Maranhão: uma nova MPM (re)nasce no estado
Por Evilásio Júnior
Fonte: Jornal Agora Santa Inês
Postado em 30 de agosto de 2019
O Maranhão é um estado muito rico culturalmente. Mesmo com todos os problemas sociais que assolam as terras maranhenses, frutos de uma herança oligárquica recente, o nosso torrão produz uma cultura de altíssimo nível, que não deve em nada aos grandes centros do Brasil. Uma pesquisa básica e rápida mostra todo o potencial cultural, turístico e econômico de nosso estado. Não à toa, São Luís já foi chamada de "Atenas Brasileira"; agora é conhecida como "Ilha do Amor", "Jamaica Brasileira" e o mais novo nome, "Ilha do Caos". Este último título pela expressividade que o Rock conquistou na "Ilha Rebelde".
Na efervescência plural das ruas do Centro Histórico, dos casarões, um segmento cultural vem ganhando força na Ilha nos últimos anos. "São Luís é uma porção do underground cercada de bandas e headbangers por todos os lados". Bandas que vão do estilo mais leve ao mais extremo e que vão mostrando a força que a contracultura vem implantando na capital maranhense.
Os últimos eventos que rolaram na capital mostram isso. Uma nova MPM (re)nasce em nosso estado, só que não é a "Música Popular Maranhense" ressurgindo, um revival, mas sim, um movimento cheio de energia, de camisetas pretas, coturnos, riffs pesados, letras fortes, som feito com sangue nos olhos, de força coletiva... (Re)nasce na capital um novo som, que não é tão novo assim, mas que agora mostra a sua face com mais intensidade: O "Metal Pauleira Maranhense".
É a nova MPM made in "Ilha do Caos". A sigla MPM não quer abarcar somente bandas do gênero Heavy Metal, foi apenas uma ironia para descontruir a sigla original de "Música Popular Maranhense" e, de forma antropofágica, apresentar o levante contracultural crescente em São Luís.
Do som de bandas, como: Jackdevil, School Thrash, Brutallian, Tanatron, AmnésiA, Cimitarra, Purpura Ink, Evil Machines, Altas Doses, entre outras, sai a força motriz que faz as engrenagens do underground trabalharem em solos ludovincenses, em outras partes do país e até do mundo, pois há bandas desta safra que já tocaram no exterior, isso só reafirma a qualidade do som que é produzido na Ilha.
Claro que a internet ajuda na disseminação dos trabalhos das bandas e da interação com os headbangers, isso é um fato! Contudo, o rock maranhense é forjado na resistência, na união, na luta. Quem diria, que uma capital do Nordeste do país, afastada dos grandes centros urbanos, fosse mostrar toda essa força e grande quantidade de bandas, de eventos?!
São Luís não é apenas a terra do Bumba Meu Boi, dos casarões, das lendas, do Reggae, da MPM... (Re)nasceu na ilha o "Metal Pauleira Maranhense", que não é apenas uma nomenclatura, mas uma forma contracultural de ser e viver. Que me perdoem os amigos da MPM (Música Popular Maranhense), até curto o som deles, mas o Rock vem dando uma nova cara, mais energia e revigorando o cenário musical do estado.
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