Filho de Gene Simmons, do Kiss, desmistifica pai
Por Felipe Cipriani Ávila
Fonte: VICE
Postado em 20 de junho de 2016
Em artigo postado no Dia dos Pais do ano passado, Nick Simmons, filho do lendário Gene Simmons, contrabaixista e vocalista da banda americana KISS, relata como o relacionamento com o seu pai se desenvolveu e se modificou com o passar dos anos, do ponto em que ele o idealizava como um super-herói até o momento em que passou a vê-lo apenas como um ser humano, com todas as suas falhas e fraquezas.
Abaixo, leia alguns trechos desse relato:
'Do alto dos meus 2,03 metros, hoje vejo meu pai de cima, com apenas 1,88 metros. Mas, antes que eu atingisse a puberdade, ele era um monumento (adaptado, do original, 'monolithic'). Eu me lembro de sentir sua corporalidade em meus ossos, era aterrorizante e reconfortante ao mesmo tempo; Quando eu ouvia sua voz vindo pelo corredor, forte como um pedregulho (adaptado, do original, 'roll down the hall like a boulder'), e o som daquelas botas grandes no piso de madeira, me sentia como na primeira vez em que vi o Tiranossauro Rex no Jurassic Park original.'
Adiante, relembra:
'Lembro-me do primeiro ano em que o passei em altura. Ele me olhou de baixo, e então para baixo, para os meus sapatos, e disse 'Isso é ridículo, eu não gosto disso'. Então, eu só fui ficando mais alto e a nossa interação mais cômica. Se eu me sento em frente a ele no restaurante, inevitavelmente nossos pés vão se esbarrar. Ele então bate a testa na mesa e diz algo como 'Inacreditável, não posso evitar'. O Tiranossauro Rex, o colossal, se foi há muito tempo. Ele é apenas um homem, e mais interessante por isso.'
E prossegue, dizendo:
'Apesar de tudo, eu pensava que tudo o que meu pai dizia eram verdades absolutas (adaptado, do original, 'written in stone'). Mas, conforme fui crescendo e ele encolhendo, comecei a ver as rachaduras, comecei a ver seus poros, seus cabelos brancos – aquelas pequenas falhas que o fazem humano.'
'Eu costumava ouvir as lições do meu pai como um estudante aplicado, olhos bem abertos e receptivos. Nós nunca discutíamos. Hoje nós discutimos e, às vezes, são discussões acaloradas, especialmente quando o assunto é política ou questões sociais. Mesmo assim, eu percebi que ele me respeita mais no fim, mesmo quando não concordamos,[…].'
'Então, é importante discordar. É importante matar seus heróis. E, às vezes, você deve matar seu pai. Mate-o para que você possa amá-lo, e amar suas falhas, mais do que amava aquele arquétipo vazio. A coisa mais importante que ele me ensinou é que – como todo mundo – às vezes ele é cheio de merda.'
Leia o relato completo, em inglês:
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