Metallica: Lars Ulrich explica por que a banda mudou no "Black Album"
Por Bruce William
Fonte: Blabbermouth
Postado em 13 de julho de 2018
Durante uma longa conversa com o jornalista Jan Gradvall, realizada antes do Metallica ser prestigiado com o Polar Music Prize no dia 14 de junho em Estocolmo, na Suécia, o baterista Lars Ulrich falou sobre diversos assuntos, incluindo a mudança de direcionamento musical pela qual a banda passou em 1991 quando lançou o "Black Album".
"O Metallica estava excursionando com o Aerosmith, bem no final do ciclo do 'Justice' no verão de 1990, daí James, eu e Cliff (Burnstein, empresário do Metallica) descemos até a parte de baixo da arquibancada do CNE Stadium em Toronto e dissemos pra Cliff que sentíamos que havíamos expandido o lado progressivo do Metallica... a última música do '... And Justice For All' era 'Dyers Eve', que consiste basicamente em cinco minutos da gente fazendo o que batizamos, a título de piada, de 'Metal Matemático'. A turnê ia rolando e o público ia aumentando cada vez mais e mais e descobrimos que algumas das músicas mais loucas, aquelas progressivas de dez minutos, estavam cada vez menos conectadas com a plateia. Sentimos que havíamos atingido, sob o ponto de vista criativo, o nosso limite... aonde ir depois de algo como 'Dyers Eve'? Era tipo, chegamos ao fim, não havia nada mais além daquilo. Então decidimos que tentaríamos... de forma criativa faríamos um retorno. E percebemos que a simplicidade e tentativa de fazer algo mais coeso... precisávamos fazer algo. E... fizemos. E então fizemos o 'Black Album' com o Bob Rock (produtor) e aquilo tudo aconteceu. Sentimos que estávamos seguindo uma jornada criativa - e sempre sentimos que vivemos esta jornada criativa que sempre precisa ser revigorada, reinventada. E eu acho que nós, como pessoas, temos medo de nos repetir ou de ficarmos estagnados. E talvez até ao ponto em que você pode argumentar que nós lutamos demais. Acho que fizemos alguns retornos em algum ponto onde quase passamos do ponto, apenas por não querermos ficar presos ao que as pessoas querem de nós, ao que a comunidade espera da gente. E somos tão independentes e autônmos, e ninguém vai nos segurar, e sempre mudaremos isto o tempo todo. Mas este álbum foi realmente um reflexo... eu acho que se você analisar nossos primeiros quatro trabalhos - 'Kill 'Em All', 'Ride The Lightning', 'Master Of Puppets', '…And Justice [For All]' - há um crescimento progressivo natural e evolução que chegou ao ponto final no '…And Justice For All'. E o único lugar que tínhamos pra ir, além de se repetir ou ficar estagnado, seria fazer algo completamente diferente, e foi o que fizemos nos anos que se seguiram".
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