Gary Moore: 7 anos sem o mestre
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteril Tipo
Postado em 01 de março de 2018
"Por ocasião do 7º aniversário de de morte de Gary Moore, segue um breve resumo da gloriosa carreira do mestre irlandês da guitarra!"
Um dos guitarristas mais subestimados do rock, tanto do ponto de vista técnico quanto compositivo, Gary permaneceu relativamente desconhecido nos EUA com relação às bandas de que fez parte, enquanto que o seu trabalho solo lhe trouxe aclamação na maioria das outras partes do mundo, em especial na Europa. Nascido em 04/04/52, em Belfast, na Irlanda, Moore se interessou pelo violão durante os anos 60, ao descobrir os mestres do blues/rock como Eric Clapton, Jimi Hendrix e, talvez, sua maior influência, Peter Green, da Fleetwood Mac.
Mais tarde, depois de se mudar para Dublin, Moore juntou-se a um grupo de rock local chamado Skid Row, que contou com um jovem cantor chamado Phil Lynott, que logo depois deixaria o grupo para formar sua própria banda, o Thin Lizzy. Com o Skid Row, Gary perseverou, chegando mesmo a abrir um show para os seus heróis, "Peter Green" e "Fleetwood Mac", que ficaram bastante impressionados com o seu talento. Tanto que o próprio Peter solicitou ao seu empresário que ajudasse ao Skid Row com o primeiro contrato de gravação do Skid Row junto à CBS. Além de vender uma de suas guitarras favoritas para o promissor guitarrista, uma Maple 1959, Gibson Les Paul Standard, que se tornaria o principal instrumento de Moore.
O Skid Row passaria a lançar vários singles e álbuns, incluindo "Skid" (1970) e "34 Hours" (1971). Embora o grupo tenha planejado giros pela Europa e EUA, não conseguiu grande sucesso comercial, culminando com a saída de Moore em 1972. Então, juntamente com o baterista Pearse Kelly e o baixista John Curtis, formou sua própria banda, na qual atuou como guitarrista e vocalista. Todavia, depois do álbum de estréia, de 1973, "Grinding Stone", o trio se desfez e desapareceu sem deixar rastros.
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Gary se juntou mais uma vez ao ex-companheiro de banda, Phil Lynott, só que agora, no Thin Lizzy. A sua primeira fase na banda durou pouco e, mesmo como seu modo contagiante de tocar, figurou em poucas faixas no disco. O músico então mirou no trabalho de estúdio (aparecendo no lançamento de Eddie Howell em 1975), antes de se juntar a uma banda de rock progressivo, o Colosseum II. Mas, mais uma vez, o seu vínculo com uma banda foi fugaz; ele figurou em apenas três discos (Strange New Flesh de 1976, Electric Savage e War Dance, de 1977), quando resolveu dar outra chance para amigo de longa data (Phil Lynott) para participar uma turnê americana novamente com o Thin Lizzy, tocando somente em arenas.
No ano de 1978, apareceu em mais gravações de outros artistas: Variations, de Andrew Lloyd Webber; Moving Home de Rod Argent; e Electric Glide de Gary Boyle. No mesmo ano, lançou seu segundo trabalho solo (quase cinco anos após sua estréia), Back on the Streets, que surpreendeu o "Top Ten" inglês no ano de 1979. Para a balada bluesy "Parisienne Walkways", contou com contribuições vocais de Lynott. Então, reuniu-se com seus ex-companheiros mais uma vez em 1979, para fazer um dos melhores álbuns da carreira do Thin Lizzy, Black Rose, que mostrou-se um grande sucesso no Reino Unido (e foi uma prova definitiva da habilidade de Gary como guitarrista excepcional). Todavia, como era de se esperar, o guitarrista deixou o grupo mais uma vez (desta, no meio de uma turnê pelos EUA), o que fez com que que uma fenda se abrisse entre Gary e Phil.
Moore emprestou algum trabalho de guitarra ao lançamento solo do baterista Cozy Powell, para o seu disco "Over the Top", além de formar uma nova banda, G Force, que duraria apenas pelo tempo de lançarem um disco em 1980.
Nos anos 80, uniu-se ao ex-guitarrista / baixista / cantor do ELP Greg Lake, para um par de álbuns solo (o primeiro, auto-intitulado, em 1981; e o segundo, Manoeuvres de 1983). Foi convidado para outro disco solo de Cozy Powell, Octopuss. Mas também foi durante os anos 80 que Moore finalmente se afirmou em sua carreira solo, lançando trabalhos tão pesados como os 2's Corridors of Power de 1982, e Victims of the Future de 1983, Dirty Fingers e o "ao vivo" We Want Moore!, de 1984, Run for Cover de 1985, Wild Frontier de 1987 e After the War de 1989. Conquistou um grande seguimento de fãs na Europa, apesar de permanecer praticamente desconhecido nos EUA.
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No entanto, a década não foi totalmente boa para Moore. Embora tenha conseguido reparar sua amizade com o velho amigo Phil (aparecendo em várias faixas de Life/Live (Thin Lizzy) e num par de outras, "Military Man" e "Out in the Fields" em 1985, os anos de trabalho duro dedicados ao Lizzy finalmente alcançaram Lynott, forçando sua passagem no ano de 1986. Moore então dedicaria "Wild Frontier" a Lynott, honrado o eterno líder da Thin Lizzy na faixa "Blood of Emeralds" (de After the War).
Com a pressão para produzir singles e cansado de sua inclinação musical para o hard rock, voltou às suas raízes bluesy no álbum Still Got the Blues (o lançamento mais comercialmente bem sucedido de sua carreira), que teve como convidados nomes como Albert Collins, Albert King e George Harrison. Gary continuou em seu estilo de blues recentemente redescoberto em lançamentos subsequentes como After Hours de 1992 e Blues Alive de 1993, antes de formar o supergrupo de curta duração BBM, juntamente com a antiga seção de ritmo de Cream (o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker) que durou uma álbum, Around the Next Dream de 1994. Em seguida, fez um álbum-tributo para Peter Green, Blues for Greeny de 1995, que deixou sua marca em 11 faixas, escritas ou executadas em algum ponto por ele próprio. Moore experimentou com diferentes estilos musicais em seus próximos dois lançamentos solo, Dark Days in Paradise (1997) e A Different Beat (1999), antes de abraçar o blues mais uma vez em seu primeiro lançamento do século 21, Back to the Blues, de 2001.
Ao longo dos anos, Gary Moore foi o tema de inúmeras compilações, sendo que, a melhor do artista, para este que vos escreve, é "The Colection", mais orientada para o Heavy Metal (1998) e o "Best of the Blues" (2002), bem como "Out in the Fields: The Very Best Of Gary Moore", que foi dividido meio-a-meio entre Heavy e Blues. Em colaboração com o baixista Cass Lewis (Skunk Anansie) e o baterista Darrin Mooney (Primal Fear), Gary passou a dedicar-se mais ao rock e sob esta influência lançou discos como "Scars". Houve também o poderoso "Live at Monsters of Rock" (2003), sobre o qual declarou orgulhoso: "nenhum overdub foi usado!". Em "Raw Power of the Blues" (2004) não apresentou nada além de Blues, assim como o "Old New Ballads Blues" (2006), "Close as You Get" (2007), que apresentou alguns contribuições de bateria de seu antigo amigo do Thin Lizzy, Brian Downey e "Bad for You Baby" (2008). Este foi o último álbum de estúdio de Moore, já que inesperadamente faleceu de um suspeito ataque cardíaco nas primeiras horas da manhã de 6 de fevereiro de 2011, durante suas férias na Espanha.
Referências: All Music, Gary Moore, Wikipedia
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