Raimundos: Japinha, do CPM 22, fala sobre letras polêmicas dos colegas

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Por Igor Miranda, Fonte: Tenho Mais Discos Que Amigos
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O baterista Ricardo Japinha, do CPM 22, foi perguntado em entrevista ao Tenho Mais Discos Que Amigos sobre as letras polêmicas de seus colegas do Raimundos. As duas bandas tocaram juntas no festival Rock in Rio 2019 e houve quem comentasse, nas redes sociais, que o grupo brasiliense não resistiram tão bem ao teste do tempo por, entre outros motivos, suas composições de tom controverso.

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As críticas são feitas por certos fãs pelo fato de algumas letras do Raimundos, supostamente, incentivarem pedofilia ("Me Lambe"), assédio sexual ("Esporrei na Manivela") e estereótipos às mulheres gordas ("Gordelícia"), entre outros. Em entrevista à revista "Trip", no ano de 2014, o vocalista Rodolfo Abrantes (que deixou a banda após se converter ao cristianismo) afirmou sentir "100% de arrependimento" das composições que assinou com a banda.

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Ao site Tenho Mais Discos Que Amigos, Japinha relembrou que Rodolfo saiu do Raimundos justamente por causa das letras, mas destacou que produções como as do Raimundos eram aceitas pelo público na década de 1990. "Hoje em dia o Mamonas Assassinas talvez não durasse. Talvez eles tivessem que escrever letras pensando nas consequências", afirmou o baterista, mencionando outra banda de letras que chamam atenção.

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Japinha afirmou que é necessário ter mais "consciênciasobre o impacto que músicas sexistas e machistas causam na realidade das pessoas". Por outro lado, apontou que o Raimundos "já foi a maior banda de rock do Brasil, são como uma faca de dois gumes" e segue se apresentando sem se importar com a mensagem de suas composições do passado.

Por fim, o baterista destacou que letras de outras bandas do período, como Charlie Brown Jr e Planet Hemp, também não seriam escritas atualmente por estarem dentro daquele contexto. "Vamos mudando. Faz parte", disse.

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A entrevista de Japinha pode ser conferida no Tenho Mais Discos Que Amigos.

'Raimundos é banda de ficção'

Em diversos momentos, o Raimundos se posicionou sobre as letras do passado. Em entrevista à Revista Gambiarra, em 2017, o baixista Canisso destacou o momento em que as músicas foram compostas.

"A maioria das músicas dos Raimundos que hoje são acusadas de machismo, sexismo, surgiram em um momento onde a censura que vinha da ditadura tinha recém acabado e elas nada mais foram que um teste para ver se a censura tinha realmente acabado", afirmou o baixista.

O vocalista e guitarrista Digão, por sua vez, chegou a comparar as letras do Raimundos com as composições do funk. "O Raimundos é como uma banda de ficção, a gente sempre falou aquelas coisas, mas era pra rir, não são coisas que a gente faz, de pegar, estraçalhar e fazer não sei o quê... o que é diferente dessa galera que canta o que faz, a gente não faz, é tudo ficção, é o realismo fantástico", disse.

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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