Mick Wall: contos de horror e prazer do maior jornalista do rock
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 27 de junho de 2015
MICK WALL é um dos jornalistas e escritores do segmento ‘rock’ mais conhecidos e cultuados de sua geração [isso no primeiro mundo, aqui no Brasil quem compra revista tem que ler o autor chamando a Vivian Campbell de ‘guitarrista mulher de DIO’ ou empresário pondo banda de propriedade ele em capa, pôster, figurinha e site]. Wall contribui há muito com o segmento editorial roqueiro bretão e estadunidense, e escreveu paras as revistas SOUNDS e KERRANG! Nos anos 70 e 80, fundou a revista videográfica HARD N’ HEAVY, trabalhou como relações-públicas para o THIN LIZZY e foi editor da CLASSIC ROCK.
Ele também foi citado em um chilique público de W. AXL ROSE na faixa ‘Get In The Ring’.
Wall escreveu e publicou várias biografias aclamadas de rock stars nos últimos anos – Led Zeppelin, The Doors, Metallica e AC/DC. Seu mais novo título, ‘Getcha Rocks Off’, é um apanhado de memórias pessoais de uma carreira na qual ele viveu o rock n’ roll ao máximo.
Getcha Rocks Off está repleto de histórias de uma era de ouro do rock, e segredos das pessoas que a fizeram. Alguns pontos altos do livro – traduzidos – podem ser lidos abaixo.
IRON MAIDEN
Wall escreveu muitas resenhas altamente positivas de discos do Maiden nos anos 80. Ele também foi o autor da autobiografia oficial da banda, ‘Run To The Hills’. Mas em Getcha Rocks Off, ele revê sua posição a respeito de um membro da banda. ‘O vocalista do Maiden era um sujeito cheio de pompa chamado Bruce Dickinson. Ele nunca conversava com você, ele falava para cima de você. Não era raro alguém fazer um sinal pedindo ajuda quando quer que fosse que ele já estivesse tagarelando para cima de você por muito tempo. O cara era talentoso, sem dúvida, mas ninguém sabia melhor do que Bruce o tanto de talento que ele tinha. Pra ele, sorte sua que você o conhecesse’.
RATT
No fim dos anos 80, Wall estava morando em Los Angeles, e explorando ao máximo a hospitalidade de uma banda pra qual ele não dava a mínima. A banda era o Ratt, cujos primeiros álbuns haviam vendido milhões nos EUA, mas cuja carreira havia atingido o ápice. No famoso hotel Sunset Marquis, o guitarrista Warren DeMartini estava tocando ‘Detonator’, o novo álbum do grupo, para Wall. Mas a sessão de audição logo virou uma farra de três dias regada a cocaína na qual eles receberam a SLASH, LARS ULRICH e um pelotão de ‘minas’, além de vários outros parasitas. "O álbum do Ratt foi só o meu motivo para ir", disse Wall. "Eu dei cinco estrelas ao disco rindo em retribuição àquilo. "
THIN LIZZY
Enquanto trabalhava como relações públicas para o Thin Lizzy, Wall foi apresentado à heroína pelo líder da banda, PHIL LYNOTT. Eles estavam em um camarim no mundialmente famoso clube londrino THE MARQUEE. Wall diz que ‘se curvou de horror’ quando Lynott esticou cinco carreiras da droga. Isso, ele dizia, ‘dar um salto assustado pra dentro do total hedonismo de um astro do rock, repleto com seu vício mais sujo’. Mas Lynott o avisou: "Eu não ofereço isso pra qualquer pessoa". Wall então deu uma bela cafungada, gostou de como agia sobre sua mente, e mais tarde naquela noite ele compraria sua primeira trouxinha de 10 Libras da substância.
LEMMY
Wall certa vez perguntou ao líder do MOTÖRHEAD a respeito de uma história famosa que ele acreditava ser uma lenda urbana. Dizia-se que Lemmy havia consultado um médico a respeito de seu vício em metanfetaminas, e que o médico o aconselhara a não parar, porque os efeitos sobre seu organismo seriam tão fortes que poderiam matá-lo. "Sim, é verdade", admitiu Lemmy. "Meu sangue havia virado um tipo de sopa orgânica – todo tipo de elementos que deixavam rastro estava nele". Wall então perguntou se ele havia reduzido sua ingestão de drogas após o diagnóstico. A resposta de Lemmy foi tipicamente seca. "Não reduzi tanto como eu a centralizei."
METALLICA
Quando o Metallica estava no auge da fama no começo dos anos 90 com ‘Metallica’, o baterista LARS ULRICH acabou virando uma caricatura de um astro do rock regateiro. Isso é algo que o próprio Lars admite publicamente hoje, mas o retrato que Wall pinta dele naquela época é brutalmente engraçado. "Lars disse que se sentia mais como parte do Guns N’ Roses do que do Metallica", ele lembra. "Ele até comprou uma jaqueta de couro branco igual à que Axl usava no vídeo de Paradise City. Todo mundo tirou sarro daquilo – JAMES HETFIELD mais do que todos os outros – mas Lars não parecia notar ou se importar. Ele estava comendo mais strippers do que o MÖTLEY CRÜE, andando em limusines maiores que as que o LED ZEPPELIN andava. E se você não gostasse disso, bem, você que fosse se fuder.
DON ARDEN
O finado pai de SHARON OSBOURNE, e ex-empresário dos SMALL FACES, BLACK SABBATH e ELO, Don Arden era um dos homens mais temidos da indústria musical. Apelidaram-no de Al Capone da Música Popular. Mick Wall foi o autor de sua autobiografia, ‘Mr. Big’. E durante as muitas entrevistas que viraram o livro, Arden provou que a idade não o havia amolecido. Lembrando de uma matéria indiscreta a seu respeito feita pelo jornalista Roger Cook para a BBC Radio Four, Arden disse: "Eu ainda o mataria se o visse. Eu o mataria vagarosamente, com sua esposa assistindo, se eu pudesse. "
DEF LEPPARD
STEVE CLARK, guitarrista e membro fundador do Def Leppard, morreu em 1991 aos 30 anos. A causa oficial da morte foi declarada como sendo uma overdose de codeína, mas Clark vinha lutando conta o alcoolismo fazia muitos anos. Wall diz que ele e Clark ficaram amigos durante a última turnê que o guitarrista fizera com a banda em 1988. Eles se conectaram à base de cachaça e cocaína. Wall descreve Clark como um tipo desesperadamente triste, com baixa autoestima, e afirma que Clark sentia-se incompreendido pelo vocalista do grupo, JOE ELIOTT. "Steve parecia ver a falta de compreensão de Joe como uma traição pessoal", diz ele. Joe, com certeza, vai se pronunciar a respeito disso…
OZZY OSBOURNE
Wall foi convidado certa vez à mansão de Ozzy e Sharon em Buckinghamshire para um jantar de domingo, preparado por Ozzy. Sim, sério. Wall chegou, Ozzy estava na cozinha, descascando cenouras e tirando ervilhas da vagem. E ele também estava sóbrio – e se comportando bem, diziam. Mas quando Sharon saiu da casa por um tempo, Ozzy começou a beber imediatamente. A bebida de escolha dele era vinho branco, em uma caneca de chopp. Ele matou duas ou três em questão de segundos. Quando o jantar foi servido, Ozzy já estava bêbado. "Cinco minutos à mesa, e a cabeça de Ozzy desceu suavemente até o prato até que repousou totalmente em meio a ervilhas e batatas. Ozzy começou a roncar, o molho de carne fazendo bolhas e ruído em volta de seu nariz. " Wall perguntou a Sharon se Ozzy estava bem. "Ele que se foda", ela respondeu. "Passe as cenouras, por favor. "
DAVID LEE ROTH
No auge da carreira solo de David, pós-Van Halen, Wall entrevistou o vocalista após um show em Massachusetts e de uma festa after-show na qual Roth e sua equipe haviam sido entretidos por mulheres nuas dançando, uma das quais concedeu uma lap dance a Wall em um canto mais isolado da coxia. A entrevista foi alimentada a heroína, cocaína, várias caixas de cerveja e uma garrafa de Jack Daniel’s para cada um deles. "O resultado", diz Wall, "foi a entrevista mais divertida e louca que eu já conduzi. Quando saímos daquele lugar quase doze horas depois, não era apenas o dia seguinte, era uma outra dimensão. "
W. AXL ROSE
A treta entre Wall e o sempre volátil vocalista do Guns N’ Roses se tornou pública em 1991, quando ‘Get In The Ring’ apareceu no álbum ‘Use Your Illusion II’. Mas Wall diz que Axl foi além daquilo de simplesmente insultá-lo em uma música. Ele afirma que no fim dos anos 80, no bar do Sunset Marquis, Axl ameaçou matá-lo. Os dois tinham discutido depois que Axl dizer em uma entrevista a Wall que queria bater no vocalista do Mötley Crüe, VINCE NEIL [fato esse que Wall defende até hoje e se diz possuidor de um registro em áudio] – a entrevista foi publicada, e então Rose afirmou que a ameaça a Neil fora uma invenção de Wall. Em seguida, Axl ouvira que o jornalista estava escrevendo um livro sobre o GN’R, e de acordo com Wall, Axl disse: "Eu não me importo se o livro disser que somos a maior banda do mundo. Eu vou te achar e te matar". Desde então, Wall não só escreveu de fato o livro sobre o GN’R, como também uma biografia de Axl. E não apareceu ninguém para matá-lo.
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