Jon Bon Jovi: mais trechos da entrevista com Larry King

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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Seguem abaixo mais trechos da história entrevista concedida por Jon Bon Jovi em 16 de agosto de 2006 ao programa de entrevistas da TV norte-americana Larry King Live.

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KING: Voltamos com Jon Bon Jovi. Não é segredo nenhum que você é um democrata liberal, certo, com convicções públicas no campo das causas democráticas e assume o que fala? Al Gore é um amigo muito próximo seu.

BON JOVI: Sim, ele é.

KING: Como isso começou?

BON JOVI: Nos conhecemos durante a administração de Bill Clinton e daí quando a hora dele lançar-se candidato se aproximava, eu oferecei meus serviços e me tornei o cara que aparecia mais em público com ele. E eu sempre contei pra todo mundo que eu acho que ele é o homem mais inteligente que eu já conheci. E, você sabe, a maneira da qual a eleição se desenrolou, mas permanecemos muito chegados. Nós nos encontramos socialmente e eu fico boquiaberto na frente dele. E agora esse filme é apenas, você entende, mais prova do quão inteligente e atencioso ele é.

KING: O que o público não sabe sobre Al Gore?

BON JOVI: Que Al tem um enorme senso de humor e personalidade quando as luzes se apagam, quando os microfones estão desligados. Ele conversa muito bem. Ele se lembra do nome de todo mundo. E ele é muito astuto sobre vários assuntos. Ele pode falar de música ou de política e ele pode conversar sobre esportes e sobre a família e ele é simplesmente um grande ser humano.

E você sabe disso melhor do que ninguém, mas houve uma pesquisa e, eles disseram, "Bem, eu gostaria de tomar uma cerveja com esse candidato," "Eu não quero tomar uma cerveja com esse candidato."

Eu quero sentar e ficar de boca aberta com o meu candidato. Eu quero sentar lá e dizer, "Você é o cara mais inteligente que eu já encontrei e como é que eu posso servir meu país de maneira melhor e o que eu posso fazer pra que meu país se uma," você entende, e...

KING: Você acha que artistas arrebatam votos para políticos?

BON JOVI: Não. E eu não tinha aspirações de ganhar votos pra político algum nem usei meu palco como palanque para pregar sobre política, porque você sabe, todo mundo contou aqueles momentos da eleição presidencial e disse a si próprio "E se eu tivesse feito algo, como teria feito?" Não funcionou. O país estava realmente dividido.

Nunca em minha vida eu tinha visto algo daquele jeito, muito vermelho ou muito azul. Eu me dei conta no dia seguinte que era nossa tarefa como cidadãos americanos tentarmos nos tornar roxos, porque tínhamos que seguir em frente.

E eu não ia nunca subir em meu palco e usá-lo como palanque para pregar minhas convicções políticas. Se eu estou no programa do Larry King ou estiver numa convenção, eu posso tomar partido. Eu sou um cidadão. Eu sou um pai. Eu sou um sujeito preocupado. Mas se você está me pagando para entreter você, eu vou cantar uma música e vou entreter você. E aí que o palanque é pra mim.

KING: Nós temos um e-mail de Yvonne «ph» em Baltimore. "Eu tenho sido sua fã por mais de 18 anos e minha pergunta é se você consideraria se candidatar a governador de Nova Jérsei? Eu acho que você ganharia."

BON JOVI: Não tenho aspirações para isso. Eu acho que quando você se torna um candidato, 50 por cento da população não gosta de você e isso é muito difícil de assimilar. Eu me pergunto o que motiva alguém a entrar na política, para ser honesto com você. Então eu segui um caminho diferente e é o da filantropia, como alguém que quer fazer uma diferença numa comunidade através da inspiração de todos, Republicanos, Democratas, Independentes, eu não me importo. Eu quero dar uma olhada na minha vizinhança e ver o que nós podemos fazer um pelo outro aqui.

KING: Sua mãe foi coelhinha da Playboy?

BON JOVI: Ela foi. Uma das coelhinhas originais. Quando o clube da Playboy era na rua 58 ou 59, ali perto do «hotel» Plaza.

KING: Você se lembra disso?

BON JOVI: Eu realmente fui lá quando era criança. Ah, se eu tenho histórias e fotos...

KING: «INAUDÍVEL»

BON JOVI: Elas tinham aqueles uniformezinhos pequenos e meu pai era esse fodão porque ele era casado com uma coelhinha da Playboy.

E eu já era nascido, na verdade, mas Lauren Hutton foi uma das originais, minha mãe foi uma das originais. Sim, história real.

E fuzileira. Meus pais se conheceram na Marinha. Mãe durona.

KING: Ela era fuzileira?

BON JOVI: Minha mãe foi fuzileira, sim.

KING: Fuzileira e coelhinha da Playboy?

BON JOVI: Sim.

KING: O que você acha de ‘American Idol’?

BON JOVI: Nunca assisti ao programa e eu sei que um garoto fez sucesso com "Wanted Dead or Alive", eu sei, mas nunca assisti ao programa.

No fim das contas, o que eu acredito é que o programa, como artistas, se algum desses caras ou garotas vai sobreviver, eles têm que começar a escrever suas próprias músicas. Então até lá eles são apenas cantores de baile.

KING: Então você não viu nada do show?

BON JOVI: Eu nunca, nunca assisti. Eu nunca vi o programa. E eu não estou dizendo isso como uma alfinetada no programa porque eu acho que tem sido incrível. O sucesso, Deus os abençoe, fico feliz que estejam usando minhas músicas. Eu só nunca assisti.

KING: O que você acha de celebridades vendendo fotos de seus filhos recém-nascidos? O fenômeno da revista "People". A Angelina Jolie, o Tom Cruise, esse aspecto do seu ramo.

BON JOVI: Eu não sei. Eu não sei. Eu não deveria tecer comentários sobre algo que eu nunca fiz.

KING: Manda ver, Jon.

BON JOVI: Se eu tenho que, eu tenho que achar que o que Angelina e Brad fizeram ao dar todo aquele dinheiro pra caridade, ela continua a me fascinar mais e mais dia após dia. Eu estou muito feliz por todas as coisas grandiosas que ela faz. Ela é uma inspiração agora. Então isso parece uma excelente idéia. Eles fizeram dinheiro para doá-lo. Eu gosto disso.

Fotos dos meus filhos, eu não compartilho. E minha esposa foi bem certeira nesse ponto. Ela explicou pro meu filho, seu pai é famoso. Ele é famoso porque ele compôs muitas músicas e tocas essas músicas para as pessoas. Vocês são crianças, vocês não são famosos. Quando vocês ficarem famosos um dia por fazerem algo, daí vocês podem ter suas fotos nessas revistas. Até lá, sejam crianças.

E é a maneira que vivemos isso.

KING: Voltamos com mais Jon Bom Jovi. O novo CD é "Have a Nice Day", um grande sucesso. O que você acha delas, que acabaram de estar nesse programa, as Dixie Chicks?

BON JOVI: Sou um grande fã, de verdade.

KING: Tanto do talento como das opiniões políticas?

BON JOVI: Olha, elas foram castigadas por um comentário que elas fizeram no palco que honestamente, eu já ouvi bem piores e eu as admiro como compositoras e as aplauso por se defenderem, por que isso é patriótico.

Nós temos que poder expressar o que pensamos. Agora talvez – elas foram escrutinizadas por isso – deve ser muito difícil, muito difícil. Mas eu realmente as admiro como artistas.

KING: Eu quero passar outra pergunta vinda por email. Essa é de Anne, de LawrenceVille, Geórgia. "Com todo o sucesso tanto com o grupo quanto a nível pessoal, você já pensou em escrever um livro sobre suas extraordinárias experiências?"

BON JOVI: Bem, o livro ainda não está escrito e é assim que eu vejo isso. Eu estou na metade da minha vida. Com certeza não é hora para uma autobiografia aos 44 anos. Tem tanto mais que eu quero conseguir, ou pelo menos aspiro a.

Talvez um livro de memórias, um momento no tempo se você permitir, mas certamente não pronto para a autobiografia.

KING: Por que Nova Jérsei está na moda de novo?

BON JOVI: Eu não sabia que estava.

KING: É a nova bossa.

BON JOVI: É?

KING: As pessoas de Jérsei.

BON JOVI: Ah.

KING: As pessoas falando sobre Jérsei.

BON JOVI: Bem, estava na hora. Deixe que eu te diga. Eu não sei se Jérsei jamais esteve na moda.

KING: Talvez eu não devesse ter dito ‘de novo’.

BON JOVI: Temos sido chamados de a capital mundial da postura. Nós vivemos à sombra da maior cidade do universo, Nova Iorque e nós – nossos times que jogam em Jérsei são o New York Giants e o New York Jets. Nós temos um baita complexo de inferioridade. Então fico feliz de estarmos na moda esse ano. É bem divertido.

KING: Foi o estado que deu Frank Sinatra pro mundo.

BON JOVI: Vamos falar sobre Frank.

KING: Claro. Falar o quê dele?

BON JOVI: Meu herói, meu modelo, número um.

KING: Claro.

BON JOVI: Por muitas razões. Ele excursionou até os 80 anos. Fez 60 filmes. Elegeu um presidente. Passou pela porta de frente de Las Vegas com Sammy em seu braço e disse, "Se você não gostar, eu vou embora." Generoso além de generoso, dentre todas as coisas que eu li nos livros. E meu único arrependimento em minha carreira, somente, é que eu não o conheci. E eu tive a oportunidade. Mas eu era jovem demais. Eu era jovem demais e não estava pronto pra isso. Estrepei-me.

Me pediram muitas noites pra ir ver Frank, ir e ver Frank. Você se lembra daquela história clássica que eu estava contando antes sobre a Rolling Stone e minha mãe foi pra trás do palco e pediu que ele a autografasse, ela disse, "Esse é meu filho, ele é um grande astro do rock." Ele escreveu um pequeno bilhete. Ele foi tão gracioso pra ela quanto eu imaginei que ele seria e eu tive as oportunidades e não estava pronto. Agora eu poderia sentar e conversar com ele por horas.

KING: Você teria gostado dele.

BON JOVI: Eu não sei se ele teria gostado de mim, mas eu teria gostado dele.

KING: Porque ele não gostaria de você?

BON JOVI: Eu não sei...

KING: Ele gostava do Bono.

BON JOVI: E eu amo Bono. Mas, "The Way You Wear Your Hat." Você leu aquele livro? Eu li duas vezes. Pelas conversas com o Sr. Sinatra, eu teria realmente gostado de ter encontrado aqueles caras. Todos eles, Dean, Sammy.

Eu fiz um programa de televisão para uma emissora italiana aqui em Nova Iorque, em 1984, no começo de nossa carreira e Sammy estava debilitado na época e ele estava caminhando rumo ao pequeno palco do estúdio de TV e ele estava de bengala, muito lentamente, e tão logo aquelas luzes se acenderam e eu vi o diretor mandar, três, dois, um pra Sammy, a bengala se foi, os óculos se foram, e o showman apareceu de novo. Eu nunca esqueci aquilo. Você vê? E essa é a mágica da performance. E ninguém pode explicar isso pra alguém que é leigo que não entende o que é isso. Você tem que ter feito aquilo em algum período de sua vida. Minha esposa, mais uma vez ela, sempre disse, que eu poderia me apresentar degolado. Eu não me dou conta da dor.

KING: Bem, você teve uma carreira extraordinária e você só tem 44 anos.

BON JOVI: Até agora.

Mais trechos da entrevista podem ser vistos no link abaixo.




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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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