Spotify: Os últimos números e ofertas diretas
Por Rafael Amorim Abraão
Fonte: Rafael Amorim Abraão
Postado em 01 de agosto de 2018
A plataforma de música Spotify reportou ontem os resultados do segundo trimestre deste ano, tendo relatado prejuízo líquido de € 394 milhões, mais que dobrando a perda apurada um ano antes de € 187 milhões. Por outro lado, encerrou junho com 83 milhões de assinantes premium, um aumento de 10% desde o último trimestre, e 180 milhões de usuários ativos mensais.
Na mesma base de comparação, a receita da companhia sueca cresceu 26,4% e atingiu € 1,273 bilhão. Os custos de venda entre abril e junho somaram € 944 milhões, ou 22% mais que no segundo trimestre de 2017.
Para o terceiro trimestre, o Spotify tem a meta de atingir de 85 milhões a 88 milhões de assinantes premium, somando de 188 milhões a 193 milhões de usuários totais ativos. Até o final do ano o Spotify espera atingir até 207 milhões de usuários, abaixo da projeção anterior, de até 208 milhões de clientes.
Como se vê, apesar dos prejuízos apurados a plataforma vem expandindo rapidamente o volume de assinantes. A Índia é o próximo alvo. O Spotify vê a Índia como uma maneira relativamente rápida de gerar números de assinantes realmente significativos e replicar o que fizeram no México e no Brasil.
Em todo o mundo, estima-se que 6% das pessoas com smartphones habilitados para pagamento paguem pelo Spotify. Analistas do banco Morgan Stanley em recente entrevista ao Financial Times disseram esperar que muitos desses novos clientes venham de mercados relativamente inexplorados. Até 2023, o Morgan Stanley projeta que o Spotify terá 53 milhões de assinantes na Ásia, Oriente Médio e África, contra apenas 11 milhões neste ano.
Se por um lado a base de assinantes vem crescendo, os prejuízos também. Visando reduzir seus custos, o Spotify vem oferecendo nos EUA a alguns agentes, gestores e artistas independentes do mercado fonográfico adiantamentos em troca do licenciamento direto de músicas para o serviço de streaming em sua plataforma.
Isso não significa que o Spotify agora está operando como uma gravadora. Não é bem assim.
As ofertas não exigem que o conteúdo seja exclusivo do Spotify, bem como não exigem a transferência de propriedade de fonogramas. O Spotify não está comprando os direitos patrimoniais que formam o núcleo das gravadoras. Essas transações individuais, diretas e não exclusivas visam apenas que o Spotify pague uma parcela de receita menor ao artista do que pagaria para uma grande gravadora, enquanto o artista recebe muito mais pelo streaming do que se assinasse com uma gravadora.
Os atuais acordos de licenciamento do Spotify com as principais gravadoras impedem explicitamente que a empresa de streaming concorra de forma substancial ou significativa com as principais atividades / negócios das gravadoras. Ofertas diretas não são novas para distribuidores digitais de forma abrangente mas resta saber como as gravadoras irão lidar com estes acordos diante do crescimento do Spotify que possui 2x o tamanho do concorrente mais próximo.
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