Ao invés de gastar com hi-res, compre os CDs do Iron Maiden de 1998
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 18 de agosto de 2015
Semana passada publicamos um artigo aqui no site a respeito da comercialização de remasterizações do catálogo pregresso da instituição britânica IRON MAIDEN finalmente conduzidas e sob engenharia específica para arquivos digitais em alta resolução; a empreitada é uma parceria da banda com a gigante japonesa do áudio e vídeo de ponta ONKYO [hoje proprietária também da marca Pioneer].
Já naquele texto levantávamos a possibilidade que tem sido fartamente discutida por diversos connoisseurs e peritos – e claro, todos estes fãs da banda – contra outros fãs da banda nem tão entendidos assim: a de que nem todos os remasters estejam de fato em estado digno de serem chamados de alta resolução.
Sendo breve: alguns dos títulos oferecidos na loja da Onkyo Music não atendem às especificações técnicas da indústria para se encaixarem na categoria Áudio em Alta Resolução. Estão todos em um padrão acima do Compact Disc, mas ainda assim, abaixo do que as diretrizes emitidas pelo conselho técnico responsável por tais parâmetros consideram como sendo Hi-Res Audio.
Pois foi só o que bastou para várias fãs se sentirem aviltadas, insultadas e agredidas e se manifestarem com argumentos vazios e retóricos; não foram aficionados em reprodução fonográfica que promoveram chiliques, e sim fã[náticos] por Iron Maiden. Quem já conheceu um brasileiro fanático por Iron Maiden conhece bem aquela mentalidade tacanha do tipo: para ele/ela, a banda nunca faz nada de errado, e eles acabam entorpecidos por uma lógica malufista [‘Eu não fui preso, eu fui é solto’].
Há várias maneiras de se verificar se o arquivo pelo qual você pagou está de acordo com o que é oferecido a você no anúncio do produto. A absoluta maioria dos players indica, mediante o comando apropriado, a profundidade em bits e a faixa dinâmica em kHz de uma música.
Tais leituras são infalíveis? Longe disso.
Tais leituras são camufláveis? Sim, são.
E há como executar leituras mais precisas de um arquivo? Com certeza.
O engenheiro John Siau, da Benchmark Media, escreveu ano passado um post altamente informativo, "What High Resolution Audio Is Not", que vai direto ao âmago da questão com a definição de áudio em alta resolução. A leitura do conteúdo do post na íntegra é altamente recomendável, mas segue aqui um trecho cabal dele, em tradução livre:
[…]
"Áudio em alta resolução NÃO É áudio em alta-resolução a menos que toda a gravação e sua corrente de execução/reprodução fonográfica sejam desempenhados em alta resolução."
[…]
Tal como Siau aponta sucintamente, se qualquer mecanismo ou peça de baixa resolução for introduzido na corrente de gravação ou reprodução, isso já basta para causar um resultado fonográfico de baixa resolução.
Por exemplo: se você reproduzir um arquivo – ou mesmo um disco de vinil – em 24-bit/192 kHz sendo que ele fora originalmente gravado em 16bits/44.1 kHz, o resultado digital não será em alta resolução. A mesma coisa de aplica quando o artista insere um trecho [como um sample de outra faixa mais antiga] em baixa resolução à mixagem; isso não se trata de áudio em alta resolução tampouco.
A situação fica um pouco pior quando até os engenheiros envolvidos no processo se confundem quando falam no tema. Quando o Iron Maiden anunciou no começo do ano, que relançariam todo seu catálogo em hi-res, o engenheiro de estúdio da banda disse:
"Quando muitas dessas fitas foram gravadas, era a alvorada do digital no começo dos anos 80 e apenas arquivos em 16 bit/44.1 kHz eram viáveis. Os conversores de analógico para digital são muito superiores agora, e claro que é possível produzir arquivos de resolução bem mais alta. "
Sim, correto – é possível, mas NÃO tendo tais fitas analógicas como fonte do sinal.
O melhor que Newton pode conseguir é uma cópia em alta resolução de uma gravação analógica em baixa resolução. Parece ser esse o caso da linha de remasters do Maiden à venda na loja da Onkyo.
Mesmo quando a banda tem a melhor das intenções ao promover uma iniciativa como a no caso do IM, o engenheiro acaba por estragar a gravação original – ou mudá-la demais. De novo, o lance com o Maiden é a prova viva disso. Mesmo se você não levar em conta as discrepâncias técnicas de tentar criar áudio em alta resolução a partir de gravações em baixa resolução [algo como fazer salada de frango usando titica de galinha], a maioria dos remasters recém-lançados da banda são bastante mais comprimidos do que sus versões originais.
O consumidor final [e bastante fã da banda para ir atrás de ditos aprimoramentos no som de títulos que ele já comprou outras vezes pelo mesmo motivo] fica entre duas opções: uma masterização em HD típica de nossa era ‘Loudness War’ ou gravações em CD altamente dinâmicas, mas em ‘baixa resolução’? Sendo assim, quem continuar com aqueles remasters de 1998 [aqueles cujas laterais dos jewel cases dos CDs formavam o rosto do Eddie quando enfileiradas, lembra? ] são uma boa escolha.
Acredite: você não perceberá a diferença.
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