D.E.R.: Música extrema a serviço da raiva
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo
Postado em 22 de agosto de 2018
A produção independente, sempre sofre a iminência de cair em lugares comuns e saídas fáceis. Quando se trata de música agressiva, extrema e brutal, parece que isso se torna quase impossível de se escapar.
Desordem e Regresso. Esses simples antônimos, do lema impresso na bandeira do Brasil soam clichê em uma banda punk. Mas quando se analisa "quem", "quando" e principalmente "onde" e os "por quês" (sejam juntos ou separados, sejam respostas ou perguntas) vemos algo á mais, diferenciado e repleto em significados.
D.E.R. - Quatro caras oriundos da EZS (Extrema Zona Sul), como eles e amigos chamam a longínqua periferia de São Paulo. O berço, o universo ante-ponte, de onde se vê na neblina das manhãs as torres de aço e vidro do Brooklin, e o alto horizonte cinzento da avenida Paulista.
Que parece intransponível, uma cidade-dormitório de porteiros e domésticas á serviço do mundo pós-ponte. Isolados pelo Rio Pinheiros, como se este fosse um fosso medieval de outro mundo. Eles poderiam só compor sobre temas comuns ao hardcore em geral, como até recorrem a alguns deles.
Como qualquer banda da Inglaterra, Estados Unidos ou qualquer país de economia equilibrada já fez. Ou como inúmeras bandas brasileiras tidas como clássicas já fizeram. Porém aqui a vivência, a experiência e principalmente a sobrevivência tomam um sentido firme quando relacionado com a música que fazem e como a fazem.
Aqui existe o abismo real entre a práxis e a teoria. Entre o "branding" e a cicatriz real que não foi escolhida para enfeitar a pele.
Quando os olhos atrás dos óculos do Thiago se franzem e a boca se abre aos berros, não só um urro sai, mas também o medo e o relato testificado, visto por seus olhos. Da mesma forma que as cordas espancadas por Mauricio e Renato, aprenderam transformar a distorção de precários amplificadores e equipamentos baratos na massa do caos. O mesmo vale para Barata, que emprega na bateria, a velocidade sem freios e desgovernada, de baquetas que não se pode acompanhar á vista, como uma metáfora viva da DESORDEM social.
Por que isto é Brasil. Como dois LPs clássicos, cheio de recortes feios, feitos de um mundo que não se vê na tv em horário nobre. Só que não apresentado pelo Willian Bonner, ou atendido por vítimas de programas assistencialistas. É um Brasil contado e visto de uma forma caótica, violenta, sem filtros.
Que tem cápsulas de munição e cheiro do Pinheiros. Que fala de retrocessos, REGRESSO, que anda para trás. Na contramão da visão positivista da República do passado e do Neo-liberalismo de agora. No sentido inverso do que se esperar das políticas públicas, dos jogos de poder.
Que personifica na forma de uma banda, formada por quatro moleques periféricos "marrons", que contra toda adversidade, e usando a própria, se juntam em fins dos anos 90 para tocar. Um tributo vivo do verdadeiro punk surgido nessa mesma metrópole doentia no pós ditadura militar. E que mostra que mesmo os clichês mais evidentes, podem ser usados, recriados e postos de uma forma criativa, nova, e melhor ainda realista, a serviço da raiva, frustração e excelente música.
Como dito anteriormente, D.E.R é formada por Renato (guitarra), Mauricio (baixo), Barata (bateria) e Thiago (vocal) e tem como principais influências o Hardcore dos anos 80, o Death Metal / Black Metal dos 90 e nomes como Discharge, Bathory, Napalm Death, Repulsion, Assuck e blast-beats!
fonte: D.E.R.- facebook oficial
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Rush fará cinco shows no Brasil em 2027; confira datas e locais
Tobias Forge explica ausência da América do Sul na atual tour do Ghost
As duas vozes que ajudaram Malcolm Young durante a demência
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita
Ozzy foi avisado pelos médicos que corria risco de morrer se fizesse o último show
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
Playlist - 50 músicas que provavelmente serão tocadas no Bangers Open Air 2026
A banda dos EUA que já tinha "Black Sabbath" no repertório e Oz Osborne como baixista em 1969
Queen revela conteúdo da caixa celebrando o álbum "Queen II"
O dia que Jimmy Page quase estragou o solo de "Aqualung" - clássico do Jethro Tull
Ódio musical: os artistas mais detestados em lista da Spinner
Axl Rose: Um dos vocalistas com maior alcance



Dr. Sin: Agora todo mundo lamenta? Vão se foder!, diz Regis Tadeu
Chris Cornell: ele não dava sinais de que se mataria, diz esposa
O hino do Rock que todos conhecem mas só emplacou na 3ª vez em que foi lançado
Lars Ulrich concorda quando Bruce Dickinson diz que Maiden é superior ao Metallica
Fãs de Rock e Metal: 15 verdades que eles sempre temeram
Capas: 10 das mais belas feitas por artistas dos quadrinhos



