Bull Control: O peso do hardcore em luta contra a opressão
Por Sylvia Sussekind
Fonte: Electric Funeral Records
Postado em 06 de agosto de 2019
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O Bull Control segue se mantendo firme na cena hardcore, tanto pelo som de peso quanto por sua militância dentro do movimento cultural nacional.
O hardcore não é somente música mas sim um movimento de luta contra todos os tipos de opressão e discriminações de gênero, étnicas, classes sociais, dentre outras. A banda retrata em suas composições diversos aspectos que assolam nosso país, e procuram passar essa mensagem com o lado da positividade e mudança que tantos brasileiros sonham e necessitam.
Com forte representação no Nordeste, o grupo ganha cada vez mais destaque em âmbito nacional após o lançamento do bem recebido álbum "União e Respeito", disco que conta com diversas participações de peso da cena musical brasileira.
Conversamos com Digão, vocalista do Bull Control, sobre influências musicais, processo de composição, sobre o espaço do hardcore no Brasil e militância dentro da cena.
Toda banda tem sua influência. Vocês se inspiram em alguma banda?
Digão: Tiago se espelha em Matt Freeman (Rancid), Karl Alvarez (ALL/Descendents), Mozine (MDR/Merda) e Mike Dirnt (Green Day);Leandro em Byron McMackin (Pennywise), Brooks Wackerman (Avenged Sevenfold), Vinnie Paul (Pantera), Neil Peart (Rush) ; Eu (Digão) Gosto muito da pegada do Billy (Biohazard) Fred (Madball) , Fefê (Sociedade Armada) , Juliatti (Mukeka) , Prandinni (Paura) ; Giovanni é Daron Malakian (Scars on Broadwa) , James (Metálica) . A gente tem várias influências musicais mas a ideia é e sempre será fazer um som nosso e original.
De ondem vêm esse nome "Bull Control"? O que levou a banda a esse nome?
Digão: Essa eu Respondo de costas : Integrity Dept. do Paura . O Paura , Banda que ouço desde 1998 e que tenho amigos dentro da Banda . Foi uma homenagem a banda . E o trecho da tradução de uma parte da letra que considero a mais impactante e que tem a ver com o som que a gente faz me fez dar esse nome a banda : " Você perdeu o controle, estamos de volta aqui para domar o touro . "
Suas letras passam uma mensagem muito forte, de onde vêm as ideias para as composições? Existe alguma composição que é mais especial para vocês?
Digão: Hardcore é cotidiano e tudo que é escrito é baseado no cotidiano de todo mundo. Vivemos cercado de mazelas , fome , ganância e destruição. Esse é o mundo que vivemos e que a gente é responsável indiretamente pra que ele seja assim.
Mas somos capazes de fazer essa mudança e por isso temos letras que procuram passar mensagens positivas e eu acho que Buscando um Ideal é uma das letras que eu considero mais importante por ter esse contexto Positivo e foi escrito em um momento conturbado pra mim . Apesar de Asas de Papel ser uma unanimidade entre todos .
De quem é a arte da capa do Disco e por que escolheram esse artista?
Digão: A Arte é do Iuri Corvalan , artista e músico aqui da nossa cena .
A gente já tinha visto inúmeros trabalhos dele que ele tinha desenvolvido pra algumas bandas de metal e a gente curtia muito o trabalho dele . A gente queria algo que tivesse haver com o nome do disco e mostrar que, a União e o Respeito, devem caminhar lado a lado até o fim de tudo .
Como surgiu a ideia de fazer um disco composto com diversas participações? Como foi o processo de escolha dos envolvidos em cada track do disco?
Digão: Era para ser uma única Participação e acabamos juntando 7 pessoas diferentes. Não tínhamos essa ideia , isso é verdade. Mas como foi surgindo ideias nas gravações, ficávamos pensando que música X seria muito legal ter a participação de aquele cara que faz voz naquela Banda . Mas se é pra ter várias participações que seja com pessoas com algum envolvimento de engajamento fora da música também.
Mas podemos garantir que foram muitas pessoas chamadas e só não rolou por conta de logística de tempo mesmo. Alguns em tour Gringa , outros gravando disco . Mas basicamente a ideia de fazer um disco cheio de participações nunca existiu. Ainda bem que a fórmula deu certo.
No próximo deve ter mais ...
Como a banda vê a importância da militância na cena underground?
Digão: Hardcore não é somente música e algumas pessoas já sabem disso . Hoje vivemos momentos sombrios e precisamos por pra fora de alguma forma essa nossa Indignação mas não somente em música e letra. A gente tem que ir mesmo pra rua e dizer que a gente se sente desconfortável com a política nacional. Como diz os nossos amigos do surra : " Daqui Pra Pior " se a gente não tomar alguma atitude.
O Hardcore contra o Fascismo foi a maior prova de que a gente tem que fazer valer a nossa voz , o nosso Grito .
Há espaço para o hardcore no Brasil?
Digão: Tem espaço pra todo mundo . Acho essa segregação de cenas um saco. Galera Metal não cola com galera Punk/HC e vice versa , Metal Cristão não pode tocar em rolê com banda de Metal . Isso é muito cansativo ver essa segregação de cena . A gente tá num barco , afundando e ainda tem gente com pensamento de minhoca . Tem espaço pro Hardcore Sim da mesma forma que tem para o Metal , pro Punk , Pro Grunge e por aí vai.
Confira aqui "União e Respeito":
https://sl.onerpm.com/7353068745
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