Clube dos Bagres: disco unindo psicodélico, blues e música brasileira
Por Nathália Pandeló Corrêa
Fonte: Build Up Media
Postado em 03 de maio de 2019
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Projeto do músico Bruno Morabati, o Clube dos Bagres une psicodelia, MPB, pop e folk para criar crônicas sobre a vida moderna. Depois de anos de estrada e jornada, o trabalho ganha um homônimo álbum de estreia através do selo Milo Recs. O álbum já está disponível nos serviços de streaming de música.
Ouça "Clube dos Bagres":
Nascido em 2008 em Goiânia e criado em Franca, no interior de São Paulo, o Clube dos Bagres foi gerido e evoluído com calma. A nova faceta de Bruno surgiu em um momento em que se via longe da Projeto Paiero, banda da qual fazia parte na época, e começou a trabalhar em faixas de sonoridades bem diferentes e únicas. Em 2012, o Clube dos Bagres iniciou sua discografia com o EP "Histórias mal contadas em quase-canções".
No período entre esse primeiro trabalho e o novo álbum, Bruno participou de mostras e coletâneas e dividiu palco com artistas como Alceu Valença, Otto, Porcas Borboletas e Rafael Castro.
Agora amadurecendo o projeto, o álbum "Clube dos Bagres" busca uma sonoridade psicodélica pop tropical inconsciente nos ouvintes e brinca com estéticas de variados gêneros.
"O lançamento desse disco é fundamental para manter vivo o que existe de arte em mim. Estou bem feliz com o resultado, tanto na questão estética, com os timbres, nos quais contei com ajuda de Daniel Rached, como também nos arranjos, os quais produzi a maioria sozinho mas contei também com grande auxílio de todos que fizeram parte da minha vida musical desde a minha primeira banda. Para além do ego, ao mesmo tempo que é ‘só mais um disco’, ele é um álbum necessário. Fazer arte, fazer música, é necessário, é urgente", reflete Bruno.
Em meio ao groove das guitarras, um instrumental intenso embala canções de temáticas variadas. Enquanto "Suga Sugar" aborda o consumismo, "Tenta de brils" foca na mudança e na vontade avançar. "Forsça", composta ainda em 2011, previa um mundo invadido por notícias falsas e o comodismo em se esconder atrás de uma tela. "Oh Pai" imagina uma reconciliação entre pai e filho, com um plano de fundo de realismo fantástico. "Chafurdei" é uma ode às paixões e convida a fazer tudo com dedicação total. O single "Danado Leprechaw" busca inspiração em Arnaldo Baptista, enquanto "Vazei" é uma música de Roberto Carlos que não foi escrita por Roberto Carlos. "Rita li na" aborda de forma bem humorada a ansiedade dos tempos modernos. "Binou’s Cry", "Miss Mississippi", "Meu", "Braquiária" e "Suis" completam a tracklist, equilibrando momentos de leveza e peso.
Algumas dessas canções surgiram já na gênese do Clube dos Bagres. É o caso de "Rita li na", tocada pela primeira vez em um ensaio da banda Filhos de Maria e Madalena, em meados de 2008, em Goiânia. Na época, faziam parte da banda, além de Bruno Morabati, Fernando Simplista (Nava de Maçã), Diego de Moraes, Gabriel Gabiras (Bambolla Bakers), Aderson (Bambolla Bakers, Carne Doce) e Chelo (Porcas Borboletas, Waldi & Redson). "Em um show dos Filhos, Fernando faz uma saudação para o ‘Jhimi’ - o Dinho, que viria a ser do Boogarins alguns anos depois - na primeira vez que ‘Rita li na’ estava sendo tocada ao vivo", relembra Morabati. Seria o começo da entrada de Clube dos Bagres no cenário psicodélico nacional.
Para apresentar o trabalho plural, a capa do disco traz uma ilustração de Rodrigo Tas baseada em uma foto tirada por Eduardo Berdu. A contra capa, label e finalização ficaram por conta de Marina Jacobini. O álbum teve gravação e mixagem de Daniel R. Palermo e masterização de Nick Graham-Smith, produtor inglês que já trabalhou com nomes como James Tillman, Garotas Suecas, Lurdez da Luz e Vermes do Limbo. "Clube dos Bagres" já está disponível nos principais serviços de streaming via Milo Recs.
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