O chocante início da autobiografia de Peter Criss, do Kiss
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 08 de setembro de 2012
O baterista e membro fundador do KISS, PETER ‘Catman’ CRISS viveu uma vida incrível na música, das ruas do Brooklyn até as casas noturnas de Nova Iorque até os maiores picos do sucesso e excesso do rock.
Peter Criscuola percorreu um longo caminho desde a bateria caseira na qual ele batia sem parar quando era criança no Brooklyn nos anos cinqüenta. Ele passou por anos magros, violência na rua, e pela vibrante cena musical dos anos sessenta, mas ele sempre soube que se daria bem. O vindouro livro ‘Makeup to Breakup – My Life In and Out of Kiss’ é a jornada de Criss do dia em que ele jurou que um dia tocaria no Madison Square Garden até ele de fato fazê-lo. Sua autobiografia, ainda sem previsão para lançamento em português, relata os perigos do estrelato, a mortalidade vinda através do abuso de drogas, flertes com o suicídio, dois casamentos destruídos e uma dura batalha vencida contra o câncer.
O que segue agora é um trecho traduzido do primeiro capítulo da obra.
CAPÍTULO UM
(...) Eu cheguei ao mundo no dia 20 de dezembro de 1945, pelos pés, bunda pra trás, forçado. Eles não tinham cesariana naquele tempo, então tiveram que me tirar com um fórceps, igual àqueles que você usa pra saladas. Minha mãe, Loretta, disse que a coisa foi tão dolorosa que ela não quis mais ter mais filhos depois de mim. Claro, ela teve mais quatro.
Eu também era impaciente, saindo da barriga da minha mãe prematuramente, dois meses antes, uma coisinha minúscula com cabelos pretos e compridos até o pescoço. As enfermeiras ficaram assustadas comigo; elas nunca tinham visto um bebê com tanto cabelo. O legal é que eu era uma criança bastarda. Minha mãe tinha engravidado, e daí ela me teve e daí ela e meu pai se casaram alguns meses depois. Mas me pai, Joe, não estava pronto pra sossegar. Ele era um bonitão italiano que adorava dança de salão. Minha mãe disse a uma de minhas irmãs que meu pai sumira por três anos quando eu era moleque e depois voltou pra família. Mas ninguém nunca me contou isso.
Que família. Me batizaram de Peter pelo nome do pai do meu pai. Ele e a esposa dele, Nancy, se mudaram pros EUA vindos de Nápoles e se basearam em Hartford, Connecticut, onde tinham uma fazenda. Além de seus próprios filhos, eles adotaram um bando, então havia algo como vinte crianças na família. Meu pai nascera na fazenda, mas eventualmente o pai dele comprou um prédio para seis famílias no Brooklyn, onde ele arrumou emprego de pedreiro. Ele era um legítimo italiano que só falava italiano, então um dos caras do trabalho, pra zoar com ele, ensinava frases em inglês pra ele como ‘Vai se fuder, vai tomar no cu, eu gostaria de uma buceta’. Ele não entendia o que aquilo significava. Um dia ele veio pra casa do trabalho e minha avó estava cozinhando e ele disse, ‘Hey, vai se foder, chupa minha rola’. Minha avó surtou e meu pai teve que contar a ele que aquilo não se dizia, e daí o velho ficou puto e no dia seguinte foi até o trabalho e trucidou o colega de trabalho na porrada.
Eu adorava visitar meu avô. No quintal dele havia parreiras, beterrabas e tomates. Eu sentava no colo dele no quintal como se ele fosse O Poderoso Chefão. Ele tinha um chapelão, as calças grandes com o cinto, e o suéter grande com furos. Ele era alto, com 1,85, um homem muito bonito. Ele criava pombas, e no sótão ele tinha um monte de coelhos em uma gaiola que eu brincava. Minha mãe me dizia que um dia ela estava comendo o molho de massa dele e ela disse, ‘Está delicioso, Vovô. Meio gorduroso, mas gostoso. ’ Daí ela descobriu que era feito com coelho, e ela nunca mais comeu o molho deles de novo.
Ele era um cara casca-grossa. Ele não acreditava em médicos. Ele arrancava os próprios dentes com alicates. Ele era um católico fervoroso até que um dia ele foi até a igreja e pegou um padre comendo uma freira, e deu pra ele. Ele desistiu da religião depois de tomar uma dose boa de realidade. Eu realmente o amava, e tinha orgulho de ter o nome dele.
Mas eu não gostava da mulher dele, a Nancy. Ela costumava me quebrar na pancada. Minha mãe me disse que quando eu era bem novo, ela me suspendeu pelos pés e eu comecei a sangrar e eu literalmente sangrei pelo pênis. Eu me vinguei depois. Minha avó se mudou pra nossa casa mais pro fim da vida dela. Ela sentava na cozinha reclamando, boquejando, o pé sempre de molho em água com sal. Ela sempre queria as coisas, e me xingava em italiano. Um dia meu amigo Vinnie veio pra brincar de cowboy e ela ficou irritada porque estávamos nos divertindo, então fomos até a ferrovia, ficamos pelados e corremos pela casa, atormentando-a. Ela não podia fazer nada porque estava numa cadeira de rodas. Finalmente meu pai chegou em casa e ela grunhiu algo pra ele. Ele veio até nós e disse. "O que?! Você ficou pelado na frente da sua avó?"
"Por que eu faria isso, pai?", eu disse, todo inocente. "Eu vim pra casa pra largar os livros. Almoçamos e saímos. Ela está vendo coisas." Ela estava ficando meio senil, então ele abraçou e ela ficou furiosa. Eu me vinguei por todos aqueles anos nos quais ela abusara de mim quando eu era pequeno.
Durante minha infância, eu nunca de fato conheci o pai de meu pai, meu avô George, de quem eu também tinha herdado o nome. Ele era um gigolô que tinha abandonado minha avó quando minha mãe e o irmão dela eram bem novos. O irmão dela, meu tio George, nunca perdoou o pai dele por desertá-los. O velho mal aparecia em Nova Iorque, mas costumava me mandar coisas do mundo todo: botas de cowboy, artesanato. Ele rodava o mundo porque ele ficava se casando com várias mulheres ricas. Depois de alguns anos de casar com uma, ele casava com outra. Ele era bem esperto. Ele lia o dicionário para se divertir. Quando ele se mudou pra São Francisco na casa dos setenta, e acabou fumando com todos os professores em Berkeley, e eles deram a ele um diploma, pra que ele pendurasse na parede.
Quando eu estava morando em Canarsie com minha primeira esposa, ele veio nos visitar com essa mulher bem rica de Amarillo. Ela era colecionadora de arte. Ela tinha comprado um bar pra ele. Daí ele largou dela e fez com que outra endinheirada comprasse um restaurante pra ele em Albany. Quando ele vinha ficar conosco, ele acordava de manhã, colocava uma camisa branca e uma gravata, e colocava uma rosa do lado da mesa onde minha esposa sentava. ‘Bom dia, querida. Como você está se sentindo hoje?’ Ele conhecias as palavras mágicas.
Eu o visitei anos depois em São Francisco quando ele era muito mais velho e tinha encontrado uma mulher boa e estavam morando em um trailer. Tomamos banho juntos no chuveirão do parque do acampamento e daí ele se virou, e ele era dotado como um cavalo. Ele não tinha uma rola, ele tinha o braço de um bebê! Meu avô viu minha cara de surpresa e disse, ‘É por isso que me dou tão bem na vida. Sou um garanhão’ Eu nunca tinha ouvido esse termo antes. ‘É um homem que sabe usar seu pau. Eu nunca trabalhei um dia na minha vida, porque quando uma mulher prova isso aqui, já era’, ele explicou. (...)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu atualiza situação de Dave Murray: "Tenho fonte próxima do Iron Maiden"
Andreas Kisser posta foto da formação clássica do Sepultura em seu Instagram
Grade de atrações do Bangers Open Air 2026 é divulgada
A banda britânica que ensinou Andreas Kisser a tocar guitarra
Os discos do Slipknot e do SOAD que fizeram o Metallica repensar os seus próprios álbuns
José Norberto Flesch crava quem será a nova vocalista do Arch Enemy em seu perfil no X
Lauren Hart no Arch Enemy? Nome da vocalista explode nos bastidores; confira o currículo
Elton John elege a maior canção de rock de todos os tempos; "não há nada melhor que isso"
As melhores músicas românticas de 11 grandes bandas de metal, segundo o Loudwire
Ex-vocalista se recusa a autografar último álbum que gravou com o Fear Factory
O festival que "deu um pau" em Woodstock, conforme Grace Slick
A opinião contundente de Andre Barcinski sobre "Lulu", do Metallica; "Tudo é horrível"
Surra anuncia pausa nas atividades por tempo indeterminado
Iron Maiden saberá a hora de encerrar suas atividades, segundo Dave Murray
A música quase descartada que se tornou a tablatura de guitarra mais pesquisada no mundo


O artista que influenciou o Kiss e quase fechou banda com o Jimi Hendrix Experience
Blackie Lawless puxa a orelha de Gene Simmons por comentário desnecessário sobre Ace Frehley
Membros do Public Enemy e Red Hot Chili Peppers discordam de Gene Simmons
O gênero musical que nunca será tão relevante quanto o rock, segundo Gene Simmons
Gene Simmons explica por que o rap não diz nada pra ele como o rock'n'roll
"I Was Made For Lovin' You", do Kiss, ultrapassa um bilhão de views no YouTube
A introdução de rock que Dave Grohl chama de "a maior de todas"
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
A lenda do rock que ficou anos sem falar com Slash; "eu disse uma besteira sobre ele"
A opinião de Gene Simmons sobre o Sepultura que deve agradar aos irmãos Cavalera
Os 50 melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, em lista da Classic Rock


