Carcass: banda entrará em hiato após turnê com o Slayer
Por Tiago Dantas da Rocha
Fonte: BeatRoute
Postado em 24 de março de 2016
Por James Barager
A banda estava num processo de desligamento
Então assim começa a declaração de Jeff Walker, baixista e vocalista de um dos criadores do grindcore, o CARCASS, sobre o atual status da banda. Após um hiato de 11 anos que durou de 1996 até 2007, a banda de death metal do Reino Unido concretizou o seu retorno com o lançamento de 2013, o álbum Surgical Steel, e desde então eles tem feito shows constantemente. Entretanto, eles estavam prontos para outra pausa, até a chegada de um convite importante do SLAYER.
"Não estávamos planejando voltar para a América. Deveríamos fazer mais uma turnê que apareceu, então do nada chega o nosso agente e diz, 'Então, a próxima opção é o SLAYER'. A reação de Bill (Steer, guitarrista e vocalista) foi tipo um, 'Claro que sim, porra! É o SLAYER'. Depois dessa turnê será a última vez que se terá notícias sobre o CARCASS num futuro próximo".
É algo desagradável, e com certeza não é o que os fãs gostariam de ouvir, mas também não é algo tão inconsistente com a trajetória do CARCASS. Além disso, eles já nos brindaram com um ótimo álbum de reunião para podermos ouvir durante mais alguns anos, não é?
"Para te falar a verdade, eu não ouvi tantos comentários negativos sobre nosso último álbum", comenta Walker em relação ao álbum em questão.
"Eu procurei algum tipo de crítica negativa sobre o álbum, porque acho isso interessante essa forma de crítica. Tudo o que poderíamos fazer, de fato, era gravar um álbum do CARCASS."
E o Surgical Steel foi exatamente isso: Uma sacada muito habilidosa que remete ao estilo de death 'n' roll extremo que o CARCASS trabalhou no seu clássico álbum de 1993, Heartwork. Enquanto alguns fãs reclamaram da simplificação do som, fica difícil tentar entender o que essas pessoas estavam esperando. Afinal de contas, os anos 90 acabaram já tem 16 anos. Tá na hora de seguir em frente, vovô.
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"Para mim, eu penso que o Surgical Steel se encaixa na nossa discografia como... o nosso álbum de thrash. Afinal de contas, ainda existe algo inovador que possa ser feito no thrash metal, alguém? Swansong (álbum de 1996) foi o nosso álbum de death 'n' roll, nosso primeiro álbum foi grindcore e o Heartwork foi nosso álbum de death metal melódico. Mas eu te digo uma coisa: Nós nunca gravaremos uma porra de um álbum de black metal. A menos que seja black metal no estilo do VENOM."
Inovadores desde o início de sua carreira, o CARCASS está num estado perpétuo de mudança de som. Eles lançaram o seu álbum de estréia, o Reek of Putrefaction, em 1988, um compêndio literal sobre carnificina que se tornou uma grandiosa inspiração para muitas bandas de grindcore e goregrind. Eles afiaram essa abordagem no álbum seguinte, o feroz Symphonies of Sickness, canalizando seus hinos odiosos e hediondos através de uma produção mais limpa e tons de guitarras mais repulsivos antes de embarcar num som de death metal mais tradicional no álbum de 1991, Necroticism - Descanting the Insalubrious. Para o desgosto de muitos fãs, mais uma vez eles mudaram o seu som, dessa vez no território melódico com Heartwork e depois com o último álbum antes da separação, Swansong.
Surgical Steel foi o único álbum com material novo desde a reunião da banda em 2007, sem contar um EP lançado no ano seguinte com músicas que não entraram no álbum. O único membro original que não esteve presente na reunião foi o baterista Ken Owen, que sofreu um aneurisma em 1999, que o deixou em coma e hospitalizado durante 10 meses.
"Falar sobre o Ken é um assunto delicado, não acha? O que eu quero dizer é que o Ken é insubstituível. Ele tinha o seu próprio estilo. Em relação a ele ser insubstituível ou não... Eu fico dividido nesse aspecto. Tocar bateria, de certa forma, se trata de manter a batida no tempo correto, né não?"
Walker continua, "E isso é algo que Ken não pode mais fazer. Ele foi uma peça importante e com certeza foi um dos principais responsáveis por fazer o CARCASS ser o que é. Mas nos reunimos 17 anos depois, e ainda temos muito disso em nosso DNA."
Enquanto Owen nunca foi o melhor dos bateristas, ele se encaixou perfeitamente em todas as mudanças dramáticas de som do CARCASS. Ele sempre desafiou suas limitações, enquanto sempre foi ciente delas, mesmo que a sua ausência tenha gerado críticas de uma parcela menor dos fãs, que acusaram a reunião de ser caça-níqueis já que não apresentava a mesma formação nos álbuns mais clássicos da banda.
Mas quer saber? Fodam-se eles. Os elitistas de merda do metal sempre serão impossíveis de se agradar, e na verdade, eles é que perdem já que o CARCASS apenas melhorou desde a sua volta.
"Eu sou meio que um purista assim como os fãs são em relação as bandas, numa situação aonde eu não gosto de determinadas bandas, após a saída de alguns integrantes, então eu compreendo perfeitamente os fãs que acreditam que Ken não pode ser substituído. Mas eu sinto como se a banda nunca tivesse tocado tão bem ao vivo como hoje. E isso não é um desrespeito ao Ken. Ou ao Bill, ou a mim mesmo. Bill hoje é um músico muito melhor do que antes. Eu acredito que sou um vocalista muito melhor do que já fui, e me levo muito mais a sério agora. Estamos numa situação muito melhor agora. É apenas diferente. Se ele não tivesse sido hospitalizado, ele estaria com a gente aqui, de qualquer maneira."
Embora ainda esteja longe do fim do quarteto da Inglaterra, a sua futura turnê com o SLAYER e TESTAMENT será a última vez que ouviremos algo sobre eles até que eles sintam vontade de fazer coisas relacionadas ao CARCASS novamente.
"Não tivemos tempo para fazer muita coisa relacionada a banda, daí chegou esse negócio com o SLAYER para tumultuar tudo."
Por fim, Walker conclui, "Bill toca no Gentlemans Pistols (Banda de Rock Blues) e eles lançaram um novo álbum (Chamado Hustler's Row). Eu tenho outra banda, com um novo álbum. Nós estávamos meio que enrolando, ainda não escrevemos nada de material para um novo álbum do CARCASS. Então essa turnê com o SLAYER será a última coisa que faremos por enquanto.
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