Marcelo Vasco: o artista gráfico brasileiro que está dominando o mundo do metal

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Por Eduardo Rodrigues, Fonte: Revista Freak
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Você pode não reconhecê-lo na rua e até não saber seu nome, mas com certeza seu trabalho você já viu e pode estar dentro da sua casa, nos palcos dos grandes shows que você vai e até estampado naquela camiseta da sua banda preferida. Conversamos com o artista gráfico brasileiro de maior expressão no mundo do metal internacional: Marcelo Vasco.

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Lembro no início dos anos 90 quando a banda Sepultura começou a se destacar no mercado internacional, tocando em grandes festivais e aparecendo nas capas das maiores revistas do segmento, desbravando caminhos onde nenhuma outra banda brasileira de rock ou heavy metal sequer havia chegado próximo antes, e que eu, assim como muitos brasileiros que curtiam o estilo, nos sentíamos orgulhos por cada conquista e por estarmos sendo tão bem representados lá fora. Hoje vejo a carreira do artista gráfico Marcelo Vasco seguindo um caminho semelhante. Marcelo Vasco não é apenas um artista gráfico brasileiro, é "O Artista Gráfico Brasileiro" e está conquistando e dominando seu espaço no mundo do metal mundial, tendo sua arte estampada em lugares onde antes pareciam ser inatingíveis para um artista brasileiro, contando em seu currículo com trabalhos desenvolvidos para bandas como Slayer, Machine Head, Kreator, Soulfly, Cavalera Conspiracy, Hatebreed, Dark Funeral, Testament, Dee Snider, entre outras grandes estrelas do heavy metal.

Nascido no Rio de Janeiro e radicado na Serra Gaúcha, Marcelo Vasco além de estar imortalizando sua arte nas capas de discos e materiais gráficos das grandes bandas de metal, também está sendo reconhecido pela mídia mundial, tendo atingido primeiro lugar na categoria "Master Artist" do prêmio norte-americano "Black Stars Awards" (promovido pela Darkadya Books), participando de exposições ao redor do mundo e tendo sua arte publicada em livros e revistas especializados como "Arte Arcana", "And Justice for Art #2", "Metal & Hardcore Graphics", "Darkadya Book #2", "Heavy Music Artwork", "Inside Artscum", entre outros, além de ter sido capa da revista americana "Via Omega".

Confira abaixo o bate papo que a Revista Freak teve com Marcelo Vasco onde nos conta um pouco da sua trajetória, sobre o seu processo criativo e como é trabalhar para as grandes estrelas do metal. Check this out!

Você poderia nos contar um pouco sobre o seu processo de criação para a arte de um álbum?

Marcelo Vasco: Inicialmente a banda me passa o título e o conceito por trás do álbum, algumas letras mais marcantes e vagas ideias ou referências do que eles estão buscando. Geralmente gosto de estar bem livre pra criar baseado nessas informações, mas através da minha própria perspectiva artística. Então quando uma banda vem com uma ideia muito concreta em mente, provavelmente eu não sou o artista certo, raramente funciona. O processo todo é feito em ambiente 100% digital, onde misturo manipulação fotográfica com desenho livre. Apesar do digital, eu trabalho de maneira quase orgânica, como se fosse uma pintura a óleo, só que feita através do computador. É um método diferente do que geralmente artistas digitais fazem. Procuro buscar aquela estética de pintura mais rústica, imperfeita, com toda aquela texturização das "pinceladas" e por ai vai...

Você tem acesso as músicas do álbum que você está trabalhando?

Marcelo Vasco: Eu gosto de ter esse acesso quando é possível, claro. Mas nem sempre é. Muitas vezes a capa está sendo criada ao mesmo tempo em que o material está sendo gravado, então torna essa questão inviável. De qualquer maneira não é exatamente um bloqueio. Se é uma banda desconhecida, eu sabendo do que se trata a música, através de uma rápida descrição, já me ajuda a direcionar a minha visão artística em como abordar o visual da capa.

Como você iniciou no mercado internacional?

Marcelo Vasco: Bom, se considerarmos o mercado internacional como a primeira capa que fiz para uma banda de fora do Brasil, eu diria que no começo dos anos 2000, com o álbum "Angelgrinder", do Lord Belial. Mas sinceramente ainda era muito esporádico, então eu acho que esse mercado só se abriu verdadeiramente pra mim quando eu resolvi largar tudo, em 2008 e me dedicar exclusivamente a indústria do Heavy Metal. Foi ali que eu senti que as coisas começaram a funcionar mais intensamente. Fiz centenas de trabalhos para pequenas e grandes bandas e isso foi fazendo meu nome se tornar reconhecido nesse nicho.

Inevitável falar do Slayer. Você considera a capa do álbum "Repentless" do Slayer o seu trabalho mais importante?
Marcelo Vasco: Considero, sem dúvidas. Ela é um grande divisor de águas na minha carreira. Foi super importante pra mim, tanto no profissional como no pessoal, como já dizia o Faustão (risos). Digo isso porque o Slayer é a minha banda favorita desde que eu era moleque. Assinar uma capa deles era um sonho desde sempre. E quando digo sonho... é sonho mesmo, daqueles que a gente tem certeza que nunca vai acontecer. Mas como a vida é cheia de surpresas e muitas vezes das boas... Fui surpreendido brutalmente (risos). Quando eu me vi trabalhando pra eles foi uma sensação muito bizarra. Realmente parecia um sonho. Até hoje as vezes parece que a ficha não caiu. E foi através da capa do "Repentless" que meu nome e trabalho ficaram mundialmente conhecidos. Claro que eu já havia feito vários outros trabalhos para bandas maiores, mas nada foi tão expressivo como o Slayer. Graças a essa enorme exposição mais bandas e pessoas conheceram meu trabalho e isso gera procura até hoje, o que é muito legal.

Como a banda chegou até você e se teve algum contato direto com os integrantes durante o processo de criação para o disco?

Marcelo Vasco: Através da Nuclear Blast. Eles que entraram em contato comigo inicialmente, pois eu já havia trabalhado pra eles várias vezes antes disso. E claro, tive contato direto com o Tom Araya e o Kerry King. Quando encontramos a direção certa pra capa, trabalhamos juntos na criação, ajustes e finalização da arte. Preciso confessar que foi estressante, um momento de estafa física e mental muito grande... Eu mal conseguia dormir direito. Sabe quando o olho fica tremendo?! Então (risos)... Era estranho pois eu estava ali fazendo o trabalho da minha vida, em contato com caras que são meus ídolos e eu tinha posters na parede do quarto... E ao mesmo tempo eu estava super estressado, quase mal de saúde. Acho que eu me entreguei de corpo e alma ao trabalho. Eu não podia falhar! Fiquei provavelmente com o psicológico abalado. E isso durou alguns meses. Mas no final valeu muito a pena todo aquele caos (risos).

Confira a entrevista completa no link abaixo:
https://revistafreak.com/marcelo-vasco-o-artista-grafico-bra...




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