Stoneria: No mundo ideal as bandas não deveriam pagar para abrir shows
Por Renato Sanson
Fonte: Heavy And Hell Press
Postado em 05 de novembro de 2015
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Muitas vezes nos perguntamos o que as bandas acham desse novo formato da indústria musical, sobre o exagero descontrolado de bandas que pagam para tocar, produções e etc... Portanto, a Heavy And Hell Press traz uma abordagem diferente e pergunta ao STONERIA o que eles pensam a respeito destes temas tão polêmicos, sendo respondido sem papas na língua pelo vocalista Zen, confira.
Algo que tinha sido praticamente extinto do mercado musical foram os Singles e EP’s. Porém, os mesmos retornaram com força total nesses últimos anos. Como vocês enxergam está volta?
Devido a mudança no modo de escutar música com o MP3 e celular, a música virou uma trilha sonora do dia. Pessoas escutam música trabalhando, lavando louça, limpando a casa, correndo, na academia, todas com os fones plugados escutando diversos artistas e seus grandes singles. O modo shuffle é largamente utilizado (veja por exemplo programas como Spotfy e Deezer), para isso é preciso ter grandes singles. O público prefere ter em seu celular trezentas músicas com as três faixas que eles mais gostam dos cem artistas preferidos. A necessidade de ter um trabalho com 10 faixas bem trabalhadas, foi substituída por três ou cinco faixas que sejam maçantes, pegajosas e curtas. Nós pertencemos ao fim da era do LP para início do CD, mas o conceito de escutar um trabalho de várias faixas se manteve nesta transição.
Não somos contra este modelo, aliás isso é dar murro em ponta de faca. Faz parte desta nova geração. Hoje a música comercial deve ser uma trilha sonora para o seu dia, não um álbum conceitual.
O cenário Rock em geral sempre teve um "problema" que encaro como uma doença incurável, que são bandas que pagam para abrir shows internacionais. Na visão de vocês até que ponto é válida esta questão?
Todo produtor ou empresa, seja a Skol, Nestlé, Samsung, IRON MAIDEN ou TITÃS, teve seu sucesso alcançado pela qualidade do produto (seja ele bem durável, consumo ou entretenimento) e pela propaganda que foi realizada. Se o produto não é bom a propaganda vai divulgar, mas ele vai cair no esquecimento após 15 minutos de fama. Pagar para abrir um show de uma grande banda, nada mais é do que pagar por um espaço para divulgar seu produto ou sua banda. O problema é que estes espaços podem ser tomados por bandas com qualidade muito baixa, mas que tem capital para investimento. Existem diversos artistas consagrados que fizeram isso, mas isso faz com que bandas de qualidade e que dependem da sorte de encontrar um empresário ou de cair na boca do povo, conquiste este espaço ou permaneçam onde estão: no underground. Trocamos a banda boa pela banda meia boca que tem dinheiro para o investimento.
No mundo ideal isto não deveria existir, é simples: se você é bom, então você tem o direito de abrir para esta banda grande, se você é ruim, melhore e tente mais tarde. Mas como este mundo não existe, deveria ter um equilíbrio entre pagar e ter qualidade.
Por conta do fácil acesso aos instrumentos, tecnologias e informação, tem mais gente atuando no cenário musical e acaba aparecendo mais quem tem melhores condições de "investir". O talento e a qualidade acabam ficando em segundo plano.
E sobre produção de eventos, o que falta melhorar hoje em dia para os produtores?
Tudo. Falta planejamento, estrutura, selecionar bandas de qualidade e local apropriado. No cenário underground as coisas acontecem com a união das bandas e o produtor, sem isso não sai do papel. Mas o ponto é que tudo acontece de última hora. O local às vezes é muito grande para o porte do evento (muito pequeno é raro) e as bandas selecionadas podem ser péssimas, só fazendo parte do evento ou para dar oportunidade, ou por serem amigas do produtor.
Mas temos que ser justos, muitos se desdobram para conseguir este espaço de qualidade e batalham pelo espaço das bandas de rock autoral - cover é uma rádio ao vivo. Está batalha é sofrida e muitas vezes tiram dinheiro do bolso para promover o evento, mesmo com o recurso escasso que tem. Além disso, no Brasil não existe um circuito preestabelecido de rock, não sabemos onde e como tocar do Oiapoque ao Chuí, portanto produtores ficam espalhados por este país gigante e dando tiro no escuro e se perguntado "onde fazer meu evento e ter retorno?". O modelo que parece funcionar é o de ter um local apropriado para o porte do evento, uma banda headliner que traga um bom público, vender ingresso a preço justo, chamar uma banda de abertura de qualidade e promover o evento com apoio de assessoria de imprensa.
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