David Bowie: o camaleão fez sua metamorfose final
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 11 de janeiro de 2016
10 de janeiro de 2016 marcará a partida física de David Bowie do planeta Terra, mas o legado desse artista multimídia é tão intenso que será sentido, desfrutado e compartilhado por décadas. O inglês influenciou do glam ao punk, do new romantic à electronica, passando pelo indie rock e grunge. De Queen a The Cure, de Joy Division a Culture Club; todos devem a esse artista sempre às voltas com o fantasma da esquizofrenia familiar. Seu irmão mais velho saltou para a morte de uma janela de hospício. No auge da fama, Axl Rose declarou que jamais conhecera alguém tão perturbado como Bowie.
As mudanças de visual de Lady Gaga e Madonna empalidecem diante das metamorfoses do Camaleão. Bowie mudava de visual, apelido, sonoridade, personalidade. No início dos 70’s, era drag, a cara de Lauren Bacal, quando declarou ser gay, depois bissexual. Depois, vieram a fase alienígena de Ziggy Stardust, a fase Aladdin Sane, sem sobrancelha (sacaram o trocadilho? A lad insane – doidérrimo de pó e medo de pirar de verdade), o Magro Duque Branco. O autoexílio em Berlim, para se desintoxicar e lançar as bases para o synth pop, junto com o Kraftwerk. E tanta coisa mais.

E sempre com alta qualidade. Decidiu fazer cinema: os críticos elogiaram seus desempenhos. Em 80, invocou de conquistar a Broadway: sua interpretação d’O Homem Elefante não tinha maquiagem deformante; ele representava a elefantíase contorcendo rosto e corpo. Elogios da severa crítica teatral nova-iorquina. Pintor, integrava o conselho editorial de uma das publicações mais in da área.
A importância desse homem está mais ou menos registrada no documentário David Bowie: Sound and Vision (2002), disponível em inglês, sem legendas no You Tube. Jonathan Pryce alugou seu sotaque podre de elegante para contar um pouco da história de Mr. David Jones aka Bowie.
Desde suas influências cinquentistas até os álbuns pós-comercialismo 80’s, o documentário louva o músico, ao mesmo tempo em que traça introdução decente a seu trabalho e vida pessoal. Porque o sobrenome Bowie, o relacionamento conturbado com Angie (mas, sem insinuações de brincadeirinhas com Mick Jagger), a afirmação de sua heterossexualidade e comentários sobre vários de seus álbuns, especialmente os 70 e 80tistas. Bowie é vasto e complexo demais pro tempo duma partida de futebol; cada fase mereceria um programa, mas, como aperitivo tá de bom tamanho.
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