2018: as recomendações de Leonardo Daniel Tavares da Silva

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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2018 foi um ano estranho. 2019 também vai ser. Tivemos a política invadindo o território da música, enquanto a música invadia cada vez menos o território da música. Assim, esse meu texto, que costumeiramente publico no final do ano, só sai agora. Estes não são os melhores álbuns que ouvi durante o ano inteiro, não estão classificados (ou quase não estão) e terão ausências injustificáveis, justificadas pela falta de oportunidade ou pela falta de identificação mesmo. Entenda, como em todos os anos, esta lista como uma lista de recomendações. Vamos começar com alguns EPs, um relançamento, uma trilogia de coletâneas e, depois, alguns álbuns que rodaram muito no meu próprio Spotify.

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Como o tempo é cada vez mais curto, vou começar apenas citando brevemente alguns dos singles e EPs que tinham tudo para ser álbuns completos. Sim, eles merecem menção. E indico a escuta. Entre eles, estão os da banda feminina ESKRÖTA ("Eticamente Questionável"), do retorno da PURGATORY, agora sob o nome JON SCHAFFER'S PURGATORY ("Purgatory - EP"), da estreia da HELLHOUNDZ ("Hellhoundz"), da OBSKURE ("Sacrifice of The Wicked"). do viking ASENBLUT ("Legenden") e o novo álbum da SIEGE OF HATE, ("Cerco do Ódio"), o primeiro da banda em português e que, na versão física, traz muito mais material legal.

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GUNS N' ROSES - Relançamento Appetite for Destruction

É um relançamento, mas a maior parte das canções aqui vem em versões jamais ouvidas. Hoje é quase impossível ouvir a voz de AXL Rose nos shows, a menos que você esteja morto de bêbado, dentro de um show, cantando pior que ele. A influência das canções do GUNS N' ROSES, no entanto, para muitos, é inegável. Os dois primeiros CDs do lançamento não são muito interessantes. Tudo ali a gente já conhece e já tem. Ouvir os demais, das Sound City Sessions, no entanto, conhecendo a primeira forma que cada uma daquelas versões teve, é uma experiência imperdível. Se a versão definitiva foi melhor ou não, depende de cada um. Ouça pra saber.

Coletâneas da Secret Service

Não só em 2018, mas o triênio 2017-2019 será marcado pela trilogia da gravadora inglesa Secret Services. Homenageando MOTORHEAD, BLACK SABBATH e AC/DC, a gravadora reuniu alguns dos maiores nomes do rock e metal nacional (entre eles RATOS DE PORÃO, KORZUS, MX, OBSKURE, tantas que cometemos injustiça ao citar apenas algumas) em releituras não só de clássicos, mas também de Lados B que contam a história de cada uma das bandas homenageadas e ainda explicam perfeitamente as suas influências no metal nacional. Algumas versões ficaram até mesmo melhores que as originais (não é pecado dizer isso). Pra 2019 ainda tem um tributo ao DEEP PURPLE só com bandas capitaneadas por mulheres, produzido pela Armadillo Records.

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Nestes tempos insanos, bandas como a DAMN YOUTH despontam tanto pela qualidade, agressividade e velocidade do seu som quanto pela nível extremo de energia em seus shows. Além do álbum de estreia, "Breathing Insanity", lançaram um bocado de sons bons em singles, EPs e Split. Destacam-se também pela postura antifa.

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DECOMPOSING - Unleash The Underground Abominations

Quem estreia com o pé direito com um Death Metal brutal e absurdo é a DECOMPOSING. Se continuar com essa pegada, vai ganhar fãs no Brasil e no mundo inteiro.

MX - A Circus Called Brazil

A começar pela capa e em cada uma das faixas até chegar na excelente faixa-título, nenhum álbum poderia descrever melhor o Brasil de 2018 que este, da veterana MX. Infelizmente, tudo indica que a MX vai ter que ralar muito para contar, em 2019, a história da pocilga, ou melhor, do circo chamado Brasil que teremos no ano que vem.

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YOB - Owr Raw Heart

Figurinha que deve aparecer em todas as listas (ou pelo menos na maioria), um dos queridinhos da mída gringa faz por merecer o posto com uma mistura de doom, stonner e progressivo difícil de engolir. São canções longas (três ultrapassam os dez minutos e mais duas quase chegam lá), efeitos incomuns, vocais gritados... mas depois da primeira vez, vicia.

The Night Flight Orquestra - Sometimes the World Ain't Enough

Um dos achados mais legais de 2018. Sabe aquelas músicas que você achava chatas nos anos 80? Aquela mescla de hard rock e rock progressivo, mas tudo econômico, sem exageros para caber direitinho na programação das rádios e trilhas de novelas. Hoje elas parecem com vinho. Não foram elas que ficaram melhores com o tempo, foi você que amadureceu. Pra quem curte AOR ou gostaria de saber como seria um hard-rock de arena oitentista, mas moderno, feito em 2018, a NFO é uma forte recomendação. E o detalhe é que a banda é formada por gente que toca estilos bem mais pesados, vindos de bandas como SOILWORK e ARCH ENEMY.

Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army

Ok. O GRETA VAN FLEET é possivelmente a banda mais falada de 2018. É uma banda que divide opiniões e o lado que escolho é... nenhum. Embora a influência do LED ZEPPELIN seja clara como água, não os vejo como meros copiadores. Acho até mais parecido com o RUSH, em sua fase hard rock, que com o LED. Também não são a salvação do Rock and Roll. Isso já era o OASIS, o STROKES... e o Rock and Roll nunca precisou ser salvo. São só uns moleques, afficionados por música, realizando o sonho de ser músicos. Que mal há nisso? Se fossem rappers eu não diria nada sobre eles. Até porque muito provavelmente sequer tomaria conhecimento de sua existência.

Angra - Omni

Já fizemos uma resenha completa do O.M.N.I. Em termos de produção e Heavy Metal este foi realmente o maior e melhor álbum lançado no Brasil em 2018. Não nos estenderemos aqui porque já fizemos uma resenha completa, que você confere no link abaixo:

Angra: Rafael tinha razão, o Omni é de fazer chorarAngra
Rafael tinha razão, o Omni é de fazer chorar

Ghost - Prequelle

É isso aí. Depois das polêmicas, trocas REAIS de integrantes (pra quem não sabe ainda, a principal persona da banda muda de nome a cada disco, mas sempre foi Tobias Forge) o GHOST volta a surpreender como no primeiro álbum. Com canções tão assobiáveis só faltava à banda incluir instrumentos de sopro como saxofones em sua musicalidade. Não falta mais.

Titãs - Doze Flores Amarelas

Alardeado como a primeira ópera-rock composta no Brasil (o que alguns contestam), o TITÃS dá sinais de vida mesmo distante do octeto que um dia foi (hoje são apenas três). E o faz com bastante competência em um álbum que incomoda e está bem afinado com muito do que se fala nas redes sociais. "Me estuprem / A culpa é toda minha / Me desculpem Me vestir assim" e "No means Yes, Yes means Anal / Elas se oferecem e depois reclamam / Elas enlouquecem, agora a culpa é nossa?" chocam quando jogadas na cara do ouvinte. O álbum não é perfeito (sua versão ao vivo também não). Podia acabar em "Ele Morreu" ou talvez um pouco depois, mas continua seu terceiro ato por mais tempo que o necessário, assemelhando-se, por esse defeito, ao "Retorno do Rei", de Tolkien e Jackson. Isso não lhe tira o mérito.

Krisiun - Scourge of the Enthroned

O melhor disco de Death Metal lançado em 2018 É DO BRASIL!!! O som brutal que sai com tanta naturalidade dos gigantes gaúchos rendeu mais alguns bons momentos de torcicolo esse ano. Que o metal brasileiro já é independente do gringo a gente já sabia desde o SEPA, mas esse disco lançado em pleno 7 de setembro só vem confirmar isso. Falei bem mais apropriadamente do álbum na resenha abaixo.

Krisiun: no dia da independência, mais urgentes, mas sempre brutaisKrisiun
No dia da independência, mais urgentes, mas sempre brutais

Encéfalo - Deathrone

Por falar em Death Metal, o terceiro álbum da ENCÉFALO é Death Metal em estado puro, é uma homenagem ao estilo. A banda começou a carreira fazendo uma mistura de Thrash e Death, espelhando-se em bandas como o SEPULTURA. Agora, não faz concessões e desponta como um dos grandes nomes do Death Metal no Brasil. Confira mais sobre o álbum na resenha abaixo:

Encéfalo: abraçando a morte e a colocando em seu trono

Tankard - Hymns for The Drunk

Ok. Você já encheu a cara de cerveja no sábado passado, passou o domingo com aquela dor de cabeça por conta da ressaca. Alguma dúvida de que já esteja ansioso pela sexta-feira para começar tudo de novo? Então não importa se o último disco do TANKARD seja aquele mesmo thrash bebum de sempre. O que a gente quer é isso mesmo. Confira a resenha abaixo:

Tankard: Repita até vomitar

Behemoth - I Loved You at Your Darkest

Aqui se separam os homens dos meninos. Na ambientação criada pelo BEHEMOTH só existe perfeição. O Death Metal do BEHEMOTH é extremamente belo. E extremamente blasfemo também. "Bartzabel" se destaca diante das demais, mas todas são obras de arte obscura.

Voivod - The Wake

Um som pra fazer pirar a cabeça. Tudo é inesperado. Ou melhor, não se espera menos que o inesperado de Snake, Away, Rocky e Away. Ouça "Spherical Perspective" atenciosamente.

Soulfly - Ritual

Mais um tiro certeiro do "novo Sepultura". Eu disse para o próprio Max que acho muito bom que a banda tenha se dividido. Assim, temos duas bandas excelentes para ouvir (o SOULFLY e o próprio SEPULTURA, além do CAVALERA CONSPIRACY, que não é tão prolífico). Continuo mantendo esta opinião.

Father John Misty - God's Favorite Costumer

Você pode até torcer o nariz para o Indie, mas é inegável que algumas das melhores ideias que mantem o rock vivo vem de lá. O ex-baterista do FLEET FOXES continua em sua sólida carreira e com muito para falar sobre a alma humana. "God's Favorite Costumer" é o velho com uma nova visão. Um tanto mais pé no chão que o pretencioso "Pure Comedy", mas ainda uma obra para se estudar.

Leave's Eyes - Sign of The Dragonhead

O primeiro álbum de 2018 foi, pelo menos entre os que ouvi, o da LEAVE'S EYES. Com nova mulher-escudeira a banda segue reverenciando o passado nórdico e contando as histórias dos corajosos homens e mulheres vikings. Pra quem se apaixonou por essa cultura depois de assistir a algumas temporadas da série do History Channel, é um prato cheio. Conversei com a banda sobre o álbum na entrevista no link abaixo.

Leaves' Eyes: a nova Skjaldmö e o novo disco. Confira entrevista exclusiva.

Inherence - Dogma

Uma das atrações do Forcaos 2018, a paulista INHERENCE foi a descoberta do ano entre as bandas brasileiras. Com um som absolutamente pesado, que lembra às vezes o djent meshuggueiro, e um baita de um show empolgante, o quarteto garantiu interesse e lugar nessa lista.

Warrel Dane - Shadow Work

Ano passado (na verdade, em 2017, uma vez que esse texto não será concluído ainda em 2018), Warrel Dane (NEVERMORE, SANCTUARY), que escolheu o Brasil como lar, nos deixou. Sua banda, formada apenas por músicos brasileiros, deu continuidade ao seu trabalho e lançou o álbum que já tinham começado a gravar. Não é apenas um testamento de Dane, é um álbum que merece demoradas e repetidas audições.

Iron Angel - Hellbound

O IRON ANGEL demorou 22 anos para lançar um full-length. E acertou em cheio no gosto dos apreciadores do Speed Metal, estilo que eles ajudaram a difundir nos anos 80. Não dá para ignorar.

Jason Becker - Triumphant Hearts

Há altos e baixos aqui. Claro. De princípio soa como aqueles discos com canções genéricas de natal tocadas na guitarra, mas acaba trazendo uma paz, uma calma, que devem ser as principais armas do próprio Becker para afrentar sua grave enfermidade. Só o fato de Jason Becker continuar compondo já é um milagre. E seu álbum mais recente, "Triumphant Hearts" é mais que digno de respeito, é uma homenagem à própria música e como ela é capaz de caminhar conosco em meio a dificuldades aparentemente intrasponíveis. E para executar essas canções, nomes de peso como STEVE VAI, JOE SATRIANI, ULI JON ROTH, PAUL GILBERT, JEFF LOOMIS e, claro, MARTY FRIEDMAN. Jason Becker "não está morto ainda". Ao contrário, assim como Stephen Hawking, que foi acometido pela mesma doença, ELA, suas mensagens ainda "soprarão no vento" ao longo da eternidade.

Paul McCartney - Egypt Station

Um dos quatro inventores da música que ouvimos já dá sinais claros de cansaço em sua música em 2018. A voz está distante daquela que ouvimos com os BEATLES e com os WINGS e as canções nem sempre revolucionam o show business, mas, ei, estamos falando ainda de um monstro de criatividade e, se "Egypt Station" está distante do que ele já foi capaz de fazer, está equidistante de 90% do que é feito na música pop hoje em dia. Na primeira audição do álbum você não vai ficar viciado, mas, não lhe dê uma segunda chance se quiser evitar isso.

Barril de Pólvora - Barril de Pólvora

Resgatando o rock and roll brasileiro que não sabia (nem queria muito saber) a diferenã entre blues, heavy metal e hard rock, a BARRIL DE PÓLVORA é outra grata surpresa de 2018. Algumas canções do álbum homônimo são mesmo empolgantes, de acelerar e esquecer o pé no pedal. Opa, melhor não.

Udo, Dee Snider, Saxon & Judas Priest - Steelfactory, For The Love of Metal, Thunderbolt & Firepower

Juntar "Steelfactory", "For The Love of Metal", "Thunderbolt" e "Firepower" faz bastante sentido. Penderemos para o lado do JUDAS e até o posicionaríamos em primeiro se estivéssemos fazendo uma lista tipo Top 10 ao invés desta lista desordenada em que cada álbum vai sendo incluído no texto a medida que lembramos dele. Os outros três, no entanto, ocupariam um segundo lugar com tudo empatado. O SAXON é a instituição do Heavy Metal que é incapaz de lançar algo ruim. O baixinho Udo Dirkschneider, ou melhor, sua banda, U.D.O., depois de revisitar em um excelente álbum ao vivo mais uma vez os clássicos da banda que ele fundou, enfiou nos ouvidos dos bangers mais uma série de candidatas a clássicos. com o som na mesma pegada. Se até hoje o "pouca sombra" do metal tem suas viúvas no ACCEPT não é a toa. Pra terminar o parágrafo (e este texto), a declaração de amor que todos nós fazemos a este estilo que faz o sangue ferver nas nossas veias, "For The Love of Metal", do eterno TWISTED SISTER, Dee Snider. Num ano como foi 2018 e como 2019 promete ser, a única coisa que podemos dizer é "I Wanna Rock".

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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