Iron Maiden: Em 1999, a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith

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Por Ronaldo Costa
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Em 10 de fevereiro de 1999 foi anunciado oficialmente o retorno do vocalista Bruce Dickinson e do guitarrista Adrian Smith ao IRON MAIDEN, quando a banda passou a ser um sexteto. Em toda a sua história, essa é a formação mais duradoura da Donzela.

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Adrian Smith havia deixado a banda após a turnê de divulgação do álbum "Seventh Son Of A Seventh Son" e sua saída sempre foi lamentada por boa parte dos fãs, dada toda a sua habilidade como guitarrista e compositor, além do entrosamento impressionante com o parceiro Dave Murray. No entanto, o Maiden trouxe para seu lugar o bom Janick Gers, que havia tocado no primeiro álbum solo de Bruce Dickinson ("Tatooed Millionaire") e ainda tinha no currículo a passagem como guitarrista da banda solo de Ian Gillan. Com essa formação, a banda gravou os álbuns "No Prayer For The Dying" e "Fear Of The Dark", que apostavam numa sonoridade mais crua e até mesmo num flerte maior com o hard rock.

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Quando Bruce Dickinson saiu do Maiden em 1994, alegando diferenças musicais, muita gente temeu até mesmo pela continuidade da banda, já que foi com ele, na posição de frontman, que o Maiden conquistou o mundo e se tornou uma das mais influentes e maiores (talvez a maior) bandas de heavy metal de todos os tempos, de forma que sua imagem era tão atrelada à da banda que era quase impossível imaginar os 2 separados. Para seu lugar o grupo trouxe o então desconhecido Blaze Bayley, que vinha do WOLFSBANE, supostamente após um concurso mundial para escolher o novo vocalista. Com Blaze, a banda viria a gravar os álbuns "The X Factor" e "Virtual XI" que, a despeito de suas qualidades, dividiram as opiniões entre os fãs como em nenhum outro momento da carreira da banda. Paralelo a isso, Bruce, após seguir por outras tendências musicais em seus 2 primeiros álbuns após a saída da Donzela ("Balls To Picasso" e "Skunkworks"), convocou o antigo parceiro Adrian Smith para sua banda solo, onde voltaram a fazer um heavy metal clássico, com os lançamentos de "Accident Of Birth" e "The Chemical Wedding", até hoje tidos como 2 dos melhores discos de heavy metal dos últimos anos.

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Numa época onde algumas bandas clássicas anunciavam reuniões, tudo isso, como não poderia deixar de ser, gerou um sem-fim de boatos sobre o reencontro entre Bruce e Adrian representar o primeiro passo para uma volta da formação clássica do IRON MAIDEN. No entanto, a esperança de essa ideia se concretizar parecia remota, já que ambas as partes negavam. Não apenas isso, parecia algo improvável mesmo, já que até mesmo algumas trocas de farpas entre Bruce Dickinson e Steve Harris aconteciam, por meio de entrevistas.

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A desconfiança em relação a Bayley se transformou em rejeição por parte de alguns fãs durante as turnês da banda naquele período, onde o vocalista não conseguia atingir performances no nível que os fanáticos pelo Maiden esperavam. A pressão cada vez maior fez com que os outros integrantes também começassem a considerar que Blaze não havia sido a escolha correta para o lugar de Dickinson. Durante a turnê de divulgação de "Virtual XI", o descontentamento tornou-se mais evidente, chegando aos limites do tolerável. Notadamente, na parte sul-americana da turnê, no final de 1998, o clima interno na banda parecia péssimo. Publicações daquele período relatavam que Bayley era conduzido aos shows em veículo separado do restante da banda, chegando ao ponto de algumas revistas publicarem que Andi Deris, do Helloween, então em turnê com o Iron, teria afirmado que não sabia quanto tempo mais Blaze conseguiria permanecer na banda.

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Mais ou menos no mesmo período, Bruce Dickinson cancelou uma turnê que faria pelos EUA com o Anthrax. Pouco tempo depois, segundo conta a história, foi visto na França conversando com Janick Gers. Os boatos sobre uma possível volta de Bruce ganharam mais força ainda. No entanto, várias pendências teriam que ser resolvidas, como os compromissos que Bruce tinha em carreira solo e a aceitação de Steve Harris. Além disso, o vocalista não queria perder o vínculo artístico com o amigo Adrian Smith, de forma que sugeriu a volta do guitarrista ao Maiden juntamente à sua própria volta. No entanto, ninguém queria e nem tinha motivos para simplesmente tirar Gers da banda para um retorno de Smith. Então, o empresário Rod Smallwood, com toda sua habilidade de negociador, conseguiu tramar o que parecia impensável: Dickinson e Smith retornavam, Gers continuava e a banda passaria a contar com 6 integrantes, trazendo uma parede sonora de 3 guitarras.

O anúncio foi recebido com euforia no mundo inteiro. A banda já tinha programada uma pequena turnê pela Europa e EUA no meio do ano, para divulgação do jogo de computador "Ed Hunter". Esses shows acabaram ficando como a primeira celebração da então nova formação e servindo como um período de reentrosamento da banda. Após isso, todo mundo sabe o que aconteceu. O Maiden lançou no ano seguinte o celebrado "Brave New World" e saiu em turnê mundial, que inclusive passou pelo Brasil, com o show do Rock In Rio 3. Blaze Bayley iniciou carreira solo, que hoje já conta com 4 discos de inéditas, onde deu vazão ao melhor de sua criatividade e de suas habilidades como vocalista, trazendo ao mundo alguns dos melhores álbuns de metal dos últimos anos, como "Silicon Messiah" e "The Man Who Would Not Die", ainda que o reconhecimento e o sucesso comercial estejam aquém de toda a qualidade de sua obra.

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Nesse período o IRON MAIDEN lançou álbuns de estúdio e fez turnês, sejam turnês de divulgação de novo material, sejam turnês de verão, sejam turnês relembrando os períodos mais clássicos do grupo. Como dito antes, essa é a formação mais duradoura da história da banda e, de longe, o período mais estável em seu line-up, até mesmo pelo fato de os integrantes hoje serem todos homens maduros.

Já são mais de 80 milhões de discos vendidos, shows lotados em arenas de todo o mundo e uma história de credibilidade e integridade que poucas bandas conseguem igualar. Tudo isso levou o Maiden ao status atual de uma das maiores bandas de rock da história.

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu "Prowler" pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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