Duff McKagan: a espiral descendente após os "Illusion"

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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Do primeiro capítulo da biografia do músico, 'Ot's So Easy (And Other Lies)'.

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Ao longo da turnê de Use Your Illusion eu tinha gravado canções pra um trabalho solo, me enfiando em estúdios aqui e ali. Esse projeto tinha servido em grande parte como uma maneira de passar o tempo que, de outro modo, eu teria passado bebendo, e eu não sabia pra que serviriam as demos, honestamente.

Uma delas – minha versão de “You Can’t Put Your Arms Around a Memory” de Johnny Thunders – acabou em ‘Spaghetti Incident’ do GN’R, o disco de covers que lançamos logo ao fim da turnê de Use Your Illusion.

Eu toquei um pouco de tudo ao curso das sessões – bateria, guitarra, baixo. Eu cantei também, e se você ouvir ao disco, fica claro que eu não conseguia respirar pelo nariz em algumas das músicas. Daí em algum ponto durante a turnê, um empregado da gravadora que estava na estrada conosco perguntou pra onde eu sumia nos dias de folga. Eu disse a ele. Quando Tom Zutaut, que tinha contratado o Guns para a Geffen Records, soube das demos, ele perguntou se eu gostaria de fazer um contrato solo. A Geffen, disse ele, poderia lançar as faixas num disco. Eu sabia que ele estava provavelmente sendo mercenário a respeito – nessa altura, o Nirvana e o Pearl Jam tinham estourado, e Zutaut provavelmente deduziu que capitalizar em cima de minhas raízes de Seattle e conexões punk poderia ajudar o selo a reposicionar o GN’R.

Mas eu não me importava. Pra mim era uma chance de realizar um sonho. Eu tinha crescido idolatrando Prince, que tocou mais de vinte instrumentos em seu disco de estréia, que tinha a fabulosa escrita nos créditos: ‘escrito, composto, tocado e gravado por Prince. ’

Legal, meu próprio disco feito da maneira que Prince fez o dele – quase todo tocado por mim – sendo distribuído ao redor do mundo.

A Geffen apressou tudo para que Believe In Me saísse no verão do hemisfério norte em 1993, ao mesmo tempo em que a turnê dos Illusion estava acabando. Axl falou sobre isso durante os últimos shows. E eu até comecei a promover o disco enquanto o Guns ainda estava na Europa – em uma sessão de autógrafos na Espanha, apareceu tanta gente na rua que a loja de discos teve que ser fechada pela polícia com equipamento anti-choque.

Eu tinha agendado uma turnê solo que começaria imediatamente após os últimos shows do GN’R – duas apresentações finais em Buenos Aires, Argentina, em julho de 1993. Minha turnê mundial solo me levaria a tocar apresentações de exibição em São Francisco, Los Angeles e Nova Iorque, e daí para abrir uma turnê do Scorpions pela Europa e Reino Unido. Voltando para Los Angeles da Argentina, eu reuni um grupo de amigos e conhecidos para me apoiarem na turnê. Eles já tinham começado a ensaiar antes deu chegar em casa. Juntos, fizemos uma preparação nas coxas para a turnê.

Axl ouviu dizer que eu estava planejando em voltar a excursionar. Ele me ligou.

“Você ta louco, porra? Você não deveria voltar a sair em turnê agora. Você é louco só de pensar nisso.”

“É o que eu faço,” eu disse a ele. “Eu toco música.”

Eu também sabia que se eu ficasse em casa, isso provavelmente levaria a mais insanidade nas drogas.

Eu não tinha nenhuma ilusão quanto a ficar sóbrio, mas pelo menos na estrada – com uma banda composta por velhos amigos do punk-rock de Seattle – eu achei que eu tinha uma chance de tirar o pé do acelerador. E ficar longe da cocaína. Se eu ficasse em Los Angeles, a tentação de cocaína prontamente disponível seria provavelmente demais para eu resistir. Os empresários do GN’R mandaram Rick ‘Truck’ Beaman, que tinha sido meu segurança pessoal na turnê de Use Your Illusion para me acompanhar em minha turnê solo também. Nesta altura da coisa a preocupação dele comigo parecia ir além de seus encargos profissionais. Ele tinha desenvolvido um interesse pessoal, como amigo, em tentar limitar os danos que eu estava causando a mim mesmo. Agora, finalmente nossos objetivos tinham sido alcançados – pelo menos no que dizia respeito à cocaína.

Mas Axl estava certo. Antes do primeiro show em São Francisco, a minha então esposa, Linda, entrou numa briga de socos nos bastidores com outra garota e perdeu um dente. Sangue espalhado por todo canto.

Os Hell’s Angels lotaram o show no Webster Hall em Nova Iorque, e brigas estouravam.

Eu gritei para que a platéia se acalmasse, achando que eu poderia de algum modo fazer uma diferença.

Depois do show, as pessoas queriam vir pro camarim, mas eu queria ficar sozinho.

“Estou cansado demais”, eu disse à segurança. “Eu não agüento.”

A letra de “Just Not There”, uma das músicas de Believe in Me que estávamos tocando, ecoava em minha cabeça:

Sabe, eu olho, mas não consigo encontrar as razões

Para encarar outro dia

Porque eu tenho vontade de rastejar pra dentro,

Apenas desaparecendo, desaparecendo…

Eu promovi o disco como planejado até Dezembro de 1993. Ainda havia um fervor por tudo relacionado ao Guns, especialmente na Europa. As plateias conheciam minhas músicas e cantavam junto. À exceção do tecladista Teddy Andreadis, que tinha estado com o Guns na tour de Use Your Illusion e tinha excursionado com artistas do naipe de Carole King desde que ele mai tinha saído da adolescência, os membros da banda eram bem inexperientes com turnês por lugares grandes. A banda também tinha sido montada rapidamente, e não tinha coesão: tivemos uns atritos, incluindo uma troca de socos entre membros em um aeroporto em algum lugar da Europa.

A maior parte do tempo eu fiquei sem cocaína, apesar de que de modo algum aquilo tenha sido um tempo limpo. Houveram recaídas. Eu também troquei a vodka pelo vinho.(...)

Passar pro vinho foi tudo bem, mas o volume de vinho explodiu até que eu estava bebendo dez garrafas por dia. Eu estava tendo muita azia por causa de todo o vinho, tomando antiácidos o tempo todo. Eu não estava comendo, mas estava muito inchado; meu corpo estava muito mal.

No fim do trecho europeu da turnê, nosso guitarrista solo puxou uma faca pro nosso motorista na Inglaterra. Eu tive que despedi-lo – por sorte a turnê tinha acabado. Voltando a Los Angeles, eu liguei para Paul Solger, um velho amigo com o qual eu tinha tocado na adolescência em Seattle, e pedi que ele cumprisse o próximo trecho da turnê. Solger tinha se limpado nos dez anos desde que eu havia tocado com ele pela última vez; nem preciso dizer, eu não tinha. Ainda assim, ele concordou.

Minha banda e eu embarcamos pro Japão no começo de 1994. Lá, nós cruzamos com o Posies, uma banda pop veterana de Seattle. Eles vieram até nosso show e disseram que achavam que era legal que a nova versão de minha banda fosse tipo uma banda de all-stars do punk rock de Seattle. Bom saber. Eu ainda era Seattle.

Depois do Japão, tivemos algumas semanas de folga. Eu voltei pra Los Angeles antes da sequência da turnê na Austrália. Em casa, eu me sentia doente como nunca. Minhas mãos e pés estavam sangrando. Eu tinha sangramento nasal constante. Eu estava cagando sangue. Feridas em minha pele fediam. Minha casa em Los Angeles cheirava ao fedor que emanava de meu corpo abandonado. Eu me vi pegando o telefone para dizer aos empresários e à banda que nós não iríamos para a Austrália.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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