Motorhead: Lemmy fala da vida em L.A., guerras e política

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Por Nathália Plá, Fonte: LA Weekly, Tradução
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Gustavo Turner, da LA Weekly, entrevistou em janeiro de 2011 o frontman do MOTÖRHEAD e ícone do rock, Lemmy Kilmister. Seguem alguns trechos da conversa.

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LA Weekly: Há quanto tempo você está em L.A.?

Lemmy: 20 anos.

LA Weekly: O que fez você vir para L.A.?

Lemmy: Bem, tem o cenário musical, tem o music business, então faz sentido desse ponto de vista. E também, quando você cresceu na Inglaterra sombria e encharcada de chuva tem todas essas fotos de raios de sol, palmeiras, piscina, você pensa, será que isso é realmente legal? Então nós viemos aqui em turnê e foi legal, sabe. Porque você não faz idéia da diferença, sabe, da diferença na mentalidade, o sol brilhando quase o ano inteiro. Na Inglaterra tem garoa o ano inteiro. As pessoas dizem, "oh, é tão verde". Não é de se admirar, é essa água toda lá, sabe [risos].

LA Weekly: Você notou muitas mudanças em LA nos últimos 20 anos?

Lemmy: Alguém vem tentando fazer você parar de se divertir, é incrível. E todos negócios fecham, não às duas... eles fecham às 1:30. Alguns deles fecham até mesmo às 1, sabe. É uma pena. Não sei o que é. Eles vivem no paraíso e ficam atirando nos próprios pés. Não entendo. E como a Califórnia pode estar endividada está além da minha compreensão. Quero dizer, é o estado mais rico na União e está com tipo trilhões de dólares em dívidas. Que tipo de palhaços eles estão votando para representá-los, que desperdiçam isso tudo?

LA Weekly: E a respeito dos seus trajes militares e seu interesse na Guerra Civil e na Segunda Guerra? Por que você acha que essa temática de guerra continua voltando com artistas britânicos de sua geração? O Roger Waters parece ser fissurado por isto também. Pete Townshend...

Lemmy: Isso vem de um cara em um país que está em guerra no Iraque e no Afeganistão! É uma boa pergunta. Porque eles continuam fazendo guerra, é por isso. Porque nós não podemos deter a nós mesmos. Nó não podemos fazer com que parem de matar sem motivo a não ser ideologicos ou reliosos, como é nesses lugares. Ainda estamos lutando por religião. Eu não entendo isso, sabe. Qual o problema, todos são burros ou algo assim?

LA Weekly: Então, estudar as guerras do século 20 o ajuda a compreender as guerras agora?

Lemmy: Quando você coleciona relíquias de guerra você, tipo, você tem de aprender sobre a guerra em si. O que descobri sobre a Segunda Guerra foi que todos estavam completamente despreparados para ela, falavam bobagem sobre o que o outro lado estava fazendo a si próprios. E então os vitoriosos julgaram os derrotados e os enforcaram antes que eles pudessem dizer alguma coisa [risos]. Sabe, a coisa toda, política é bobagem. E o mundo ficou ainda mais político desde então. E não está nos ajudando em nada. Política é uma merda. Todos políticos são uns cuzões. Imagine querer ser um político. Que tipo de mentalidade se deve ter. Eu quero beijar bebês de outras pessoas por cinco anos, e então ocupar um alto cargo e aposentar? Ótimo. E roubar o dinheiro de todos. Ou então gastar o dinheiro de todos. Mesma coisa. É uma desgraça isso, não é? Políticos. Veja a Califórnia. Como eu estava dizendo, o débito da Califórnia. Aquele cara lá. Ele não gastou 50 bilhões de dólares em que quer que seja. Eu não gastei. Esses caras por trás do balcão [no Rainbow] não gastaram. Então diabos, quem gastou? Algum cuzão de terno com o cabelo igual o do John F. Kennedy, sabe.

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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