFlow optou pelo prog e não por outro estilo, digamos, mais "fácil", dentro da música pesada, com maior penetração entre os fãs e o ouvinte médio, como o metal tradicional, o melódico e até mesmo o hard rock?

O MindFlow optou por um estilo de música sem regras que determinam para onde ir, apenas deixamos fluir. Fazemos porque gostamos, primeiramente, e é uma característica nossa que está dando certo.

Ao invés de seguir o caminho normal e lançar seu segundo disco, "Mind Over Body", como um CD simples, vocês desenvolveram um trabalho gráfico minucioso e original, muito acima da média do que estamos acostumados a ver, inclusive entre os grandes nomes da música mundo afora. Como surgiu a idéia de lançar o álbum neste formato e como todo o projeto foi desenvolvido?

Acreditamos que devemos fazer tudo que está ao nosso alcance para ter uma qualidade excelente. A idéia de lançar o álbum nesse formato surgiu de conversas entre nós e da observação de que hoje os CDs são caríssimos e não apresentam nada dentro além do trivial (quanto tem)! Queríamos fazer o dever de casa completo, e o encarte e o formato fazem parte da lição. Ele completa a obra, a música só não apresenta a obra inteira, mas quando se junta aos dois encartes, aos detalhes e tudo mais, a obra cresce e se torna verdadeiramente uma. Tudo isso para haver uma interatividade com o apreciador, fazendo-o ter uma experiência que jamais esquecerá.

Você pretendem levar todo o conceito gráfico desenvolvido para o álbum para o palco da turnê?

Sim, pretendemos levar o conceito gráfico para o palco, e estamos muito empolgados com isso, pois tem muita coisa para explorar, desde as luzes interagindo com todos e dando as cores ideais para cada parte, com lasers e tudo mais. Será um show muito bonito de se ver.

Como tem sido a aceitação do novo disco, e da banda, aqui no Brasil e no exterior? Em que países o grupo tem tido uma melhor aceitação?

A aceitação do novo disco tem sido excelente, melhor impossível. Fomos o terceiro CD mais vendido no mês passado segundo a revista Roadie Crew, sendo o primeiro nacional, ficando atrás somente do Slayer e do After Forever, e isso indica muita coisa!

Acredito que é na Espanha, onde tudo começou, que temos maior aceitação, mas agora estamos bastante focados no Brasil e queremos muito mais aceitação no nosso país!

Como será a turnê do "Mind Over Body" pelo Brasil e pelo exterior? Já existem shows agendados?

A turnê do "Mind Over Body" será rodeada de surpresas no palco! Começaremos aqui no Brasil, onde estamos agendando vários shows no interior, no sul e sudeste (você pode acompanhar as datas que estão sendo fixadas no nosso site: www.mindflow.com.br), e em 2007 iremos continuar a turnê na Europa. Vai ser muito bom!

O primeiro álbum, "Just The Two Us... Me And Them", girava em torno de uma história conceitual desenvolvida a partir de uma experiência vivida pelo guitarrista Rodrigo Hidalgo. Você poderia dar mais detalhes deste acontecimento para a gente?

Tudo aconteceu muito antes do MindFlow existir, eu nem conhecia o Rodrigo ainda, mas toda a história é surpreendente e, quando a ouvi pela primeira vez, tive uma sensação muito esquisita.

Rodrigo tinha um primo, piloto de avião, que era como um irmão. Um certo dia ele sonhou que seu primo sofrera um acidente fatal, mas resolveu não falar nada para não preocupar ninguém, afinal, sonho é sonho. Passaram-se alguns dias e o sonho se tornou realidade! Foi um choque, imagina como ele se sentiu. Deveria ter contado? Mudaria o destino de seu primo?

Um tempo depois, o Rodrigo chegou em casa e havia uma cartomante sentada com sua mãe. Ele nunca a tinha visto e ela tão pouco. Ele a cumprimentou e continuou em direção a seu quarto, quando ela parou e disse: "Você tem uma pessoa vestida de branco que te acompanha por onde quer que vá. Você sabe quem é?".

Bom, vocês podem imaginar como o Rodrigo se sentiu escutando o primeiro CD, "Just The Two Of Us... Me And Them". Foi uma grande honra para todos nós poder fazer esta homenagem em forma de música a tal fato.

Tanto "Invisible Messages", do primeiro disco, quanto "Thousand Miles From You", do segundo, são belíssimas baladas onde se percebe uma grande influência de Dream Theater. Você diria que o grupo possui um talento especial para compor este tipo de canção?

Ricardo, você se esqueceu de mencionar outra balada nossa, "Just Water, You Navigate", onde mostramos um outro lado composicional (risos). Mas sim, o grupo possui um talento especial para compor este tipo de composição.

Ainda falando sobre "Thousand Miles From You", ela possui um potencial radiofônico e comercial imenso. Vocês não pensam em lançá-la como single ou até mesmo gravar um videoclipe para esta música?

Não, não pensamos em um single ou videoclipe para ela por enquanto, mas é de se pensar, pois é muito bela e realmente tem um potencial radiofônico.

Mais do que a música até, o que mais me chamou a atenção no MindFlow desde que ouvi o primeiro trabalho da banda foi a pretensão em desenvolver um trabalho de qualidade, que não ficasse devendo nada aos principais medalhões do estilo mundo afora. A minha sensação era a de estar ouvindo um álbum de uma banda madura, com mais de dez anos de carreira, e não os primeiros registros de um novo grupo. A minha pergunta é: você ficou plenamente satisfeito com o resultado alcançado tanto em "Just The Two Of Us... Me And Them" quanto em "Mind Over Body", ou sentiu que a banda ainda não conseguiu registrar em estúdio todo o seu potencial?

Cada época é uma época, sempre que estamos num trabalho damos nosso melhor e usamos tudo que sabemos para torná-lo o melhor possível. Fiquei plenamente satisfeito com o resultado alcançado tanto em "Just The Two Of Us... Me And Them" quando em "Mind Over Body", pois tanto eu como os outros demos nosso melhor e não medimos esforços. Sabemos que fizemos um excelente trabalho e continuaremos fazendo, sempre evoluindo. O potencial máximo está em cada trabalho nosso, pois é o máximo que podemos dar no momento, e nossa meta é sempre aumentar o nível. Acredito que cada trabalho finalizado é um grande aprendizado que abre novas portas para o horizonte! Seguimos sempre em frente.

O trabalho de marketing e divulgação do MindFlow tem sido excelente. Como sempre acontece nestes casos, a banda tem sido acusada pelos mais radicais de ser mais um "produto" do mercado do que um grupo propriamente dito. Como vocês lidam com este tipo de situação?

Lidamos com naturalidade. Quem nos conhece sabe o esforço que temos e as horas que dedicamos de nossas vidas ao MindFlow. Somos mais que um grupo, somos uma família e creio que tais comentários sejam normais, pois estamos apenas no segundo CD e já conquistamos muita coisa. Focamos no trabalho e nada mais.

Eu senti em "Crossing Enemy's Line" uma similariedade, em termos estruturais, com "The Glass Prison", canção que abre o álbum "Six Degress Of Inner Turbulence", do Dream Theater. Isso foi proposital ou apenas uma coinciência?

Você é a primeira pessoa que ouço dizer isso (risos), apesar de não concordar... Mas foi apenas uma coincidência.

Falando no grupo de Mike Portnoy, qual é, na sua opinião, o tamanho da influência do Dream Theater no som do MindFlow?

O Dream Theater é a maior banda de progressivo da atualidade. Gostamos do som deles, mas não são os únicos que nos influenciam.

Que outros grupos então, na sua opinião, podem ser considerados as principais influências do MindFlow?

Black Sabbath, Megadeth, Rush, Pink Floyd, Savatage e Ozzy Osbourne.

Upload-Spirit" e a própria "Crossing Enemy's Line" apresentam algumas características mais modernas, como riffs influenciados pelo chamado new metal e elementos eletrônicos, que apontam para o futuro do estilo. O caminho natural é que estes elementos estejam ainda mais presentes nos próximos lançamentos, ou os experimentos com a sonoridade do grupo acabam por aqui?

Os experimentos com a sonoridade do MindFlow vão continuar até o último respiro, pois é isso que gostamos de fazer. Não sei se eles vão estar mais presentes nos próximos trabalhos, mas com certeza vamos continuar a experimentar! (risos)

Uma das principais características do primeiro álbum era o grande número de interlúdios e vinhetas ligando as músicas. Em "Mind Over Body" vocês preferiram seguir outro caminho, deixando estas intervenções de lado. A história não pedia isso ou foi uma decisão consciente, tornando a assimilação do álbum mais direta por parte dos ouvintes?

Foi uma decisão consciente, para ser mais direto, como se fossem contos rápidos onde se vira uma página e já começa outra história.


Miguel, você é um grande fã do Kevin Moore, certo? Falo isso porque também gosto muito do trabalho do cara, e percebi, principalmente no "Mind Over Body", uma influência bastante expressiva dele no trabalho que você desenvolveu. A melodia de teclado de "Hide And Seek", por exemplo, não faria feio em discos como "Awake" e "Images And Words".

Sim, sou um grande fã do Kevin Moore, adoro sua simplicidade. Em "Hide And Seek" fomos inspirados pelo filme "Jogos Mortais". Eu, o Rafael Pensado e o Rodrigo Hidalgo fomos ver no cinema logo depois de um ensaio e pegamos a última sessão, que acabou de madrugada. Ficamos surpresos com a originalidade do filme e das sensações que tivemos em várias partes, principalmente no final! Chegando em casa eu peguei o teclado e toquei a primeira coisa que veio em minha cabeça depois do filme, e no dia seguinte mostrei para os caras. Eles adoraram e, empolgadíssimos, começamos "Hide And Seek".

Agora que o nome do MindFlow vem crescendo gradativamente e alcançando destaque, vocês pensam em assinar contrato com uma gravadora ou pretendem continuar lançando os seus discos de forma independente?

Só iremos assinar com uma gravadora se for algo que seja melhor do que estamos fazendo. Já estivemos com duas aqui no Brasil e, acredite, estamos melhores independentes!!!

Miguel, valeu pela entrevista. Gostaria que você deixasse um recado para os leitores do Whiplash!.

Caros leitores do Whiplash!, espero que tenham gostado de minhas palavras! Agradeço por essa oportunidade em nome de todos do MindFlow, a todos vocês e a você, Ricardo Seelig, por essas grandes perguntas onde tentei responder da melhor maneira possível. Um grande abraço e até mais!



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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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